O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou no sábado.18, que "um fator chave para termos taxas de juros reais menores é a reforma da Previdência Social aprovada", disse. "Mas para termos que o teto dos gastos atue de forma efetiva precisamos da reforma da Previdência."
Durante palestra em São Francisco, o presidente do BC foi perguntado pelo professor Barry Eichengreen, da University of California, Berkeley, se uma meta de inflação para o Brasil de 4% seria "o nível correto. O presidente do Banco Central respondeu: "Não pensamos que 4% é o fim do caminho. Ainda pensamos que é bem alta", disse. "Estamos no processo de convergir a taxa de inflação (a meta). Se olhar para outros mercados emergentes, há um número de inflação que é maior do que economias avançadas, mas é menor do que 4%. Façam os cálculos." De acordo com o presidente do Banco Central, a economia do Brasil está em ciclo de recuperação e há um processo de desalavancagem de empresas e de famílias, o que no caso específico dos consumidores conta com a colaboração da redução da inflação. Na avaliação de Goldfajn, os mercados financeiros "talvez estejam precificando uma reforma mais atenuada" da Previdência Social. Segundo ele, os agentes econômicos mudaram muito a avaliação sobre a política econômica adotada pelo governo Michel Temer. "A percepção foi alterada. É uma questão de ritmo. Vamos aprovar a reforma da Previdência agora ou depois... Mas há uma direção." Na avaliação de Goldfajn, os agentes também mudaram as expectativas sobre a gestão dos rumos da economia, inclusive porque ocorreu uma alteração expressiva na política fiscal. "O Brasil chegou a ter resultado primário de 4% do PIB que baixou para menos 3% do PIB", disse, respondendo a uma pergunta da professora da Harvard University, Carmen Reinhart. "Mas estamos corrigindo esta questão (fiscal) e é bom que tal tema seja debatido", apontou.