Esportes

Volta ao passado

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 4 min

Fábio Vasconcelos/Divulgação
O goleiro Waldir Peres, ex-São Paulo, foi revelado no Garça

A história do Garça Futebol Clube está sendo resgatada em um documentário que será exibido oficialmente à população nesta quarta-feira, às 20h, no Teatro Municipal de Garça. "Eu, Platzek" faz referência ao famoso Estádio Municipal Frederico Platzek, onde o time garcense disputou as suas memoráveis partidas pelas divisões intermediárias do futebol paulista. Isso foi possível graças ao empenho de um grupo de moradores do município que fez um curso de cinema e por conta própria produziu o documentário.

O Garça conquistou o título da Segundona de 1969 em final realizada em Bauru, no Estádio Alfredo de Castilho, quando o Azulão bateu o Rio Branco de Ibitinga por 1 a 0. O goleiro Waldir Peres foi revelado no Garça, antes de ser ídolo no São Paulo e na Seleção Brasileira. Ele faleceu aos 66 anos de infarto fulminante em 23 de julho deste ano durante um almoço com a família, na cidade de Mogi Mirim.

A dona de uma banca de jornal no município Célia Silva, junto com Carlos Oliveira, Delma Oliveira, Gabriel Silva, Manoel Guilherme, Gustavo de Lima e Josy Oliveira colocaram em prática o que aprenderam na oficina cultural de cinema ministrada por Leandro Watanabe do "Projeto Dogma", do Museu da Imagem e do Som (MIS), um programa da Secretaria de Estado da Cultura do governo paulista.

Não foi fácil chegar ao tema. Depois de muitas reuniões, ficou definido que seria o campo de futebol mais famoso da região e que se encontra abandonado, sem utilização: o estádio Frederico Platzek. O sobrenome pomposo da praça esportiva deu vida ao filme. "Criamos um roteiro e pensamos em cenas que logo foram gravadas usando espaços reais e pessoas que vivenciaram os anos de ouro daquele estádio de futebol", conta Celia.

E outra aula sobre "A música do filme", ministrada por Tony Brechas, veio na hora certa para a edição do documentário. A atriz Josy Oliveira, a menina que aparece no filme, é filha do ex-jogador Zete.

Divulgação
Estádio Frederico Platzeck lotado nos bons tempos do futebol na cidade de Garça

O grupo batizado de Garcine, formado por três adultos e quatro adolescentes, levantou as informações, os entrevistados e todos os detalhes para recuperar a história do clube que rivalizou com Marília e Noroeste nos campeonatos das divisões de acesso. Ao todo, foram três meses de produções e gravações com ex-jogadores, ex-diretores e ex-árbitros.

Até trechos de imagens de jogos antigos do Garça em VHS foram resgatadas e convertidas para o digital. O acervo foi conseguido com ex-jogadores que foram entrevistados pelo grupo. O documentário foca no estádio, inaugurado em 4 de outubro de 1966, aniversário da cidade, mas não tem como não contar a história do futebol profissional do Garça. O trabalho já foi apresentado em São Paulo no MIS. "A gente não esperava que ficasse tão bom e acertasse de primeira no assunto que envolve todo o sentimento da cidade", contou Celia.

Garça disputou 41campeonatos profissionais

O Garça disputou 41 campeonatos paulistas no profissionalismo. O clube foi fundado em 1932 com o nome de Garça Futebol Clube, mas em 1942 se uniu ao Bandeirantes Futebol Clube, dando origem ao Clube Atlético Brasil. Um ano depois, houve nova mudança de nome, quando a equipe passou a chamar Garça Esporte Clube. No ano de 1965, segundo o Almanaque do Futebol Paulista de 2001, o clube voltou a denominação Garça Futebol Clube.

Em 1928, o clube chamava-se Comercial Futebol Clube. O primeiro campo era localizado no patrimônio de Labienópolis, mas os vizinhos exigiram o despejo da equipe. A agremiação teve que se transferir para a Vila Vicentina, onde ficou até 1932. Depois, no ano seguinte, consegue criar o estádio Willians. O Estádio Municipal Frederico Platzek foi inaugurado em 1966.

O Garça Futebol Clube (1965-2004) enfrentou 18 vezes o Noroeste de Bauru, com 7 vitórias, seis empates e cinco derrotas. Já quando disputou como Garça Esporte Clube na fase mais antiga (1950-1960) foram 9 jogos, 3 vitórias do esquadrão garcense, 2 empates e 4 vitórias do Norusca.

O grande rival foi o Marília Atlético Clube (MAC), com o registro de 25 confrontos contra o Garça Futebol Clube que conseguiu 3 vitórias, 11 empates. Foram 11 vitórias do esquadrão marilense. Já na formação Garça Esporte Clube são 12 jogos: 4 vitórias do time garcense, 2 empates e 6 vitórias do MAC. Mas se somar tudo, são 37 jogos que os dois times mediram forças: 7 vitórias do Garça, 13 empates e 17 vitórias do Marília. Os jogos eram clássicos regionais que lotavam os estádios com rivalidade comparada a Palmeiras x Corinthians.

O Garça começou a disputar os campeonatos de acesso em 1950, quando terminou em 9º lugar com 17 pontos. Naquele ano o campeão foi a Linense e o vice, o São Bento de Marília, que está desativado. Nessa competição, o Azulão enfrentou também o Noroeste e o Bauru Atlético Clube (BAC), onde Pelé iniciou a sua carreira como jogador nas categorias inferiores.

 

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