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Região tem Natal da reciclagem

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

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Bonecos foram confeccionados com restos de garrafas pets e viraram enfeites na praça de Santa Cruz do Rio Pardo

Em tempos de poucos recursos no caixa das prefeituras, a reciclagem ganha destaque na decoração natalina. A sustentabilidade vira arte nas mãos de estudantes e artesãos. Duartina, Santa Cruz do Rio Pardo e Reginópolis fizeram de garrafas pets e restos de madeira belas decorações natalinas.

Cada cidade tem um estilo e usou como atividade educacional. Em Duartina, a iniciativa foi atividade de uma escola estadual sem ligação com  a prefeitura. A  professora de Geografia Maria Rosângela de Godoy, a coordenadora Maria Ângela de Godoy e professora de ciências Raquel R. Favarin Benetti da Escola Estadual Benedito Gebara presentearam Duartina com uma bela exposição na praça central da cidade no dia 9 de dezembro.

Batizada de Mostra Cultural de Sustentabilidade, tendo como tema Natal, cerca de 100 alunos do ensino fundamental e médio confeccionaram materiais reutilizados, que seriam descartados por empresas da cidade, dos quais uma fábrica de caderno, como papelões, bobinas de papel, restos de madeiras e outros materiais que foram trazidos pelos próprios alunos como garrafa pet, jornal e revistas, caixas de leite longa vida, tampinhas de garrafas, CDs, papelão do rolo de papel higiênico, entre outros.

Em Santa Cruz do Rio Pardo, a decoração de Natal todo ano é um show. Também a atividade envolve alunos na reutilização de garrafas pets na confecção de bonecos e enfeites que adornam a Praça Leônidas Camarinha. Ao todo são 290 peças. "Todo ano estamos sempre reinventando e reutilizando o material dos Natais anteriores. É um trabalho que começa em fevereiro quando guardamos o material", conta Marilza Venturini Joanoni, monitora do Centro Educacional Wilson Gonçalves. São de 30 a 40 mil garrafas Pet que viram enfeites estilizados. Desde 2013, o Natal Pet Brincando e Reciclando é a atração da cidade.

Em Reginópolis, a árvore de Natal no Centro da Praça da Matriz este ano teve um toque todo especial: foi feita com materiais recicláveis, por meio do Programa Ação Jovem e Projeto Espaço Amigo, do Cras do município. Mesmo nas cidades que não recorreram da reciclagem, a ordem foi economizar. Em Jaú, a decoração não custou mais de R$ 20 mil e foi toda reutilizada de material do ano passado. O resultado não foi dos piores. A secretária de Cultura e Turismo, Cléo Furquim, explicou que recorreu a ajuda de um artista plástico para reutilizar o material que decora a Praça da República, o Jardim de Baixo. "Ficou bonito e modesto", contou.

Duartina faz o lixo virar luxo

A praça central de Duartina ficou toda decorada pelo menos por um dia no evento batizado de Mostra Cultural de Sustentabilidade tendo como tema o Natal. Na realidade os alunos da Escola Estadual Benedito Gebara promoveram uma intervenção cultural para demonstrar o que pode ser feito com restos de papeis, madeira e papelão. E virou também exposição e atração diferenciada natalina.

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Alunos e professores montando a exposição na praça de Duartina

Cerca de 100 alunos de três salas do 7º ano do ensino fundamental e 1º e 2º do ensino médio participaram das atividades no dia 9 de dezembro. A organização do evento foi da professora de Geografia Maria Rosângela de Godoy, com ajuda da coordenadora Maria Ângela de Godoy e da professora de Ciências Raquel R. Favarin Benetti.

Os trabalhos foram confeccionados com materiais reutilizados, que seriam descartados por uma fábrica de caderno como papelões e bobinas de papel. De uma empresa de marcenaria, a matéria prima foi resto de madeira e outros materiais trazidos pelos próprios alunos, dos quais garrafa pet, jornal, revistas, caixas de leite longa vida, tampinhas de garrafas, CDs, papelão do rolo de papel higiênico, entre outros. Isso rendeu centenas de trabalhos envolvendo painéis, quadros, móbiles, réplicas. 

A professora Maria Rosângela admite que a intervenção na praça Matriz superou as expectativas, visitada por mais de 3.000 pessoas que elogiaram e se surpreenderam com os trabalhos expostos. Antes os alunos já tinham feito uma mostra semelhante em 7 de setembro. 

