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| Segundo herdeira do hotel, localizado na quadra 2 da Rodrigues Alves, os vândalos teriam arrancado até mesmo as grades |
Erguido há mais de 100 anos e tombado pelo patrimônio histórico, o prédio que abrigava o Hotel Milanez no Centro de Bauru é alvo de um inquérito policial instaurado para apurar quem deve ser responsabilizado pelas frequentes invasões, atos de vandalismo e furtos. O crime, contudo, estaria sendo praticado também contra um brechó que funciona no mesmo terreno. Em busca de soluções, a vítima acionou até mesmo o Ministério Público (MP), na terça-feira da semana.
Abandonado, o imóvel localizado na quadra 2 da avenida Rodrigues Alves chegou a receber pessoas desabrigadas enviadas pela prefeitura, sendo lacrado em 2013 durante força-tarefa desencadeada para vistoriar casas noturnas irregulares na cidade. Menos de 30 dias após a desocupação, um incêndio consumiu parte das instalações, conforme o JC divulgou, à época.
De lá para cá, o prédio segue servindo de abrigo para moradores de rua, afirma o empresário Valdir Gomes Teixeira, cuja esposa mantém um brechó ao lado do hotel há 18 anos. "O local encontra-se totalmente invadido por homens, mulheres e animais. Ali, eles fazem uso de drogas, guardam artigos furtados, queimam fios de alta tensão para a venda de cobre. As janelas estão abertas, o que facilita a entrada de pessoas", critica.
Teixeira conta que seu estabelecimento também sofre com furtos e vandalismo. "Esses dias, queimaram roupas na frente do brechó só porque nós não compramos os itens, pois sabíamos que eram furtados", menciona ele, relatando que entregou um comunicado ao Ministério Público na semana passada, solicitando providências.
'É INADMISSÍVEL'
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| O delegado Dinair José da Silva diz que situação é inadmissível |
Com base nos boletins de ocorrência de furto registrados pelo empresário, o delegado titular de crimes ambientais da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, Dinair José da Silva, instaurou um inquérito para tentar solucionar o impasse. "É inadmissível um prédio histórico chegar nessa situação", critica.
Dinair disse que, desde o início das apurações, já ouviu, além da vítima, dois proprietários do hotel, a imobiliária responsável pela locação do imóvel onde funciona o brechó e também a prefeitura. "Percebemos um jogo de empurra-empurra entre os envolvidos. Estamos aguardando o laudo pericial e um documento da Defesa Civil para enviar o processo ao Poder Judiciário".
VENDAS PERDIDAS
Por se tratar de um patrimônio histórico, para realizar uma reforma no prédio, por exemplo, é preciso que sejam mantidos os padrões da construção original, fator que tem inviabilizado a comercialização do imóvel, relata Amedéia Milanezi Griso, uma das nove herdeiras do Hotel Milanez. "Já perdemos umas quatro vendas", lamenta.
Ela afirma que já solicitou o destombamento por parte do município, sem sucesso. "Deixando de ser um patrimônio, fica mais viável para que possamos vender a propriedade, que inclui ainda parte do terreno sem área construída".
Em nota, a prefeitura disse que o edifício Hotel Milanez não está interditado, segundo a Defesa Civil, e que já notificou os proprietários a realizarem melhorias para evitar que o local seja invadido. Amedéia rebate dizendo que até as grades instaladas nas janelas teriam sido arrancadas por vândalos. "Vamos mandar fechar novamente", garante.
DESTOMBAMENTO
O município informa ainda que recebeu a solicitação de destombamento, entretanto, "quem autoriza ou não é o Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Arquitetônico e Cultural (Codepac), cujos membros da nova gestão estão sendo definidos".
Dono da imobiliária responsável pela locação do imóvel para o brechó - o qual também pertence aos herdeiros do hotel -, Eduardo Candia afirma que está levantando o endereço de todos os donos. "Vamos notificá-los para que tomem as devidas providências", diz.

