| Divulgação |
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| A bailarina Marcia Nuriah já se N apresentou em 16 países |
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| Marcia passou por Kopenhagen, na Dinamarca, em sua viagem sozinha até a Suécia |
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| Em 1987, a aventureira começou a sua expedição pelo Egito; na foto, ela estava em Cairo |
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| Em abril de 1987, Marcia conheceu a Pirâmide de Quéops, no Egito |
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| Marcia e Mariane Wiffvesson, sua irmã de intercâmbio, durante o Natal de 1986, na Suécia |
Natural de Santos, a bailarina Marcia Nuriah, de 52 anos, já viveu em São Paulo, Bauru, Rio de Janeiro, Campinas e, novamente, Bauru, onde passou toda a sua adolescência. Ao atingir a maioridade, trancou o curso de biologia, na Unesp, e partiu para Londres, na Inglaterra.
Na ocasião, sair do Brasil era um desafio e tanto. "Só podia levar Cr$ 1 mil", relembra. Mesmo assim, Marcia viajou, sozinha, até a terra da rainha, onde estudou inglês.
Paralelamente a isso, ela fazia balé clássico, curso de fotografia e de teatro e, ainda, era modelo para pintura. "Eu conseguia ficar bastante tempo parada, na mesma posição, dom que adquiri graças justamente ao balé clássico", acrescenta.
Marcia também vendia drops e cigarros em shows famosos, trabalho este que permitiu à bailarina assistir apresentações de artistas famosos do quilate de David Bowie e Tina Turner.
Passados dois anos, esta artista quase que multifuncional conheceu muita gente e não desejava voltar ao Brasil.
Então, decidiu rever a mãe, que havia viajado para Amsterdã, na Holanda, a trabalho. "Eu me encantei com a cidade, que era o epicentro de toda aquela revolução cultural que ocorria na Europa", exalta.
Assim que entrou em férias do curso de inglês, Marcia resolveu fazer um mochilão pela Europa, acompanhada de duas amigas brasileiras.
"Fomos de barco até Amsterdã e fizemos Bélgica, França, Espanha e Portugal, apenas pedindo carona", relata.
Em Portugal, o grupo separou-se, mas a bailarina decidiu seguir viagem, desta vez, sozinha e de trem, rumo à Suécia, Luxemburgo e Alemanha Socialista.
"Na Berlim Oriental, não podíamos levar nada do lado ocidental e tínhamos um visto de apenas 24 horas", explica.
O lado socialista do país impressionou Marcia, que visitou uma livraria e um supermercado de Berlim.
"O clima era pesado e, no supermercado, havia uma fila enorme para comprar queijo, produto que era para ser corriqueiro. Soldados armados eram a personificação da grande restrição de liberdade daquele povo", descreve.
De lá, a aventureira partiu para a Dinamarca, além da Suécia, e, por fim, retornou à Londres.
"Voltei a estudar inglês e, quando chegou o inverno rigoroso, vi a foto das pirâmides do Egito na porta de uma agência de viagens, fato que passou a sensação de um calor que eu queria sentir. Então, no impulso, entrei e comprei uma passagem só de ida para o Egito", pontua ao JC.
Na época, Marcia namorava um americano que sonhava em conhecer Israel e topou passar três meses mochilando pelo Egito, antes de concretizar o seu desejo.
"Fomos de Cairo até Sudão e voltamos pelo litoral do Mar Vermelho, em um trem de terceira classe", frisa.
A DANÇA DO VENTRE
E foi no Egito que a bailarina descobriu a dança do ventre, mas com um olhar do balé clássico. "Estava acostumada com corpos jovens e atléticos, até me deparar com uma dança praticada por mulheres muito mais velhas: mães, tias, avós, enfim, era algo que estava no dia a dia delas", conta.
De início, a aventureira estranhou a novidade, porém, após três meses em contato direto com o estilo de dança, se rendeu à aceitação. "Descobri, aos 20 anos, que não existe certo ou errado, tudo é uma questão de cultura, e isso desmoronou todas as minhas estruturas", confessa.
Marcia também subiu o Monte Sinai, situado no sul da Península do Sinai, no Egito. Logo que chegou ao ápice, passou mal e foi levada até o Mosteiro de Santa Catarina, onde receberia atendimento médico, sobre as costas de um camelo.
Passado o perrengue, a bailarina foi até Israel, conhecer Jerusalém e Nazaré. Ela caracteriza a viagem como aquela na qual descobriu o Jesus histórico. "Era um homem que passou pelos lugares que passei", justifica.
Em seguida, a aventureira voltou à Londres, concluiu o curso de inglês e teve de retornar ao Brasil para terminar a faculdade.
O AMOR
Como a Unesp estava em greve, ela decidiu fazer uma viagem pelo Pantanal matogrossense e conheceu um turista israelense, com quem namorou. Inclusive, Marcia conseguiu um estágio em seu kibutz, localizado em Israel, onde morou pelos próximos seis anos.
De volta à Alemanha, a bailarina passou a integrar um grupo de dança árabe e se apresentou durante dois anos. Em 1994, ela voltou ao Brasil, terminou a faculdade e foi dar aula de biologia em uma escola de Ilha Bela. Lá, ela conheceu o atual marido, o holandês Robin Sier, de 38 anos, com quem teve duas filhas, Ana Íris, de 14, e Melissa, de 15.
Atualmente, Marcia vive em Amsterdã e dá aula de dança árabe. Além de se aventurar por diversos países, ela se apresentou em 16: Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Bolívia, EUA, Marrocos, Egito, Israel, Grécia, Turquia, Alemanha, Itália, Espanha, Holanda e Bélgica.
A bailarina fala, fluentemente, português, espanhol, inglês, hebraico e holandês, além de conseguir se comunicar em alemão, italiano e francês.
Anualmente, ela vem a Bauru, onde coordena o Festival Internacional de Danças Árabes.
FESTIVAL
| Renan Casal |
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| Tufic Nabak, Marcia Nuriah e Aisha Latifah durante o jantar beneficente, no último dia 3 |
Festival que começou como uma oportunidade de reunir amigos e profissionais para a exposição de danças árabes tomou grande proporção e chegou, neste ano, às suas duas décadas.
Entre os dias 4 e 5 de novembro, o Teatro Municipal recebeu dançarinos de todas as partes do País e do mundo, no Festival Internacional de Danças Árabes. Em comemoração à data, também houve um jantar beneficente no restaurante Al Dar, no último dia 3.
Marcia Nuriah, que é presidente da Confederação Internacional de Danças Árabes (Ciad), na Holanda, e fundadora do festival, revela que o evento reuniu 250 pessoas em cada dia, além de 130 coreografias no dia 4 e 86, no dia 5.



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