| Dario Zalis |
![]() |
| Cantor Tárcio faz homenagem a Emílio Santiago (1946-2013) |
Transitando no campo da MPB jazzística, o cantor carioca Tárcio volta ao disco, o quarto de sua carreira, desta vez prestando um tributo não apenas a um dos maiores cantores que o Brasil já teve, mas também a um dos seus melhores amigos. "Brasileiríssimo - Para Emílio Santiago", lançado nas plataformas digitais, revive um repertório nativo e vigoroso.
O título é referência ao segundo álbum do amigo, "Brasileiríssimas". "Emílio merece a homenagem. Era um amigo querido, tivemos uma relação muito próxima. Ele era amigo de meu pai, Tarci, que é compositor. Nos anos 60, cursaram a Faculdade Federal de Direito juntos no Rio e foi pelas mãos dele que Emílio entrou em estúdio pela primeira vez, para gravar uma demo", explica o cantor.
Apesar de ter caído no gosto do público com um tipo de sonoridade e repertório mais populares, Emílio gostava mesmo de grandes canções e arranjos sofisticados. Isto era inclusive uma das maiores afinidades entre ele e Tárcio.
Para que o disco ficasse então à altura do gosto musical da dupla, o jovem cantor não fez por menos. Dirigido pelo tarimbado produtor Max Viana, reuniu um timaço de arranjadores para jam session nenhuma botar defeito: Cristóvão Bastos, Gilson Peranzetta, João Donato, Jorjão Barreto e Roberto Menescal. Foi, aliás, este último quem descobriu Tárcio, ainda quando era assistente de seu estúdio na Barra da Tijuca, nos anos 90.
IDAS E VINDAS
O mesmo Menescal sugeriu a Tárcio a gravação de um tributo ao famoso projeto "Aquarela brasileira", criado por ele para Emílio em 1988, que levou à consagração definitiva do cantor. Seria uma comemoração dos 25 anos das "Aquarelas". Já estava tudo acertado e diversas bases gravadas e o homenageado vibrando com tudo quando se deu o seu falecimento em março de 2013.
"Depois que ele morreu, fiquei arrasado e desisti do disco. Somente dois anos depois foi que retomei. Então resolvi reformular o projeto. Passou a ser um disco que representasse o repertório que ele mais gostava e o que mais tinha afinidade com o nosso gosto", afirma Tárcio.
