Bairros

E o palhaço, o que é?

Ana Beatriz Garcia e Samantha Ciuffa
| Tempo de leitura: 13 min

Renan Casal
Palhaço Faísca recebeu, em julho deste ano, o título de “Embaixador da Animação Infantil”
Thiago Roque/Assessoria Chiara Ranieri
Ao lado da família e amigos, Palhaço Faísca recebe Moção de Aplauso da vereadora Chiara Ranieri Bassetto (DEM)

Dos extravagantes, com suas calças largas, sapatos enormes e cabeleiras coloridas, aos de rostos pintados das mais variadas maneiras. Eles todos carregam um título especial que, muitas vezes, basta apenas um nariz vermelho para os identificar. Toda a caracterização é parte da fantasia alegre, que esconde o genuíno desejo de despertar sorrisos largos em pessoas de todas as idades. Bozo, Carequinha e Arrelia são alguns dos exemplos. E não é preciso ir muito longe ou visitar o passado para encontrá-los.

No dia do palhaço, celebrado neste domingo (10), o JC homenageia esses artistas que dedicam seu tempo e entusiasmo para fazer a alegria das crianças e levar os adultos, mesmo que por alguns instantes, de volta à infância, em projetos e apresentações pela cidade de Bauru.

Estabelecida em 1981, a data surgiu de uma iniciativa do Abracadabra Eventos, em São Paulo e, no decorrer dos anos, passou a ser comemorada em todos os estados brasileiros.

É LADRÃO DE MULHER?

"Palhaço só leva alegria, o máximo que rouba é um sorriso", afirma alegremente um dos artistas mais conhecidos de Bauru, o Palhaço Faísca. "Como dizia o saudoso professor Duda Trevizani, o palhaço também é um educador e eu acredito muito nisso", comenta.

Há 27 anos, Aleksander Rodrigues de Oliveira Soares empresta tudo de si para dar vida ao palhacinho que anima a todas as gerações. "O palhaço não pode perder a esperança e a vontade de fazer sorrir. Mesmo com a atual concorrência com a tecnologia, as crianças ainda nos esperam. Não há nada melhor do que conseguir tirar a tristeza das pessoas e criar um mundo de magia para as crianças", comenta.

Aleksander começou sua trajetória aos 6 anos, no circo Palco Livre, mas somente aos 12 anos de idade surgiu como Palhaço Faísca no projeto "Manhã de Lazer, Tarde de Lazer e o Lazer na Praça" da Prefeitura de Bauru. Envolvido com a comunidade, Faísca esteve e está presente em diversos momentos como nos eventos Recreança, Viva Bauru, Casinha do Papai Noel, Expo Bauru e tantos outros, assim como em outros municípios, onde, em parceria com seu ídolo, o palhaço Espirro, ou em apresentações solo, leva seu show. "Eu tenho a autorização do Espirro para cantar suas músicas e é um prazer enorme me apresentar com ele. Sou um grande fã", comenta.

Palhaço Faísca ainda produziu e desenvolveu o projeto para televisão, o "Faísca Show" e posteriormente também apresentou o "Clubinho da Criança" por diversos anos. 

RECONHECIMENTO

Na última segunda-feira (4), a vereadora Chiara Ranieri Bassetto (DEM) entregou, durante sessão da Câmara de Bauru, Moção de Aplauso a Aleksander, o Palhaço Faísca, pelos 27 anos de trabalho com o personagem. "Essa foi a segunda moção que recebi. A primeira foi pelas mãos do vereador Markinho Souza (PP), pelos meus 25 anos de carreira. Os dois momentos foram muito especiais e emocionantes para mim", comenta o artista.

Além dessa homenagem, em julho deste ano, o artista esteve em São Paulo com palhaços de várias partes do país como Bozo, Palhaço Topetão e Tio Bombom para receber o título de "Embaixador da Animação Infantil", no 10.º Encontro Nacional de Animadores Infantis (Enai).

Para mais informações sobre o palhaço Faísca, basta entrar em contato pelo (14) 3238-2850 ou pela página Palhaço Faísca - Embaixador da Animação Infantil, no Facebook. 

