| Malavolta Jr. |
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| Capitão Heraldo Carlos Monteiro, oficial de Ligação do Proerd, comenta balanço positivo do programa |
Orientar adolescentes de idade entre 10 e 12 anos sobre o perigo das drogas e promover a aproximação da Polícia Militar no ambiente escolar. Estes são alguns objetivos do Programa de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), da Polícia Militar (PM), que completa 20 anos em Bauru e já formou em torno de 100 mil estudantes, 2.860 só neste ano.
Com o objetivo de desenvolver na criança capacidades sociais e habilidades que possibilitem a compreensão dos perigos e de como se manterem afastadas das drogas e da violência, cerca 37 escolas - dentre elas públicas, principal alvo do programa, e privadas - recebem o projeto na cidade, como parte do currículo do 5º ano.
"Buscamos trabalhar com essas crianças a prevenção para que eles tenham uma noção exata do que é o tráfico, do que são as drogas, o álcool e a violência. Em muitos casos, até preparar a criança, porque elas têm o primeiro contato com essa realidade dentro da própria casa. Nosso objetivo é esclarecer para os alunos todos os malefícios causados por esse caminho", comenta o capitão da PM Heraldo Carlos Monteiro, Oficial de Ligação do Proerd.
Presente no Estado de São Paulo desde 1993, o Proerd do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Estado de São Paulo atinge também cerca de 2 mil alunos das cidades de Lençóis Paulistas, Pederneiras e Pirajuí, numa ação conjunta entre a Polícia Militar, as escolas e as famílias.
"Nós estamos nas escolas para que haja aproximação das crianças com a Polícia Militar, para que nos vejam como um orientador e como um amigo. Tanto que algumas crianças se espelham no policial que dá as aulas, elas abraçam e até choram nas formaturas. Buscamos plantar uma semente não só para esses alunos, mas para as pessoas que estão ao lado deles, os pais, os diretores das escolas e os professores", afirma Monteiro.
BALANÇO
| Samantha Ciuffa |
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| Professora Sueli Cavassani Rosa com seus alunos em formatura do Proerd do Colégio São José |
Para a dirigente regional de Ensino do Estado de São Paulo, Gina Sanchez, o projeto é uma parceria que auxilia pais, professores e alunos. "O impacto é muito positivo e, com certeza, temos que ter duas ações. O tratamento daqueles que, infelizmente, já tiveram contato com as drogas e a prevenção combater novos casos, que é o foco do Proerd, um trabalho fundamental para os nossos alunos e que recebe um feedback muito positivo dos pais e professores", comenta.
Capitão Monteiro também avalia os 20 anos do projeto com um balanço favorável. "Apesar de todo o esforço do programa, a gente não prevê o que vai acontecer com aquele aluno. Mas, ao longo dos anos, vemos vários que se formaram e tornaram-se bons cidadãos. O projeto vai até a criança para passar todo o entendimento sobre as drogas e a violência e isso é muito positivo porque reflete no futuro delas", salienta.
INCIDENTES
Mesmo relembrando a ocorrência de novembro deste ano, em que um aluno de 14 anos foi flagrado com maconha em uma escola de Bauru, a dirigente afirma que os resultados nas escolas são bastante positivos e que o número de incidentes como estes são cada vez menores.
"O que nós percebemos é que, com o trabalho do Proerd, se retardaram os problemas com drogas. Esse é um caminho longo, não é algo que realizamos aqui e colhemos o fruto no ano seguinte, é um trabalho de formação, de persistência para que consigamos os resultados. Nós vemos que se diminui o número de alunos que, nesta faixa etária, esteja no mundo das drogas", afirma a dirigente.
Você sabia?
O mascote do programa é o Leão Daren. O nome do personagem vem da sigla do programa DARE (Drug Abuse Resistance Education), criado em Los Angeles e base do Proerd.
Tema
Com um material dividido em dez encontros, os alunos aprendem sobre drogas e tomada de decisão; riscos e consequências; como lidar com a pressão dos colegas e situações de tensão; quais são as bases da comunicação; comunicação não verbal e escuta ativa; bullying; como ajudar os outros e como obter ajuda.
Os encontros tem como proposta evitar que crianças e adolescentes em fase escolar façam uso de drogas, despertando-lhes a consciência para o problema e também para a questão da violência. Além da temática das drogas, o Proerd ainda aborda outras questões como bullying, respeito e cidadania.
