Vários carros, uma casa de luxo em condomínio fechado e vida social intensa. Essa era a rotina que, segundo a Polícia Civil, Márcio Luiz Claudio, 39 anos, sustentava, atuando como fornecedor de até 80% das drogas comercializadas em Bauru, seja cocaína, maconha ou crack. Apontado pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) como o "maior traficante da cidade na última década", ele atuaria como uma das lideranças de um esquema que foi descoberto neste ano após a prisão de integrantes de um bando.
Com vulgo "Come Ranho" para os mais chegados, Márcio é acusado de trazer carregamentos de drogas mensais da fronteira do Paraguai para Bauru. Aqui, era contatado por outras duas lideranças: os primos Bruno Carneiro, 34 anos, e Marcelo Diamantino Carneiro, 33, que chefiariam o tráfico em mais de 30 pontos diferentes pela cidade, a maioria no Santa Edwirges.
Os primos foram presos em janeiro deste ano, conforme o JC noticiou. A partir daí, a Dise começou a desenrolar um novelo de ligações do bando comandado pela dupla, que culminou com a prisão de mais dez pessoas (veja o organograma no quadro no final).
"O Márcio tinha vários contatos na fronteira. Há anos buscávamos provas concretas de que ele atuava no tráfico e, agora, conseguimos. Há informação de que ele trazia a Bauru de 150 a 200 quilos de droga por mês", detalha o delegado titular da Dise, Luiz Puccinelli.
'A VIDA DEU UM SALTO'
Márcio foi preso em sua casa, na zona Noroeste de Bauru, no dia 30 de novembro, após mandado de prisão, obtido em virtude de provas onde ele era flagrado negociando drogas com integrantes do bando preso. Na ocasião, foram apreendidos R$ 21,8 mil em dinheiro.
"Ele trabalhava no chão de fábrica e, depois que saiu, a vida dele deu um salto. Em dez anos, o Márcio montou uma loja de tintas e uma construtora, que, agora, também devem ser alvos de investigação para apurar se houve lavagem de dinheiro", pontua o delegado.
Ele foi encaminhado ao CDP de Bauru e deve responder por tráfico e associação ao tráfico. O advogado de Márcio foi contatado pela reportagem do JC, mas não quis se pronunciar sobre as acusações.
Também respondem pelos mesmos crimes os demais integrantes do bando chefiado por Marcelo e Bruno, que, mesmo atrás das grades, coordenavam o tráfico por meio de suas esposas: Andaraí de Lourdes Carneiro, 27 anos, e Patrícia Silva Carneiro, 32, presas em outubro.
MAIS PRISÕES
Em 10 de outubro, a polícia prendeu ainda Francisco José Marques, que era braço direito delas, assim como Ingrid Aparecida de Souza, 24 anos, prima de Patrícia. Também foram presos, na mesma data, Rafael Soares de Souza Santos, 21 anos; Gabriel Ferreira Jesus Rodrigues, 23 anos; e Aline Tamires Ramos de Lima, 25 anos, sendo que, esta última, além de tráfico e associação, também responderá por posse de um revólver.
A mesma operação ainda culminou com prisões anteriores de outros integrantes do bando: Alexandre Patrick Barbosa, 23 anos, e Vitor Dutra Furtado, 24 anos, em junho e agosto, respectivamente. Alexandre foi detido pela PM e também responderá por posse de 30 porções de crack. Já Vitor por posse de uma pistola Glock calibre 45. Wbson Ricardo Justiniano, 30 anos, também foi preso, em janeiro, junto aos primos.
As prisões citadas acima ocorreram em residências nos bairros Parque Jaraguá, Nova Esperança e Jardim Vânia Maria.
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