A história de Cristo desde o nascimento até a morte é retratada em vários pontos da exposição. O túmulo dele foi feito de papelão - o material foi resto de bobina de papel doado por uma fábrica. "O objetivo foi levar a escola à praça. A intenção foi mostrar à comunidade os trabalhos dos estudantes por meio de uma intervenção. Os alunos escolheram o tema. A maior parte dos trabalhos foram feitos em casa, somente na última semana as atividades foram na escola", contou.

A professora explicou que muitas vezes a noção distorcida das pessoas é de que a escola pública não tem atividade, o aluno não tem criatividade. "Esse trabalho mostrou que temos alunos fabulosos", comentou Maria Rosângela. A Mostra também serviu para fazer parte da programação de aniversário de fundação de Duartina. Os próprios alunos montaram toda a estrutura e no mesmo dia também fizeram a desmontagem.

Árvore feita de garrafa pet

Uma atividade que seguiu o conceito da sustentabilidade foi feito em Reginópolis. Na Praça da Matriz onde estão as luzes, enfeites natalinos e a tradicional Casinha do Papai Noel, uma árvore de Natal chama a atenção.

O enfeite foi executado com materiais recicláveis por meio do Programa Ação Jovem e Projeto Espaço Amigo, do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) do município. O Natal Iluminado também conta com peças teatrais e musicais, apresentadas pelos projetos sociais do Programa Ação Jovem, Projeto Espaço Amigo, Grupo Viva a Vida e Ginástica Artística.

Garrafas pets 'viram' decoração

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Criança passeia com o pai no jardim da Praça Leônidas Camarinha 

A decoração de Natal de Santa Cruz do Rio Pardo é o diferencial da cidade e também recorre a reciclagem. O projeto influenciou municípios vizinhos a adotarem algo parecido para deixar a praça central mais decorada nesse período de festas de fim de ano. O que predomina são garrafas pets arrecadadas ao longo do ano e nas mãos de alunos de centro educacional viram bonecos e até a casa do Papai Noel.

Há cerca de 10 anos em outra administração municipal, a decoração já foi motivo de vexame quando tentou-se usar as garrafas de refrigerantes, mas por uma falha de planejamento elas não foram estilizadas e simplesmente instaladas em arcos nas ruas centrais. Resultado, ficou tão ruim que teve que ser removida no mesmo dia. Só a partir de 2013 foi quando a decoração emplacou e começou a fazer a diferença.

A monitora do Centro Educacional Wilson Gonçalves, Marilza Venturini Joanoni, conta que  tudo começa em fevereiro e vai até dezembro, quando é feita a montagem com uma equipe da própria prefeitura composta de 15 pessoas. Durante o ano há uma equipe de cinco pessoas trabalhando no projeto batizado de Pet Brincando e Reciclando. Há uma influência da cidade paranaense de Ibiporã (PR), onde desenvolveu a técnica, mas aos poucos os adereços foram ganhando outros formatos.

O material é todo reciclado. "É tudo reaproveitado. Calculo que neste ano usamos em média de 30 a 40 mil garrafas pets", conta. Ao todo são 290 peças. É usada as tradicionais lâmpadas para iluminar, mas o que chama a atenção é o tamanho dos anjos, a Casinha do Papai Noel e 29 iglus.

Para aprender a fazer o corte da garrafa, por exemplo, e confeccionar uma flor, foi realizado um curso de dois dias com um artesão especializado que ensinou os monitores, mas a prática veio com o tempo. A troca de experiência com outras cidades, que usam a reciclagem,também auxiliou a aprimorar a decoração. "A gente cria e inventa outras peças alternativas aproveitando o que tem. Cada ano é uma coisa diferente. Neste ano fizemos quatro arcos de entrada da praça, tipo portal e novas peças foram inovadas, como as renas que ficaram elevadas, com a criação de um suporte", explica a monitora.

A decoração atrai muitas pessoas, principalmente as crianças para a Praça Leônidas Camarinha, onde também se concentra atrações culturais em frente a um centro cultural, patrocinado por uma fábrica de ração de animais da cidade. A instalação fica em antigo sobrado que foi restaurado, preservando o patrimônio público dos tempos dos barões do café.

 

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