Medalha para os pequenos e reforço para a família
Esperado pelas crianças e visto pelos pais como um aliado, o Proerd promove, ao final de suas atividades, uma formatura, em que os alunos juram ficar longe das drogas perante pais, professores e comunidade. No início de dezembro, o JC esteve em duas das 37 escolas que encerraram os trabalhos do programa com a formatura.
Na segunda-feira (4), foi a vez dos alunos dos cinco 5.º anos do Colégio São José, no Centro, receberem o diploma de conclusão do curso. A cerimônia contou com a presença de pais, professores e coordenadores e a superiora do colégio, irmã Maura de Oliveira, e das instrutoras do Proerd no colégio a soldado Fátima Aparecida Alves e a Cabo Luciana Caminati. Além do sargento Prudente, tenente Freitas e o major Hudson Covolan.
"Eu não conhecia o projeto, mas acho muito interessante as crianças, desde cedo, estarem sendo educados nesse sentido. Em casa nós conversamos bastante, procuro sempre estar orientando sobre ter boas companhias, nunca aceitar nada de estranhos. Enfim, temos um diálogo bem aberto em casa e ela ficou bem empolgada com essas aulas", afirma Charlene Demar Gonçalves, acompanhou a filha Isabella Demar Bertozo, 10 anos, na formatura do Colégio São José.
Já na terça-feira (5), perante os pais, professores e coordenadores, alunos de três turmas do 5.º ano da Emef José Francisco Junior "Zé do Skinão", no Jardim Progresso, receberam seus diplomas das mãos do instrutor soldado Luciano Nunes Maria. Também esteve presente o soldado PM Valdecir Aparecido da Silva.
DIÁLOGO
Além da discussão em sala de aula sobre as temáticas apresentadas, os pais também comentam que o projeto aliado ao diálogo são ferramentas importantes na formação das crianças. "Nós conversamos bastante em casa sobre tudo, mas, hoje em dia, as coisas estão cada vez pior. Toda ajuda e toda iniciativa é válida pra afastar as crianças dessa realidade. Muita coisa ela também não sabia e começou a perguntar pra gente, conversar sobre. Foi muito positivo", afirma Milena de Almeida Medina Rochel, mãe de Mariana Medina Rochel, 10 anos, aluna do 5.º ano do Colégio São José.
O mesmo ocorre na casa de Manuele Oliveira da Silva, 11 anos, aluna da Emef José Francisco Junior "Zé do Skinão". A mãe, Célia Santana de Oliveira, afirma que a filha mais velha participou do programa e que, com a mais nova, os assuntos são discutidos da mesma forma. "Eu fui ensinada desde pequena sobre diversos assuntos e passei essa liberdade de falar sobre eles para as minhas filhas. Acho o projeto muito importante por abordar esses temas também na escola, que vem reforçar o que aprendem em casa", afirma.
Renata Teixeira Vaz Penedo Bortolan Duarte, 46, também já passou pela experiência com a filha mais velha e afirma que Livia Bortolan Duarte, 10 anos, aluna do Colégio São José, apresentou mudanças após o curso que são perceptíveis no dia a dia. "Eles esperam essa aula absurdamente, adoram. Depois das aulas, Surgiram perguntas mais elaboradas depois do projeto, elas começaram a notar, por exemplo, pessoas que bebiam e depois dirigiam, alertando o erro. Elas passaram a reparar mais as coisas que acontecem ao redor delas", comenta.
MEDALHAS
Ao final do curso, os alunos escrevem redações sobre o que aprenderam ao longo do projeto e, no dia da formatura, os alunos autores das redações destaque de cada turma são premiados com uma medalha.
"Ela ficou muito feliz por ser escolhida e isso só mostra que ela realmente aprendeu bem tudo que foi passado, prestou bastante atenção. Eu acredito que o projeto é essencial e muito importante para eles", destaca Andréa Cristina de Lima, 45, mãe de Helize Victória de Lima Leite, 10, uma das alunas destaque na redação na Emef José Francisco Junior "Zé do Skinão".
Para Ana Julia Coelho de Lion, 10 anos, uma das alunas que recebeu a medalha no Colégio São José, o que ajudou o bom desempenho foi a forma atrativa como as aulas eram ministradas. "A gente gosta muito da policial e ela tinha uma forma muito legal de ensinar a gente. Ela fazia umas brincadeiras e uns jogos que faziam a gente aprender de um jeito fácil, brincando."
Os reflexos em sala de aula
Com cenários e conhecimentos distintos sobre as drogas, as crianças contam, durante o processo do Proerd, com o auxílio dos professores e coordenadores das escolas. Os profissionais de duas das escolas que receberam o programa neste ano, também fazem suas avaliações em relação ao impacto do projeto em sala de aula.
