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'Quem qué' pedalar e viver melhor?

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

É sagrado. Todos os domingos, faça chuva, sol ou vento, João Aldo Pasciello, conhecido como Foguinho, percorre um trajeto de mais de 40 quilômetros com sua bicicleta. Ele tem 82 anos e a idade não é empecilho. "Pedalar é saúde e prolonga a vida", afirmou, enquanto celebrava os 26 anos do grupo que ele próprio fundou, "Vai Quem Qué", em evento festivo promovido neste domingo no Aeroclube de Bauru.

A tradição de difundir a prática esportiva do ciclismo para diferentes idades completa mais um ano de atividades com 42 integrantes inscritos, que, uma vez por semana, encaram longos percursos em estradas de terra da cidade e região. "Eu sinto muito orgulho e satisfação de ver o quanto o grupo cresceu. Quando assumi, eram apenas três pessoas", observa Foguinho.

Ele ressalta que cada um tem um pensamento e é preciso conciliar as opiniões e disciplinar a rotina. Mas, uma coisa todos têm em comum: a paixão pelo ciclismo e consciência de que a prática esportiva é uma das ações mais importantes para manter a saúde do corpo - e da mente também.

"Em meio ao divertimento, ainda adquirimos condicionamento físico, pois os desafios são muitos. A gente enfrenta chuva, frio, subida, areia. O resultado disso tudo é 'pura saúde'. Quem não se movimenta e prefere ficar em casa, está diminuindo o seu tempo de vida", reitera Foguinho. "Eu mesmo não vejo a hora de chegar o domingo e poder pedalar", completa.

Este é o mesmo sentimento da agente de viagem Adriana Gabriele, 57 anos. Ela conta que faz parte do "Vai Quem Qué" há 15 anos e, no início, poucas mulheres se interessavam pela prática. "Hoje ocorre o contrário. A mulher é maioria em boa parte dos grupos de ciclistas de Bauru e região", observa.

Adriana também fala dos benefícios do ciclismo para a saúde, como a diminuição de peso, melhoras na pressão sanguínea e aumento significativo da capacidade física. "É uma alavanca para sair do sedentarismo. No começo é difícil, mas depois é só colher bons resultados".

MUDANÇA DE VIDA

A rotina sedentária não faz mais parte da vida de Guilherme Franco de Bernardis, 17 anos. Ele é exemplo de quem trocou a comodidade do lar pelas trilhas de terra. "Meu tio, que é ciclista, acabou me incentivando. Antes, eu não saía de casa pra nada. Vivia cansado e sem disposição até para andar na rua".

Hoje, contudo, as mudanças já são notáveis. "Faz um ano que comecei a pedalar. Troquei a gordura do corpo por músculos. A minha vida melhorou e tento incentivar meus amigos a andarem de bike também. A nossa geração, quando resolve se exercitar, vai pra academia, mas isso não se compara com as atividades sobre duas rodas, em lugar aberto, na natureza". 

É por esse e outros motivos que o fundador do "Vai Quem Qué" almeja continuar a percorrer as trilhas aos domingos por muito tempo. "Espero que Deus me dê muita saúde, para que eu possa comemorar outros aniversários do grupo. Se depender da minha disposição para pedalar, ainda haverá várias comemorações como a de hoje (ontem)", finaliza, emocionado. 

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