Política

DAE assume saída para concluir ETE

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

DAE/Divulgação
Foto aérea atual do estágio das obras na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), no Distrtito Industrial 1, na região do Redentor

O grupo gestor formado por integrantes da Prefeitura de Bauru e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) assumiu ajustes no projeto de construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), no Distrito Industrial 1, em Bauru. A medida visa impedir novos atrasos na obra e garantir a conclusão. A ETE sofre atrasos em seu cronograma há mais de um ano. Apontamentos de falhas no projeto assinado pela ETEP, atual Arcadis Logos, não estavam sendo resolvidos, como a discussão sobre a capacidade de carga de estacas e o afloramento que inundam os tanques de aeração. 

A decisão de assumir as soluções de engenharia para retomar as obras foi anunciada ontem pelo presidente do DAE, engenheiro Eric Fabris, no canteiro de obras. "Nós assumimos em janeiro com 30% da obra civil concluída. Nós estamos entregando o ano de 2017 com 70% concluídos. Ficaram pendentes os reatores onde havia a discussão da capacidade de carga das estacas. Nós passamos o ano inteiro tentando fazer com que os responsáveis pelo projeto da obra assumissem a responsabilidade técnica e indicassem a solução. Não conseguimos. A Arcadis Logos trouxe uma série de documentos evasivos, inconclusivos. O grupo gestor então decidiu assumir a responsabilidade pelas decisões técnicas que os projetistas não vêm tomando. Isso permite entregar a obra no final de 2018", conta.

São duas questões principais em que os engenheiros do grupo gestor municipal tomaram decisões. "As valas que estavam cheias dágua e ninguém sabia cromo drenar, elas já estão drenadas. A saída bastante óbvia foi drenar por gravidade. A decisão foi nossa e também já entraram máquinas para iniciar a instalação de estacas. E vamos começar pelas estacas de prova de carga para depois liberarmos a continuidade. Dessa forma, nós vamos ganhar a celeridade necessária para que essa obra seja concluída", explica o presidente. 

Para o público, as medidas envolvem resolver impasse por problemas apontados no projeto. Testes iniciais de capacidade de carga de estacas apontaram que estas não dariam sustentação às instalações. Além disso, o afloramento do lençol freático inunda o local onde estão os grandes tanques, dificultando drenagem e colocando em risco o processo de tratamentos dos dejetos nesta etapa do processo. "Nosso papel foi o de gestor. Não somos os projetistas da obra. Agora nós decidimos tomar decisão técnica em razão de quem projetou não ter dado respaldo, não ter cumprido sua função. Desistimos de aguardar e a empresa projetista vai se responsabilizar por este prejuízo. Quando sentirmos necessidade de posição amparada por outros consultores, teremos esses consultores para viabilizar a obra", acrescenta o presidente.

As decisões permitiram que a empresa responsável pela execução dos serviços, a Com Engenharia, retomassem frentes no canteiro. "Sobre as estacas, contratamos um dos maiores especialistas do assunto no mundo e que é brasileiro. E ele vai fixar a carga máxima admissível nas estacas. Ou seja, vamos ter uma posição segura diante das provas de carga e geologia local. E vamos fazer revisão do projeto estrutural para adequar a essas cargas. A análise inicial é que será preciso apenas alterar a arquitetura do reator (a engenharia diz: compensação de momentos) para estar dentro da margem de carga", esclarece.

Para Eric Fabris, essas decisões mudam o ritmo das obras. "O grupo gestor já decidiu inclusive abrir outras frentes de obras, simultâneas, o que vai acelerar bastante o ritmo das obras diante do que existia. No final do primeiro semestre vamos ter o tratamento primário e ao final do ano a entrega da obra com capacidade de tratamento em sua primeira fase", prevê Fabris.

Já o contrato da empresa gestora da obra, com duração por até um ano e meio após o início da operação de tratamento de esgoto, está em fase inicial de licitação. O atual venceu neste mês. Até abril, consultores, o próprio presidente e engenheiro Eric Fabris, o secretário de Obras, Ricardo Olivatto, e engenheiros do grupo gestor darão suporte às obras. 

Comentários

Comentários