"Eles ficam encantados com as aulas". Assim, as professoras Sueli Cavassani Rosa e Luciane Cursino da Silva Spinelli, do Colégio São José, descrevem o Proerd. Elas tiveram, neste ano, a oportunidade de acompanhar pela primeira vez uma turma que recebeu as aulas do projeto. De acordo com as docentes, além de aguardadas com ansiedade, as aulas refletiam no comportamento dos alunos ao longo dos encontros.
"A princípio, eles ficam ansiosos para o início das aulas e, com o passar do curso, é nítida a mudança que eles apresentam. Em situações do dia a dia e em sala de aula com os colegas. Eles começam a ser mais conscientes. Vejo que o Proerd os ajuda no ambiente escolar, mas, principalmente, na vida. Isso contribui muito na formação dos nossos alunos como cidadãos", comenta Sueli. "Até em relação ao bullying nós notamos as diferenças. Mesmo com as regras internas, nós percebemos que eles se posicionam de forma diferente depois do curso. Vemos como eles se colocam muito mais no lugar do outro", completa Luciane.
DESAFIOS
A Emef José Francisco Junior "Zé do Skinão" retomou, neste ano, as atividades com o Proerd, que estavam suspensas desde 2010. "Queríamos muito esse projeto novamente em nossa escola e esperamos até que a Polícia Militar pudesse nos atender. Foi uma grande alegria recebê-los neste ano com os nossos alunos", comenta a coordenadora pedagógica, Andreia dos Anjos.
Mesmo com o projeto na escola, a professora do 5.º ano A, Maria Raquel Carneiro, destaca que os professores também apresentam suas estratégias para afastar os alunos da criminalidade. "Nós estamos em uma escola de periferia. Atendemos crianças do bairro Buriti, temos vários alunos com problemas sociais sérios e temos alunos que tem contato com a realidade das drogas desde muito cedo. Além do Proerd, cada professor trabalha buscando essa conscientização e informação sobre diversos assuntos, inclusive, sobre o cenário político brasileiro", afirma.
Em meio a essas adversidades, Sandra Mara Diniz, a professora do 5.º ano B, afirma que toda ajuda é bem-vinda. "Todo ato de prevenção contra as drogas é válido, porque elas estão aí, presentes em qualquer classe social. Mesmo com as dificuldades que nós encontramos e os alunos vivem, nós tentamos mostrar para eles que o futuro pode ser diferente. O Proerd vem reforçar esse distanciamento das drogas. Em sala de aula, senti que houve melhoras ao longo do curso", frisa.
Outros projetos
De acordo com a dirigente regional de ensino, Gina Sanchez, além do trabalho realizado pelo Proerd em escolas de 1.º ao 5.º ano, essas e as demais unidades escolares, recebem mais dois projetos da Secretaria da Educação que visa informar e prevenir o uso de drogas. "Nós temos o 'Prevenção também se ensina' em que os professores do dia a dia dos alunos, principalmente os de ciências, trabalham com foco em questões de saúde e o não uso das drogas é destacado. E o professor mediador, outro trabalho importante, que é um profissional que trabalha na prevenção de conflitos e fica muito atento ao comportamento dos alunos no que tange ao uso de drogas", afirma. Ainda segundo Gina, o Proerd se soma à mediação e ao "Prevenção também se ensina" e ao professor mediador, justamente, porque, ano a ano, esse trabalho tem de ser aprofundado e diversificado. "Ele não pode acontecer só uma vez e não acontecer nunca mais, porque a vida é muito dinâmica, especialmente, nesta faixa etária. As ofertas por aí são muitas, a convivência é grande, com vários grupos sociais, na rua, nos clubes, nas redes sociais. Ou seja, esse trabalho tem de ser contínuo e segue até o último ano do Ensino Médio", conclui.
Fase de transição
Com acesso fácil e cada vez mais precoce a diversos assuntos, um dos objetivos de tratar sobre essas temáticas com alunos na faixa de 10 a 12 anos é justificada pelo período de transição pelo qual passam. "Em termos de seguimento da educação, a criança está saindo de uma fase de infância para entrar na pré-adolescência. É uma transição onde a curiosidade se apresenta de forma muito forte e aguçada. Este é o momento de se levar até essa criança, as informações corretas. Não é ocasional, é intencional se pensar nessa faixa etária para que se possa trabalhar com prevenção de uma forma mais segura", afirma a dirigente regional de ensino, Gina Sanchez.
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