| Alex Mita/JC Imagens |
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| Segundo Gobbo, denúncias mais comuns são relacionadas à negligência, imperícia e imprudência |
| Douglas Reis |
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| Cabello diz que APM tem se esforçado para esclarecer a população dos riscos em procedimentos |
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) em Bauru instaurou, neste ano, pelo menos uma sindicância por semana para apurar denúncias de erro médico. De janeiro até meados de novembro, foram 53 investigações iniciadas, uma média de 4,8 casos por mês nos 29 municípios da região abrangidos pela entidade.
Segundo o representante do conselho em Bauru, o médico Carlos Alberto Monte Gobbo, a deficiência na formação de alguns profissionais é fator importante para a manutenção desta média ao longo dos últimos anos. Em 2016 inteiro, foram 73 sindicâncias instauradas e, em 2015, 68.
"A maioria tem como alvo médicos com até oito anos de formação. É um reflexo claro da deficiência na formação de alunos que sequer conseguiram ingressar na residência médica e vão trabalhar em unidades de pronto atendimento, o lugar menos recomendado para um profissional sem experiência começar a trabalhar", aponta.
De acordo com o conselheiro, são as unidades de urgência e emergência que dão origem à parte mais significativa das reclamações, seguida por procedimentos de obstetrícia e cirurgia plástica. "No caso do pronto atendimento, as denúncias mais comuns são relacionadas à negligência, imperícia e imprudência, de diagnóstico incorreto, por exemplo, depois de o paciente ir várias vezes na unidade e ter o quadro agravado, até mesmo vindo a falecer", cita.
SETOR PÚBLICO
E é o setor público que concentra o maior volume de problemas. Gobbo explica que, nos últimos anos, a rede pública de saúde foi ainda mais sobrecarregada com a crise, devido à migração de famílias que não conseguiram mantes os planos médicos.
"E estes são indivíduos que já vivenciaram uma atenção de saúde melhor e acabam tendo uma postura menos complacente com o mau atendimento, fazendo com que o número de reclamações no setor público seja ainda maior", pondera.
INVESTIGAÇÕES
Em muitos casos, segundo Gobbo, as sindicâncias são concluídas com punições atenuadas aos médicos, já que a falta de equipamentos específicos e de profissionais em número suficiente, principalmente em cidades menores, acaba sendo a principal responsável por impedir o diagnóstico e tratamento adequados ao paciente.
Presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Marcos Cabello acrescenta que a entidade tem se esforçado para esclarecer a população sobre os riscos envolvidos em todo procedimento médico e que "fatalidades" acontecem, sem que haja dolo por parte dos profissionais. "São situações que podem ocorrer, mas que levam o paciente, fragilizado, a se sentir desvalorizado e a realizar pré-julgamentos, por falta de informação", alega, defendendo que todos os casos em que há evidências de erro médico sejam rigorosamente investigados.
Já Rose Lopes, membro do Conselho Municipal de Saúde, reclama da falta de transparência nas investigações, argumentando que a entidade não tem fácil acesso ao resultado das sindicâncias. "E lamentamos a ausência de representantes do Cremesp e da APM dentro do conselho. Hoje, recebemos as reclamações, que não são poucas, mas não ficamos sabendo dos resultados", completa ela, que também é coordenadora do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC).
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Mortes em hospitais
Outro dado preocupante quando se fala em saúde. Conforme noticiado pelo JC nessa quinta-feira (23), problemas adquiridos dentro de hospitais, com causas diferentes das que levaram o paciente à unidade de saúde, foram responsáveis por até 302 mil mortes em todo o Brasil no ano passado.
Os dados são de um estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
São exemplos de condições adquiridas nos hospitais infecções hospitalares, lesões decorrentes de quedas dentro dos estabelecimentos, trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, infecção urinária associada ao uso de sonda, erros médicos, entre outros. Segundo os pesquisadores, cerca de 60% de todos os eventos adversos são evitáveis.
Para chegar ao número estimado de mortes por eventos adversos e conhecer os detalhes das condições mais prejudiciais aos pacientes, os cientistas levantaram o número total de internações realizadas no País no ano passado e calcularam, com base em dados da literatura prévia sobre o assunto, o porcentual de mortes causadas por condições adquiridas durante a internação. O número varia de 120 mil a 302 mil. Para efeito de comparação, o câncer mata, por ano, 209 mil brasileiros.
O estudo também avaliou 240 mil prontuários de pacientes hospitalizados entre 2016 e 2017 e descobriu que 7,2% deles desenvolveram algum problema do tipo durante o período em que ficaram internados.
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