Geral

Casos de Aids caem 55% em Bauru, mas alerta continua

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Marcelo chega a tomar 14 remédios por dia: “Os jovens precisam se conscientizar e se prevenir”

"Viver com Aids não é fácil. O remédio prorrogou minha vida, mas minha saúde nunca mais foi a mesma, só piorou com os anos". A frase é do bauruense Marcelo Borges Diogo, que convive 12 dos seus 44 anos com a doença. Hoje, Dia Mundial da Luta contra a Aids, fica o alerta: embora a incidência da doença tenha caído 55% em Bauru em 12 anos e mesmo com os grandes avanços da medicina em relação ao tratamento, a prevenção segue mais do que indispensável.

Segundo dados fornecidos pela Secretaria de Saúde, de 114 diagnósticos de novos pacientes em 2004 em Bauru, esses números caíram para 51 em 2016, sendo 65% deste total homens e 35% mulheres (veja mais no quadro no final).

Coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), Eliane Monteiro aponta que a queda está relacionada ao efeito em cadeia causado pelo tratamento atual, que pode baixar as infecções.

"A pessoa pode viver normalmente, mas sempre terá que se cercar de cuidados. Com o tratamento em dia e com a carga viral indetectável por, pelo menos, um ano, há grande probabilidade de não passar a doença para outra pessoa", cita Eliane, ponderando, contudo que a prevenção não pode ser deixada nunca de lado.

Ela considera, ainda, que a realidade seja mais assustadora do que tais números oficiais. "Ainda há muita subnotificação. A taxa de incidência tem aumentado no Estado como um todo. E percebemos que há um recrudescimento na faixa etária jovem, de 15 a 24 anos, que vem apresentando índices parecidos com o do início da epidemia de 1980 no Estado", ressalta Eliane.

A preocupação do poder público tem recaído, principalmente, aos grupos formados por homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas e profissionais do sexo, que aparecem como maioria nos registros.

"Começou a subir de novo os casos entre esses públicos e, no gráfico, percebemos que a tendência é de aumento. No caso dos jovens, temos registrado no CTA até dois casos de HIV positivo (a doença em sua forma ainda não manifestada), por semana", cita Eliane.

LUTA ÁRDUA

Embora seja expressiva a quantidade de pessoas que, hoje, convivem com a Aids normalmente e sem sofrimento em relação aos efeitos colaterais, existem pacientes com quadros parecidos com o do serralheiro Marcelo Diogo, que teve o diagnóstico aos 32 anos, após uma relação extraconjugal.

Hoje, ele diz enfrentar uma luta diária contra os efeitos colaterais da medicação. "No início do tratamento, meu sistema imunológico reagia e, mesmo com uma vida mais regrada, minha vida era normal. Mas, depois de seis anos, eu comecei a ter muitas dores nas juntas, na cabeça, no estômago e falta de ar. Hoje, sofro de depressão medicamentosa e não consigo sequer caminhar duas quadras sem ficar exausto. Fui ao médico, mas não há o que fazer, além de tomar remédios. Chego a tomar 14 por dia, sete além do coquetel", conta Marcelo, que, há alguns meses, se aposentou devido ao problema.

"Eu só sobrevivo porque minha família me dá todo apoio. Não adianta tomar o coquetel e achar que está tudo certo, sua saúde não será mais igual. Os problemas só vão aumentando. Os jovens precisam se conscientizar disso e se prevenir", alerta Marcelo.

Meta para 2020

O atual desafio enfrentado pelo poder público frente à luta contra doença é de atingir, até 2020, a meta da Unaids 90/90/90. Ou seja, que 90% de todas as pessoas portadoras do HIV saibam que tem o vírus, que 90% destas com a infecção pelo HIV diagnosticadas recebam terapia antirretroviral ininterruptamente e que 90% de todas em tratamento com antirretrovirais tenham suprimido a carga viral, levando-a a níveis indetectáveis. E, mais recentemente, uma nova meta foi acrescida com objetivo de alcançar zero discriminação

DIA CONTRA A AIDS TERÁ TESTES RÁPIDOS

Hoje, ocorre o encerramento da campanha "Fique Sabendo", realizada pela Secretaria Municipal da Saúde, através do Programa Municipal de IST e Aids/Hepatites Virais, com apoio do CTA e Centro de Referência em Moléstias Infecciosas (CRMI).

Com o objetivo promover o acesso ao teste rápido e ampliar o número de pessoas que conheçam seu status sorológico, essencial para o enfrentamento das doenças, o CTA (rua XV de Novembro, 3-36, Centro) realizará, das 7h às 15h, testes rápidos. No CRMI (rua Silvério São João, quadra 1, Centro), haverá palestra em sala de espera. Na UBS Mary Dota (rua Pedro Prata de Oliveira, ao lado da UPA), serão realizadas orientação em sala de espera e entrega de informativos e preservativos.

DEZEMBRO VERMELHO

Mas quem quiser fazer o exame e não puder ir hoje, ainda terá a chance de agendar, por meio do telefone (14) 3234-2576, do CTA, que participa, a partir de segunda-feira, da campanha Dezembro Vermelho, do Ministério da Saúde.

Além do teste de HIV e sífilis haverá também os de Hepatite B e C.

Comentários

Comentários