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Projeto visa "africanizar" escola

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
Rayla de Lima, Joana Freire, Juliana Thyfany Pereira, Gabrielle do Nascimento, Isabely Caroline Felix, Eliane Nora Bittencourt, Giovani Pereira da Silva e Andreia Ferreira de Souza durante o “Turbantaço”

Infelizmente, expressões com uma grande carga de racismo, como "serviço de preto", "cabelo ruim" e "mulata", ainda são bastante comuns em rodas de conversa. Com o intuito de combater o preconceito e, ainda, comemorar o Dia da Consciência Negra, celebrado na próxima segunda-feira, a Escola Estadual Guia Lopes, situada na região da Vila Dutra, em Bauru, lançou um projeto para se "africanizar".

Vale lembrar que o Dia Nacional da Consciência Negra não é feriado em Bauru. Contudo, como faz anualmente, a prefeitura determinou ponto facultativo, ou seja, os empregadores não têm obrigação de dispensar os funcionários. Portanto, o funcionamento de alguns serviços ficará a critério de cada instituição.

Idealizadora do projeto na Guia Lopes, a professora de história Eliane Nora Bittencourt explica que a ideia surgiu da mistura de propostas de outras escolas - é uma espécie de "colcha de retalhos", conforme ela mesma define. 

Segundo a professora, a escola abriga muitos alunos negros, que são vítimas de bullying, justamente, por conta da cor de sua pele. "O objetivo é instrumentalizar os alunos, a ponto de perceberem que o racismo está presente em algumas expressões consideradas comuns", argumenta.

Em vista disso, desde o último dia 6, os 900 alunos do 6.º ano do Ensino Fundamental ao 3.º do Médio, que têm entre 10 e 18 anos, participam de uma série de atividades, que objetivam, única e exclusivamente, a conscientização. "Racismo não se combate brigando, mas informando", defende Eliane.

Palestras, danças, filme, apresentações musicais e, até mesmo, o "Turbantaço" marcaram o mês de novembro, no Guia Lopes. Este último movimento, inclusive, leva a verdadeira cultura do turbante e eleva a autoestima da mulher negra, além de ajudar na transição do cabelo alisado para o natural.

RACISMO EM BAURU

Os casos de racismo que tiveram destaque na mídia local e nacional também foram discutidos, como o das inscrições racistas, que foram encontradas em dois banheiros da Unesp, em Bauru, entre os dias 23 e 24 de julho de 2015.

Na ocasião, como o JC já noticiou, os dizeres "Unesp cheia de macacos fedidos", "Negras fedem" e "Juarez Macaco" chocaram alunos e professores do câmpus, pelo conteúdo racista e de ódio. As mensagens seriam destinadas aos alunos negros e ao professor do curso de Jornalismo Juarez Tadeu de Paula Xavier.

Eliane acredita que o projeto, que existe há três anos, tem o poder de mudar o pensamento dos jovens. Professora há 20 anos, 10 dos quais lecionando no Guia Lopes, ela pontua que o trabalho é lento, mas eficaz.

O projeto conta com o patrocínio da Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal (APCEF) e o apoio do Conselho da Comunidade Negra de Bauru, da Charloo Moda Afro, das Mães pela Diversidade, do grupo feminista Resiste, do Maracatu Abayomi, das Crespas e Cacheadas, do Encrespa Bauru, do Só Preta sem Preconceito, além dos ativistas Roque Ferreira, Nina Barbosa, Greice Luiz e Carla Patrícia.

Programação

Com o tema "Africanizando a escola", o projeto da Escola Estadual Guia Lopes começou no último dia 6 e terminará na próxima segunda-feira, Dia da Consciência Negra. Hoje, durante o dia todo, será exibido o filme "O xadrez das cores".

O curta conta a história de Cida, que é negra, tem 40 anos e trabalha para Maria, uma velha de 80, viúva e sem filhos, além de ser extremamente racista. A patroa tripudia sobre a empregada, que atura ser maltratada em silêncio, mas encontra uma forma de se vingar através de um jogo de xadrez.

Já no dia 20, haverá feijoada; apresentação do coral do colégio; a palestra "Racismo e os impactos na juventude", com Roque Ferreira; roda de samba, com o grupo Voar; e, por fim, outra apresentação do coral da escola.

Mais um pouco de cultura africana no município

A USC realizará, no dia 20, a 5.ª Consciência Negra, atividade que propõe por em reflexão a cultura africana e as suas influências no Brasil. Gratuitas, as inscrições estarão abertas até hoje.

O evento contará com apresentações musicais e a mesa-redonda "Africanidades, umbanda e alteridade", com os palestrantes Lucas D'Alessandro Ribeiro e Misael Cezarino Rafael. As atrações começarão às 19h15, no auditório João Paulo II.

Informações e inscrições através do https://www.usc.br,  na aba "Eventos". A USC fica na rua Irmã Arminda, 10-50, no Jardim Brasil, em Bauru. A entrada é gratuita, mediante inscrição. Telefones: 2107-7324 ou 2107-7398.

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