Articulistas

Nosso governo gasta muito e mal

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

Relatório do Banco Mundial disse o que todos sabemos, que o nosso governo gasta muito e mal os recursos públicos. De prefeituras à União, além dos roubos, como 'nunca antes neste país', o dinheiro público é desperdiçado.

Se pudéssemos separar de todos os pagamentos efetuados pelo governo, nos três níveis, as parcelas que representassem os valores corretamente apropriados de obras, serviços, equipamentos, materiais, salários e benefícios das parcelas que representam desperdício devido à ineficiência, ao descaso com o bem público, à irresponsabilidade na tomada de decisões enfim, se pudéssemos separar o corretamente necessário do desperdiçado, com certeza provaríamos que os tributos que pagamos poderiam ser bem menores.

Dias atrás a TV mostrou o péssimo estado de ambulâncias de Marília, que o próprio motorista chamou de 'lixo'. Infelizmente não é um caso isolado. Por que ambulâncias, ônibus escolares e outros veículos públicos ficam arrebentados? Gastar pneus, amortecedores, freios, eventuais acidentes etc. são coisas que acontecem com todos, mas ficar com bancos, faróis, lanternas, retrovisores, portas e motor arrebentados, só pode ser desleixo, irresponsabilidade. De quem? Do motorista?

Sim, mas não só dele, porque acima dele existem chefe e diretor recebendo gratificação de função para garantirem a execução dos serviços e o bom uso dos bens públicos. Neste caso as despesas de reparo ou substituição e as gratificações de chefia podem ser classificadas como desperdício, por falta de cumprimento das obrigações.

Casos da mesma natureza e em maior proporção ocorrem com obras e equipamentos públicos - escolas, centros de saúde, hospitais e outras instalações públicas, móveis e aparelhos como raio x, equipo odontológico etc, tudo em petição de miséria.

Construções são abandonadas depois de prontas e outras interrompidas depois de ter consumido quase toda a verba empenhada.

Grandes obras de rodovias, ferrovias e portos, há anos são um saco sem fundo consumindo verbas gigantescas.

Também aqui existem chefes, inclusive de níveis altos, com salários e gratificações tão interessantes, que são o motivo das disputas dos partidos políticos para se aparelharem com a nomeação de apadrinhados.

Além do desperdício com a nomeação de incompetentes ocorrem os desvios de dinheiro público com as licitações dirigidas.

O número excessivo de parlamentares com altos subsídios, gratificações e um pacote de 'aspones' é outro sorvedouro de recursos.

Pesquisa feita pelo professor Leonardo Sales, da Universidade de Brasília, com 4.661 matérias que viraram leis em 26 Assembleias Estaduais, mostrou que cada lei teve um custo médio de R$ 4 milhões para os contribuintes.

E veja o nível das leis: criação do dia da mulher cristã; criação do dia das artes mágicas etc. Imagine uma pesquisa semelhante no Congresso Nacional e nas mais de 5.500 Câmaras Municipais!

Além dos parlamentares existem algumas categorias de servidores públicos, nos três poderes, com salários altos, com incorporação de gratificações e aposentadoria integral também pesando muito na despesa publica.

Tamanha despesa, entretanto, não tem sido bastante para evitar que a população sofra e reclame pela insuficiência ou falta dos serviços de segurança, saúde, educação, transporte, moradia e saneamento básico.

Na administração publica tudo se arrasta - projetos de lei importantíssimos, inclusive de lei complementar à Constituição, permanecem intocados no Congresso; processos, também importantes, ficam repousando indefinidamente nos tribunais e nos arquivos dos ministérios.

E enquanto a população e as empresas reclamam por menos impostos e melhores serviços eles reclamam por mais recursos e melhores salários.

De que adianta a Constituição Federal de 1988 estabelecer que a administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, se aqueles que são eleitos para governar, em nome dela, acabam invertendo o sentido de todos esses princípios, agindo com ilegalidade, no interesse pessoal, na imoralidade, com ineficiência e fazendo publicidade com mentiras eleitoreiras.

Daí que o resultado só pode ser esse.

O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.

Comentários

Comentários