Tribuna do Leitor

Resposta à resposta da Emdurb

Ricardo Caversan
| Tempo de leitura: 5 min

No dia 21.10.2017 foi publicado na Tribuna do leitor do JC uma missiva minha intitulada 'Absurda indústria da multa de Bauru'. Em resposta a ela, foi publicada na mesma Tribuna do Leitor uma missiva da Emdurb intitulada 'Vamos fechar a indústria da multa" - resposta da Emdurb', no dia 19.11.2017.

Em resposta à resposta da mesma cabem algumas considerações sobre o teor da missiva. Vamos a elas:

1- No início eles me proporcionam uma aula sobre o Código de Trânsito Brasileiro e a responsabilidade do agente de trânsito ao constatar alguma irregularidade, que é autuar e não prestar orientação. Pois bem, concordo plenamente e em nenhum momento na minha missiva disse algo diferente, pelo contrário, fui bem claro ao dizer que acredito ser justo e correto que o cidadão que comete uma infração de trânsito seja autuado por isso e assuma a responsabilidade pelo erro. O que mencionei sobre orientação é que faltam a eles as vezes essa prontidão de colaborar, de instruir, de ajudar, colocando como função principal e primordial autuar, não disse em momento algum que, ao flagrar uma infração de trânsito eles deveriam orientar e não autuar, repito não disse nada disso, basta ler a minha missiva, acredito em orientar e colaborar, no sentido de ajudar ao motorista a evitar cometer infrações, mas, ao passo que a mesma é cometida é preciso autuar, vem a ser essa uma das maneiras eficazes de se educar o motorista.

2- Na missiva eles me informam também que a autuação a que me referi não foi feita por agente do GOT mas sim pelo Polícia Militar, a Emdurb apenas emitiu e encaminhou a autuação. Pois bem, cabe aqui o meu pedido de desculpas, verifiquei, solicitei a cópia da autuação e comprovei que realmente foi a Polícia Militar, por isso me retrato. No entanto vale ressaltar que não estou por dentro de todos os meandros que envolvem o processo desde a autuação até a chegada da notificação. Imaginei, ao ver a notificação emitida pela Emdurb, como a maioria da população imaginaria, creio eu, que se tratava de multa aplicada por agentes do GOT, não tinha como eu saber que a Emdurb também processa e envia as multas lavradas pela PM. Conseqüentemente não tive a intenção deliberada de dar a informação equivocada, por isso mesmo que me desculpo novamente.

3- Na missiva a Emdurb informa também que como foi a PM e não os agentes do GOT que lavraram a multa vão encaminhar minha missiva ao departamento jurídico para que se tomem as medidas cabíveis, visto que, segundo a Emdurb, informações equivocadas podem causar insegurança na população e por em risco a integridade física dos agentes. Pois bem, em minha missiva fiz menção ao problema de agressões que as vezes os agentes sofrem e fui categórico ao afirmar que não se justificam em hipótese alguma. No entanto, vale ressaltar que muitas vezes o estopim de discussões e até mesmo as agressões são provenientes da forma arrogante e do ar de superioridade com que alguns agentes se direcionam ao munícipe no momento de autuar. Relacionamento humano é muito complicado, e existem jeitos e jeitos de se chegar a uma pessoa. A situação em si já é complicada, o cidadão/motorista está cometendo uma infração, um erro, sabe que vai lhe custar pontos na carteira e pesar no bolso, aí vem o agente de forma equivocada, sem educação ou cordialidade, aí se criam as situações estressantes. O munícipe precisa entender que errou e tem que assumir a responsabilidade pelo erro. O agente precisa entender que não é melhor do que o cidadão porque tem uma farda, talão de multa e uma caneta, ele está ali cumprindo seu dever, e pode fazê-lo com educação e respeito. Posso garantir que se a abordagem ao cidadão/motorista for respeitosa as ocorrências de desentendimentos serão bem menores.

4- Sobre a ironia do final da missiva da Emdurb, em que dizem "e, por fim, senhor Ricardo, quanto à indústria de multas que o senhor sugere, concordamos que ela deve ser urgentemente fechada. Como toda indústria, esta depende da demanda. Uma vez que não haja infrações de trânsito, essa indústria naturalmente vai a falência". Pois bem, a declaração é irônica principalmente porque se é notório que o motorista de uma forma geral é mal-educado no trânsito e propenso a cometer infrações, principalmente as mais comuns, tal qual falar ao celular dirigindo, atravessar no sinal vermelho, muitas vezes com a desculpa de que "estava amarelo" e etc.

É utopia se imaginar que as infrações de trânsito não mais ocorram, mas o preocupante são as infrações inventadas, ou, e aí entra um outro problema grave, que é o que pode ter ocorrido conosco, de ter um veículo com a placa clonada. Porque fato é que, no referido dia e horário em que meu automóvel teria avançado o sinal vermelho o mesmo encontrava-se estacionado no pátio do CPP 3, antigo IPA, onde minha esposa trabalha.

Enfim, pessoas falham, por que são imperfeitas, o único perfeito que existiu neste mundo foi pregado na cruz. Errei sobre o autor da multa, me desculpo novamente. Não muda o fato de que a infração não foi cometida por nós. Os relacionamentos humanos vão continuar complicados até que aja mais amor, mais paciência, mais educação e respeito. Até que todos entendam que somos iguais, com características diferentes, ninguém é melhor que ninguém, ninguém é mais do que ninguém, somos todos irmãos em Cristo Jesus, do pó viemos e ao pó voltaremos, e se nesse meio tempo pudermos ser pessoas de bem e amar ao próximo, ganhará mais o mundo. Que Deus nos abençoe a todos.

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