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Córrego Água Comprida volta a ter esgoto após desbarrancamento

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Gustavo Motta/Divulgação
Danificada, rede coletora de esgoto passou a despejar dejetos no Córrego Água Comprida

"A gente se senta à mesa para comer e o mau cheiro invade a casa toda. Incomoda demais". A crítica é do auditor administrativo Paulo Alexandre Prezoto sobre a situação do Córrego Água Comprida, que voltou a receber esgoto após desbarrancamento da encosta, provocado por fortes chuvas, segundo alega o DAE. Entretanto, a licitação para contratar a empresa que realizará o reparo não deve ser aberta neste ano.

Enquanto isso, moradores de trecho do Jardim Bom Samaritano convivem com uma rotina desagradável. Paulo conta que, há meses, ocorreu o rompimento de uma das tubulações de água pluvial, instalada sob a ponte que corta o córrego na avenida Cruzeiro do Sul (próximo ao CCZ). "Fizemos um abaixo-assinado e enviamos para a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) em Bauru", frisa.

Conforme a reportagem apurou, a galeria de água pluvial, cuja manutenção compete à prefeitura, passa embaixo da rede coletora de esgoto, de responsabilidade do DAE. O rompimento da primeira teria comprometido a rede responsável pelo destino correto dos dejetos gerados pela população. A autarquia pontua que somente é possível realizar o conserto depois que a Secretária de Obras viabilize os reparos em seu equipamento.

Em nota enviada pela assessoria de comunicação do Poder Executivo, a pasta informa que está definindo o cronograma de recuperação da galeria do Córrego Água Comprida e pondera que o serviço só deve ser iniciado em 2018, sem, contudo, estipular uma data específica.

PONTUAL?

Acontece que o despejo do esgoto em rios e córregos desrespeita um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre DAE e Ministério Público, exigindo a destinação correta dos dejetos, processo iniciado com a execução da maior obra de saneamento básico do Interior, com gastos que somam R$ 190 milhões para a construção de Estação de Tratamento de Esgoto e instalação de interceptores às margens dos rios, conforme o Jornal da Cidade já noticiou.

Vistoria realizada pela Cetesb em março deste ano confirma que o Água Comprida ainda recebia esgoto, à época, visto que as tubulações de uma das margens não estavam completamente interceptadas, segundo informou o órgão por meio de nota. Já o DAE garante que a obra de interceptação foi finalizada após este período e que o despejo de esgoto no córrego, hoje, ocorre devido ao problema pontual.

A autarquia informa, em nota, que existem alguns pontos de vazamento de dejetos no córrego por conta do rompimento de tubos dos emissários de esgoto implantados nas margens pela empresa Stemag Engenharia. "As avarias na tubulação, por sua vez, foram provocadas pelo desbarrancamento da encosta, em consequência das fortes chuvas", frisa. É recorrente, porém, deslizes de terra nas margens dos rios e córregos de Bauru, conforme o JC já mostrou em outras reportagens.

O DAE diz ainda que, como o contrato com a Stemag não previa a estabilização das margens, a autarquia vai realizar licitação em 2018 para contratar este serviço, uma vez que não havia previsão de verba no orçamento deste ano. "Posteriormente, a Stemag irá recuperar os emissários, serviço que faz parte da garantia no contrato", finaliza. 

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