| Douglas Reis |
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| Reunião com funcionários e professores: Carlos Ferreira dos Santos, Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado, Vahan Agopyan, Antonio Carlos Hernandes e José Roberto Pereira Lauris |
Buscar mais convênios, prestações de serviço e novas fontes de financiamento estão entre as medidas que a Universidade de São Paulo (USP) deve adotar para minimizar o déficit de R$ 287,6 milhões previstos para 2018 - o quinto ano seguido de saldo negativo. A informação sobre as formas de cobrir a diferença do orçamento foi prestada pelo reitor eleito para o mandato de 2018 a 2022, Vahan Agopyan, que esteve nessa segunda-feira (18) no câmpus de Bauru.
Atual vice-reitor, ele foi o mais votado em eleição interna na instituição feita em outubro e tem como principal meta, ao lado do vice Antonio Carlos Hernandes, levar a excelência da universidade para a sociedade, conforme o JC divulgou.
Durante a visita desta segunda, Vahan ponderou que, embora a situação financeira ainda seja "não confortável", demissões não estão nos planos de gestão. "A USP está começando uma nova fase. É momento de pensarmos em novas realizações, novos desenvolvimentos", enfatiza.
Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista.
Jornal da Cidade: Como começa a USP em 2018 sob a sua gestão?
Vahan Agopyan: A USP está começando uma nova fase. Conseguimos evitar uma crise real a ponto de perder nossa autonomia financeira e administrativa. Essa autonomia é essencial para que possamos ser uma universidade de excelência, porque permite planejamento. Nós vamos viver uma situação financeira não confortável, porém, já é momento de pensarmos novas realizações, novos desenvolvimentos.
C: A USP prevê um déficit de mais de R$ 287 milhões em 2018. Isso vai impactar de que forma a universidade? Há uma saída para essa situação?
Vahan: Nós temos reservas que não chegam a esse valor. Portanto, teremos que buscar mais recursos para complementar esse volume para continuar a fazer tudo o que estamos fazendo. A tarefa será buscar esse recurso através de novos convênios, de prestações de serviço, de novas fontes de financiamento. E isso será feito. Perto de um orçamento de R$ 5 bilhões, estamos falando de 5% de déficit.
JC: O senhor declarou que não pretende fazer mais cortes e investir em treinamento de gestão. Como seria isso na prática?
Vahan: Nós cortamos 20% dos funcionários não docentes. Foi um corte muito substancial. Houve ainda demissões voluntárias e aposentadorias. Nós começamos a gestão com 17.500 funcionários e estamos, agora, perto de 13.600. Portanto, com esses cortes, há a necessidade de fazer treinamento e requalificação dos que ficaram. Esse é o nosso objetivo. Fazer mais demissões não está no nosso plano.
JC: O senhor prega que haja uma interação da USP com a sociedade. Seria apostar em práticas de ensino que levem alunos a ter contato com problemas reais enfrentados pela população?
Vahan: Estamos definindo o contato com a sociedade em três vertentes. A primeira é em relação aos alunos. Já temos experiência dentro da universidade, dos nossos alunos, durante as suas atividades acadêmicas terem um envolvimento com a sociedade. Nós queremos generalizar isso em toda a universidade. Outra vertente é a USP, enquanto instituição, interagindo com a sociedade. Como universidade, por exemplo, nós não fizemos nenhuma proposta de como deve ser o Ensino Superior no Estado de São Paulo. Estamos querendo incentivar essa questão. A terceira vertente é o que já fazemos, que é a transferência de conhecimento. Temos que melhorar a gestão para ampliar essa questão.
Sobre o reitor e o vice
Professor da USP desde 1975 e vice-reitor da universidade na atual gestão, Agopyan foi diretor da Poli e diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Foi presidente do Conselho Superior do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e membro do Conselho Superior da Fapesp.
Nos últimos anos, dedicou-se a estudos de qualidade e sustentabilidade na construção civil. Já o novo vice-reitor eleito, Antonio Carlos Hernandes, é professor do IFSC desde 2008. Graduou-se em física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e é doutor em física aplicada pela USP. Na atual gestão, ocupa o cargo de pró-reitor de Graduação.
Graduação
O vice-reitor eleito da USP, Antonio Carlos Hernandes, atual pró-reitor de Graduação, destacou que levará a sua experiência para o novo cargo. “Trabalharemos para simplificar processos, flexibilizar as ações e, principalmente, compartilhar. Fazer com que as boas práticas existentes sejam disseminadas na universidade como um todo”.
