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A negação política e seus resultados

Henrique Matthiesen
| Tempo de leitura: 2 min

Desde a queda do muro de Berlim e o fim da polarização entre os blocos socialista e capitalista que marcaram boa parte do século 20, existe um movimento sincronizado de negação da política. Com o desígnio claro de esvaziamento ideológico da sociedade, tende-se a desenvolver, sem maiores dificuldades, o projeto neoliberal que visa o acumulo de capital nas mãos de poucos iluminados que controlam a sociedade.

Oriundos desse movimento há diversos resultados catastróficos para humanidade. Um deles é o renascimento da intolerância política, assim como o surgimento de "lideranças" e "partidos" de extrema-direita, como por exemplo o caso do "Partido dos Verdadeiros Finlandeses", que prega o sistema de bem-estar social, ligado aos valores cristãos, contra os direitos das minorias.

Na Alemanha temos o Partido Nacional Democrata, cujo ideário é focado no combate à cultura islâmica que, segundo eles, ameaça a cultura alemã. Este partido defende a interrupção de todos os programas de integração de gênero, dentre outras bandeiras homofóbicas e segregacionistas. Na Grécia tem a "Aurora Dourada", onde a suástica nazista é seu símbolo.

Pregam o ódio aos imigrantes e o fim da União Europeia. Na França, a "Frente Nacional dos Le Pen" cresce, assustadoramente, com seu discurso nacionalista de extrema xenofobia. O "Partido da Liberdade" da Áustria acredita na pureza racial baseada nos valores cristãos.

Representante deste movimento global tem-se o presidente dos EUA, Donald Trump, que contém ideias extremamente conservadoras, além de controlar o mais poderoso sistema bélico do planeta. Primitivista na conceituação mais conservadora esses líderes e partidos representam um perigoso retrocesso humanista, além de encontrarem farto terreno com a negação da política e com o esvaziamento ideológico no mundo.

Há de se constar também os erros da esquerda mundial que esqueceu suas bases históricas, renunciou a suas bandeiras e fracassou em seus desígnios.

No Brasil e na síntese deste movimento mundial encontramos Jair Bolsonaro, que empolga importante parcela do povo brasileiro, farta da corrupção e dos erros, tanto da esquerda como do centro.

Bolsonaro é o retrato fiel da falência de nosso sistema político, da polarização de muitas vezes mais do mesmo, de um país cada vez mais intolerante e contaminado pelo ódio de classe. Seu discurso sem lastro, suas ideias conservadoras empolgam, no sentido de que a esperança foi renunciada ou simplesmente sufocada. Este é o fruto perverso da negação política, ou simplesmente da acomodação dos que deveriam mudar os paradigmas das velhas práticas oligárquicas e corruptivas do nosso sistema.

O autor é bacharel em direito e jornalista.

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