‘O tigrão de Bauru’ 

Divulgação
Tubinho e Dedé Santana se apresentaram em 2014, no espetáculo “Tubinho, o tigrão de Bauru”

Outro nome bastante conhecido na cidade é o do Palhaço Tubinho, que já teve muitas passagens por aqui. Mesmo não sendo bauruense, Pereira Franca Neto já teve um espetáculo que leva o nome da cidade, "Tubinho, o tigrão de Bauru". A apresentação contou, inclusive, com a participação do trapalhão Dedé Santana.

Vindo de um família circense, Tubinho revelou, em março deste ano, na entrevista da semana para o JC, que mesmo com o mesmo nome do tio-avô, o personagem criado por ele é dono de uma personalidade original. "Tive uma vantagem muito grande: não o vi trabalhar. Não faço imitação dele. A maquiagem é outra, o jeito é outro, a roupa é outra. Não há nada copiado. E isso me deu uma possibilidade de criar a personalidade desse personagem", disse na época.

Plateia que manda bem, bem, bem...

Em apresentações privadas ou espalhadas por bairros da cidade, os artistas do riso têm no público a principal recompensa e incentivo

Rodolpho Gonzales/Divulgação
O casal Pakatcholo e Sininho se apresenta junto desde 1990
Graças à Lei de Incentivo à Cultura, Yoyo e Priprioca se apresentaram em diversos pontos da cidade, como a Praça da Paz...
Arquivo Pessoal
... e em praças do Jardim Ouro Verde

Eles perguntam "Como vai, como vai, como vai?", e o público responde "muito bem, muito bem, bem, bem". Mestres em distribuir gargalhadas, os palhaços de Bauru levam alegria por onde passam. Em apresentações privadas ou espalhadas por bairros da cidade, eles colorem o cenário e prendem a atenção. Quem trabalha com a arte de fazer rir, garante que a maior recompensa desta profissão está na plateia.

"Não tem nada melhor que o carinho que a gente recebe. Os sorrisos, os abraços e saber que estamos levando um pouco de esperança e alegria para elas é muito gratificante. A recompensa vem toda do público", comenta o palhaço Pakatcholo, uma das faces de Fernando Molinari Urbaneja, 48 anos.

O artista divide as atividades como jornalista, educador físico e também Papai Noel com as do palhaço. "Ele chamava Espoleta, mas com o tempo, as pessoas começaram a me chamar pelo nome da companhia e o nome Pakatcholo pegou", comenta.

O animado palhaço faz suas peripécias há 30 anos e já se apresentou para projetos como o Colmeia, na Vila São Paulo; o Girassol, no Fortunato Rocha Lima; o Alegria, no Hospital Estadual (veja mais na página 3) e atividades na Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC). "Nesses trabalhos, nós vemos o quanto um sorriso pode fazer diferença. As crianças ficam tão felizes, muda o dia delas", comenta Fernando.

Há 27 anos, Pakatcholo é acompanhado por Sinino, personagem interpretada por Ângela Nabeiro Urbaneja, casada com Fernando há 25 anos.

Para ter o casal de palhacinhos em sua festa, basta entrar em contato pelo telefone (14) 99793-4499 ou pela página no Facebook Pakatcholo e Sininho.

'COMBUSTÍVEL'

"Nós não podemos deixar de acreditar e fazer o melhor de nós. Nossa responsabilidade é muito grande", comenta João Lucas Folcato, 29 anos, ator, professor e palhaço Yoyo.

Juntos desde 2013, ele e Priprioca fazem muita gente rir em espetáculos pela cidade. Quem dá vida à personagem é a Tatiana Robles Santiago, de 33 anos.

"A partir da lei de estímulo da Secretaria Municipal da Cultura nós tivemos a oportunidade de nos apresentar em algumas comunidades, praças e projetos. Nós só demos uma pausa neste ano, porque a Tati está gravida, mas pretendemos continuar com as apresentações pela cidade", comenta João. "Estar perto do público nessas apresentações é o que mais vale à pena no que fazemos. O nosso combustível é esse", conclui.

Além do trabalho que realizam na Casa do Circo, em Bauru, no ano passado, Yoyo e Priprioca estiveram com o público no Jardim Ouro Verde, no Geisel, na avenida Getúlio Vargas, no Vitória Régia e na Praça da Paz. A dupla segue um estilo diferenciado com menos maquiagem e com roupas mais simples do que as tradicionais e espalhafatosas. "Nós usamos uma maquiagem mais simples e roupas mais coloridas e divertidas. E em cada lugar é uma experiência diferente, tem lugares em que nunca viram um palhaço, ficam desconfiados no começo e depois são conquistados", comenta Tatiana.

