Campinas - a disputa por uma vaga na Unicamp 76.225 candidatos fizeram ontem a primeira fase do vestibular da universidade, inclusive em Bauru. A taxa de abstenção foi de 9,02%, um pouco superior à do ano passado - quando a abstenção geral foi de 8,6%. A prova, composta por 90 questões de múltipla escolha, foi elogiada por professores e não fugiu ao que tem caracterizado os exames de admissão para a instituição: abrangência, acessibilidade e tom crítico em humanas.
"A parte de humanas foi engajada, politizada. A prova de português trouxe uma questão de literatura marginal, com um texto do Ferréz [escritor paulista que aborda a temática social], e em inglês foi abordado o tema da inclusão de transgêneros", diz Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora de cursinho. Célio Tasinafo, coordenador pedagógico corrobora os comentários. "A prova tratou de grandes temas, como contaminação por metais pesados, o descaso de empresas com as vítimas da tragédia de Mariana".
Segundo Daniel Perry, coordenador de colégio, a prova não destoou em relação aos vestibulares dos últimos anos. "A Unicamp sempre traz assuntos em suas questões com esse viés crítico". Ele também discorreu sobre as provas de exatas. "A prova de física, geralmente discriminatória, foi considerada fácil; a de matemática, foi técnica, na contramão de outros vestibulares que buscam contextualizar as matérias; e a de química, que exigiu poucos cálculos, foi conceitual e inteligente".
A avaliação de Edmílson Motta, coordenador-geral do Etapa, é que os alunos devem pontuar bem. "A Unicamp costuma ser uma prova acessível e dessa vez não foi diferente. Por isso, as notas de corte devem ser altas." O gabarito oficial será divulgado pela Comvest, a comissão organizadora da prova, na próxima quinta-feira (23).