Política

"Política social rende colheita"

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis
Secretário estadual do Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro reafirma corrida pelo Palácio dos Bandeirantes

Atual secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo e pré-candidato ao governo do Estado, Floriano Pesaro esteve em Bauru na sexta-feira para a comemoração dos quatro anos do Bom Prato na cidade. Ele apontou que o perfil dos usuários da unidade mudou: os idosos são maioria. Em entrevista concedida no espaço Café com Política, do JC, ele falou também da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes. "Minha bandeira é a educação", destaca.

Embora tenha demonstrando abertamente interesse em governar o Estado, Pesaro precisa "vencer" outros nomes tucanos como José Serra, João Doria e o cientista político Luiz Felipe D'Avila. "Os prefeitos que me apoiam costumam dizer: 'O Floriano é um sujeito previsível, tem experiência de 21 anos na vida pública e é do partido [PSDB] há 28 anos. Essa é a minha grande vantagem em relação aos outros postulantes".

Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista com Floriano Pesaro.

Jornal da Cidade: O senhor tem declarado interesse em suceder Geraldo Alckmin. Como vai ser essa "disputa" com os outros pré-candidatos do partido?

Floriano Pesaro: Minhas andanças pelo Estado estão voltadas para a Secretaria de Assistência Social. Com o próprio trabalho na pasta, estou plantando e sei que vou colher. Eu não preciso fazer política eleitoral porque, ao fazer a política social, o futuro vai ser de colheita. Hoje, vejo dentro do partido um grupo de prefeitos jovens. Em torno de 20 a 30 deles têm me apoiado. Eles costumam dizer: 'O Floriano é um sujeito previsível, tem experiência de 21 anos na vida pública e é do partido há 28 anos. Essa é a minha grande vantagem em relação aos outros postulantes. Respeito todos.

JC: Como sociólogo e com base no cargo que ocupa no Estado, o senhor tem como bandeira o assistencialismo ou vai além disso?

Pesaro: A minha bandeira é a educação. A chamada educação primária. Ensinar questões cognitivas e afetivas. Hoje, temos jovens e nenhum afeto, porque eles não receberam afeto dos pais, os pais não receberam afeto dos avós e assim por diante. Há um ciclo interacional que reproduz a violência. Minha prioridade é mesmo a educação. Claro que, nesse tripé de propostas para o futuro, tem a questão de cuidar também da saúde e da segurança. Mas a segurança tem de ser enxergada para além das fronteiras da polícia.

JC: Aliás, como podemos avançar na segurança pública?

Pesaro: Precisamos reformular uma cultura de paz. Hoje, a segurança, ou a violência como contraponto, está muito ligada às comunidades, especialmente as mais carentes. A violência é endêmica, está na pele. Temos a violência contra a mulher, contra o negro, contra a criança, contra o idoso e a violência no trânsito. Precisamos reverter o quadro através de uma grande mobilização social.

JC: O senhor avalia que uma eventual candidatura sua ao governo do Estado de São Paulo ajudaria a de Alckmin à Presidência da República?

Pesaro: Estou convencido que sim. As pesquisas recentes mostram que o perfil buscado pelo eleitor é de um cara jovem e com experiência. E eu me encaixo nesse perfil. Além da disposição de andar pelo Estado, principalmente pelo Interior, temos que considerar também a minha área de atuação na assistência social. Sempre trabalhei com educação e serviço social. Isso, nas eleições de 2018, com o País saindo de um crise, vai ser bastante considerado.

‘Reflexo’

O Bom Prato (rua Primeiro de Agosto, 9-47, Centro) completou quatro anos em Bauru e, na sexta, solenidade na unidade reuniu o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, o deputado estadual Pedro Tobias, o prefeito Clodoaldo Gazzetta, a diretora regional da Drads, Maria Moreno Perrone, o titular da Sebes, José Carlos Fernandes, e membros da diretoria do restaurante, gerenciado pela entidade Programas de Integração e Assistência à Criança e Adolescente (Aelesab). 

Pesaro revelou ao JC que o Bom Prato registrou uma mudança de perfil: o número de idosos no local aumentou de 38,5% em 2014 para 43,7% no ano passado. "É reflexo da crise. Para muitos idosos, é a única refeição do dia. Portanto, mudou o retrato daquilo que se imaginou na origem: moradores de rua e desempregados, em sua maioria". 

Diretora do Aelesab, Daniele Camargo lembra outro aspecto: "Trabalhamos em conjunto com a prefeitura. A gente consegue identificar dependentes químicos, por exemplo, e acionar órgãos de acolhimento", exemplifica.

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