João ainda oferece workshops para quem deseja aprender ou aprimorar a arte de ser palhaço. "Todo mundo tem um palhaço dentro de si. Nós só fazemos com que esse palhaço apareça e tenha voz. Estamos na segunda turma, com 10 alunos, e finalizaremos as atividades neste domingo (hoje) na feira do centro, à partir das 9h", diz o professor.

Para conhecer o trabalho da dupla Yoyo e Priprioca basta entrar em contato pelos telefones (14) 99677-7220 e (14) 98115-4434 ou pela página do Facebook Yoyo e Priprioca.

Da plateia para o palco

Reprodução/Facebook
A dupla de palhaços Babaloo e Rogerito em ação

O que era uma oportunidade de retorno ao mercado de trabalho para Paulo Sergio Rodrigues, o palhaço Rogerito, de 36 anos, tornou-se também uma oportunidade de novos rumos para a vida de Giovanni Vital Martins, de 21 anos, o palhaço Babaloo.

Paulo nasceu em família circense, como ele diz "embaixo da lona", em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Entre seus principais trabalhos estão às longas turnês com o Circo Beto Carrero e do Le Cirque Medrano, da França.

Depois de passar por Bauru e se apaixonar por sua atual esposa, em 2009, estabilizou-se na cidade e foi convidado a dar aula de arte circense para alunos da Casa do Garoto, no Parque Vista Alegre. "Lá eu conheci o Giovanni e percebi que ele levava muito jeito. Conversei com os pais dele e eles diziam que ele estava enveredando por outros caminhos. Essa seria uma oportunidade para ele. Foi assim que ele se tornou o Babaloo, meu parceiro de palco até hoje", comenta o palhaço Rogerito. Juntos, eles rodam em turnê e se apresentam em eventos coorporativos.

Para saber mais sobre o trabalho do palhaço Rogerito basta entrar em contato pelo telefone (14) 3018-1299 ou pela página Palhaço Rogerito no Facebook. 

Aqui tem alegria? Tem, sim senhor!

Há 18 anos, os palhaços do Projeto Alegria levam esperança e gargalhadas para hospitais de Bauru

Fotos: Samantha Ciuffa
Da esq. para a dir., Maysa do Nascimento Tavares, Karina Fernanda Lavras, Leonardo Ortiz da Rocha, Jennifer Izidoro de Lima, Barbara Martini Pereira e Pamella Maria Souza Reis se divertem em visita do Projeto Alegria
A voluntária Maysa do Nascimento Tavares com Jennifer Izidoro de Lima e o pai Claudio Izidoro da Silva de Lima
Renan Casal
Há há 3 anos no Projeto Alegria, Tiago Vinício Alves é o responsável pelo grupo
Kauã Henrique Venâncio Cosin e sua madrinha Nayara da Rocha recebem a visita de Maysa do Nascimento Tavares e Karina Fernanda Lavras, do Projeto Alegria
As voluntárias Karina Fernanda Lavras e Maysa do Nascimento Tavares visitam a pequena Valentina Victoria Gusmão de Oliveira e sua mãe, Erika Nayara Moreira de Oliveira

Se fazer rir parece ser tarefa fácil, os voluntários do Projeto Alegria se desafiam ainda mais quando se dispõem a arrancar sorrisos em ambientes onde, comumente, a tristeza predomina. O projeto existe há 18 anos - completados em outubro desde ano - e sobrevive com cerca de 200 voluntários que visitam três hospitais da cidade vestidos de palhaços e personagens divertidos.

"O palhaço do circo é completamente diferente do palhaço do hospital", afirma a voluntária Maysa do Nascimento Tavares, de 27 anos. Participante do projeto há 6 anos, ela comenta que o principal artifício para fazer rir é ter uma percepção do ambiente e do quarto. "Existem casos em que as pessoas não querem receber nossa visita e nós temos que ter a sensibilidade de saber até onde ir. Algumas não querem rir, mas conversar e isso também é muito gratificante", comenta.

Maysa conta que em diversas ocasiões os pacientes relataram que esqueceram momentaneamente das dores que estavam sentindo por conta da presença dos palhacinhos. "Após cada plantão, nós conversamos e trocamos as experiências que vivenciamos", comenta.

