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"Família" de espantalhos habita a Vila Falcão

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Fotos: Malavolta Jr.
Francisco Carlos Martins Ruiz com a família de espantalhos: Clotilde (da dir. para esq.), a pequena Glorinha, Vô Ruan e Joana
O espantalho Herculano fica do outro lado da calçada e é o guardião da família

Com a missão de espantar gralhas no passado, a "família" do vô Ruan se aposentou. Por mais que confundam os vizinhos e os desavisados, eles não são pessoas de verdade. Sentados em suas cadeiras, a nova vizinhança da Vila Falcão está longe de cumprir a função de espantar. Pelo contrário, os espantalhos vêm chamando a atenção de quem passa pela quadra 7 da rua Albuquerque Lins.

Feitos de madeira, PVC, pano e achados da caçamba, os bonecos foram trazidos do sítio do aposentado Francisco Carlos Martins Ruiz, 62 anos, que fica no Jardim Primavera, em Arealva.

"Sempre tive roça. Fiz diversos bonecos como estes pra espantar os pássaros do meu milharal. Desde lá, chamavam a atenção. Esses são os mais recentes, fiz faz um ano e meio. Como resolvi vender a propriedade, eles vieram comigo", comenta.

POPULARES

A presença dos bonecos na rua, desde a noite da última quarta-feira (27), despertou a curiosidade dos vizinhos e até dos motoristas que passaram por ali, desde a manhã desta quinta-feira (28).

"Estava sentado em frente a minha casa e fiquei observando as pessoas que passavam de carro. Eles repetiam a volta para olhar de novo e tiveram alguns que até desceram para tirar fotos com eles", diz Francisco, que colocou os personagens próximo à casa onde mora com seu cachorro. "Os vizinhos também aprovaram. Vou deixar até quando der. Espero que respeitem, mas, qualquer coisa, eu tenho mais", afirma.

COMPANHEIROS

A "família" do vô Ruan é composta por ele, suas filhas Joana e Clotilde, e a neta Glorinha. Lado a lado, eles ficam sentados em cadeiras na calçada. Do outro, o guardião da família, Herculano, está próximo a uma árvore, com sua "espingarda" e seu litro de cachaça.

"Ainda no sítio, quando as crianças começaram a mexer para brincar com os bonecos, eu fiquei com medo de estragarem e criei uma placa 'se mexer, o Herculano vem para por ordem'", conta, aos risos. Assim, surgiu mais um boneco, que não faz parte da família, mas também se tornou bem popular.

HOMENAGEM AO AVÔ

Os nomes e as histórias de cada um dos bonecos são todos criação do aposentado, com exceção do patriarca. "O vô Ruan tem o nome do meu avô, fiz essa homenagem. Eu me divirto com eles, são meus companheiros", diz.

E, se parece que essa "família" foi sortuda por vir "descansar" na cidade, teve quem tivesse destino ainda melhor para a aposentadoria. Francisco comenta que mais dois espantalhos - outra avô e avô - ficaram no sítio, na beira do rio. "Estão descansando por lá", conclui.

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