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O novo que vem por aí

Carlos Sette e Jorge Martins Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

Em termos econômicos, o novo que vem por aí será a reorganização da economia, se dará do investimento (em capital) nas empresas e de suas relações com os consumidores, motivadas por mudanças tecnológicas e de gestão.

Quais empresas terão chances de ganhar com a reorganização? A resposta é bem clara já que não existem milagres, deverão se destacar aquelas que fizeram a melhor estratégia ainda na fase de crescimento, antes de 2014, e se mantiveram fiéis ao seu modelo de negócios sem se atrever a caminhos que não detêm conhecimentos.

Sob outro ponto de vista, também se destacarão as empresas progressistas, aquelas que priorizaram a eficiência operacional ao invés de cortes de pessoal, que fizeram e fazem investimentos significativamente maiores que as concorrentes em pesquisa e desenvolvimento, em inovação e atualmente em marketing (já que alguns produtos estão prontos e o novo passo é a introdução no mercado).

O Brasil enfrenta hoje uma das piores recessões de sua história, a crise econômica promoveu uma espécie de seleção natural, levando muitas empresas à recuperação judicial ou simplesmente à falência, mas deverá motivar a mudança, a ascensão de novos líderes e o aumento da busca pela eficiência. A reorganização da economia vai demandar um capital mais inteligente e focado na produtividade, sem espaço para estratégias de risco ou com intensões de desvios tributários, já que entrada do Bloco K (sistema de informações integrado com Receita Federal) dificultará e muito esta prática.

Espera-se, porém, que o governo possa fazer sua parte, que ajuste os modelos tributários em andamento e concretize as reformas estruturais anunciadas. Parece que neste sentido os resultados já começam a surgir: a queda da taxa de juros, que vem provocando um ônus menor para a dívida pública, bem como para o setor privado tomador de empréstimos para capital de giro; o resultado noticiado de superávit primário, quando se exportou mais que importou; a taxa de desemprego estável e com tendência de queda já há alguns meses, ocasionando aumento gradual do consumo.

Por fim, sem esperanças mas agora com evidências, tende-se a ocorrer a volta do crescimento neste 2018, estimado em torno de 2,8%, com participação expressiva dos setores do agronegócio e industrial. Sairão na frente aquelas empresas que se reforçaram na gestão do fluxo de caixa, que se planejaram com base nas oportunidades identificadas, que de alguma forma fizeram a leitura correta das expectativas e desejos de seus consumidores e sabem hoje o real valor de seus produtos no mercado.

Sem espaço para inaptos ou incertos, este é o novo que vem por aí. Feliz 2018!

Os autores, Carlos Sette é economista, professor universitário e diretor de empresa. Jorge Martins Jr. é economista, pós-graduado com MBA Finanças, analista financeiro.

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