Os plantões ocorrem diariamente no Hospital Estadual, das 19h30 às20h30 e conta com 22 voluntários por dia. Já o Hospital de Base recebe a visita de 18 voluntários todas as quartas-feiras, das 19h30 às 21h e sábados, das 14h30 às 16h. Outros 12 voluntários vão ao Hospital da Unimed todos os sábados, das 15h às 17h.

De acordo com o presidente do projeto, Tiago Vinício Alves, 30, a caracterização dos palhacinhos voluntários é colorida mas discreta. "Nós fazemos maquiagens discretas até para não assustar alguma criança que possa ter medo. Lembrando que não somos atores. O grupo é composto de pessoas de diversas profissões que se disponibilizam a assumir esse compromisso", frisa.

'FAZ MUITA DIFERENÇA'

Os voluntários se reúnem e dividem-se em duplas para passar pelas diversas alas dos hospitais. Em uma visita, pelo Hospital Estadual, Maysa e sua parceira da plantão, Karina Fernanda Lavras, ficam pela ala pediátrica.

Lá foram recebidas com desconfiança por Kauã Henrique Venancio Cosin, de 8 anos. Sério e sem querer muito papo, o pequeno se recupera de uma fratura no braço. Aos poucos, o sorriso foi vindo e ele acabou entrando na brincadeira.

Já com mais entusiasmo e com uma máscara do Batman, a pequena Jennifer Izidoro de Lima, de 3 anos, recebeu a visita do Projeto Alegria pela primeira vez. "Ela fez uma cirurgia pra remover o apêndice, mas acabou tendo que voltar porque estava com febre. Essa foi a primeira vez que vimos o grupo e ela está amando", comenta o pai da garotinha, Claudio Izidoro da Silva de Lima, 35 anos.

Quem também brincou com Jennifer foi Pamella Maria Souza Reis, de 4 anos. Andando de um lado para o outro e se divertindo muito com a palhacinha interpretada por Maysa, a menina está desde o início da semana no Hospital Estadual por causa de uma inflamação nos pontos que recebeu, após uma queda. "A visita do grupo faz muita diferença. Não só pras crianças, mas pra nós também, a gente acaba se distraindo", comenta a mãe, Luziane Santos, de 28 anos.

Erika Nayara Moreira de Oliveira, de 27 anos, concorda. Ela é mãe de Valentina Victoria Gusmão de Oliveira que do seu 1 ano de vida, 5 meses foram em tratamento no setor de oncologia do Hospital Estadual. "Muda o nosso dia. Pode parecer pouco para eles, mas, para nós e para as crianças, essa visita significa muito", conclui.

Colecionando histórias

Lucas Giovani Bachini/Divulgação
Gustavo Henrique Hungaro Barbosa, vestido de palhaço, em uma visita pelo Projeto Sorrir

O presidente do Projeto Alegria, Tiago Vinício Alves, conta que em uma de suas primeiras visitas como voluntário, já percebeu que o trabalho era especial. Certa vez, entrou no quarto de um paciente que estava em coma e, embora a família já tivesse alertado sobre a sua condição, começou a conversar com ele. "Disse que daria tudo certo. Nesse momento, o homem apertou a minha mão. Dali para a frente, o paciente só melhorou e teve alta dois meses depois", relembra.

História marcante e emocionante é o que não falta para esse pessoal. Com 12 anos de Projeto Alegria, Gustavo Henrique Hungaro Barbosa, 32 anos, conta que uma mãe já foi o agradecer por fazê-la acreditar na recuperação da filha. "A paciente estava em coma e a mãe disse que ela não respondia a nenhum estímulo. Eu olhei para a mãe e disse para ela não deixar de acreditar e perseverar. Quando comecei a falar com a menina ela respondeu ao estímulo com um sorriso bonito. A mãe saiu do quarto para chorar e depois me procurou para agradecer. Isso foi muito marcante", lembra. Inspirado pelo projeto, Gustavo formou-se pedagogo e ainda participa de outras ações pela cidade como o projeto Colmeia, Amor e Ação e projeto Sorrir, também como palhaço.

Para participar

Entrar em contato pela página no facebook Projeto Alegria Bauru ou pelo e-mail projetoalegriabauru@gmail.com. Os interessados devem ter mais de 18 anos e passarão por um entrevista. Em um segundo momento, o candidato ficará um mês em acompanhamento e, passada essa fase, será admitido como voluntário do projeto.

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