Tribuna do Leitor

Social e Econômico

Reinaldo Cafeo - economista
| Tempo de leitura: 3 min

Oportunas as considerações publicadas na tribuna do leitor a respeito de meus artigos veiculados semanalmente aqui no JC. Os comentários permitem esclarecer alguns pontos sobre o que abordo em meus artigos.

Primeiramente, é importante considerar que a Economia como Ciência Social tem por finalidade a busca da tão sonhada justiça social. Mesmo se valendo de modelos matemáticos e estatísticos, sua essência é garantir modelos econômicos que permitam equacionar as desigualdades sociais e eliminar os abismos entre pobres e ricos. Desta maneira os economistas, tão injustamente criticados, auxiliaram e auxiliam na busca de modelos econômicos que vão ao encontro desta tão sonhada justiça social. Nesta vertente, quem acompanha meus artigos sabe que frequentemente abordo este tema. Infelizmente, nem sempre os políticos eleitos praticam este propósito e, quando exageram na incompetência, como tem sido a realidade recente do Brasil, colocam o País na recessão, aumentando o desemprego e os desequilíbrios em todos os setores.

Sou assumidamente reformista. Também comungo das ideias neoliberais. Acredito que o Estado deve regular a economia e, distante de ser mínimo, deve ser eficiente. Um Estado mais produtivo, com uma máquina pública mais enxuta tributa menos e gera mais excedentes para investimentos. Para isso é preciso ter um mercado forte. Não os oligopólios existentes no Brasil, cuja concentração é evidente (outro tema que já abordei em meus artigos), mas sim a livre concorrência leal.

Como economista, não posso ser leviano e jogar para torcida. É muito fácil, como muitos fazem, dizer que o Estado deveria tutelar tudo, que as reformas são bravatas dos políticos, que a economia centralizada resolve todos os problemas do mundo, isso seria não entender a real dimensão da condução da política econômica. Posso voltar ao passado, com modelos adotados nas décadas de 1920 e 1930, mas o que foi bom naquela época, não necessariamente será bom agora. As condições tecnológicas, as crises econômicas, os modelos de controle econômicos, mudaram e, a relação de causa e efeito e as soluções econômicas, não são como daquela época.

É importante destacar ainda que tenho um espaço limitado para escrever semanalmente, portanto, não é possível aprofundar nos temas, além disso, quando elaboro meus textos me vem à mente o usuário da informação. Este usuário não é o acadêmico, pois meus textos são artigos jornalísticos e não artigos científicos. Penso no empresário, notadamente de pequenas empresas, que não conseguem contratar consultorias que indiquem o que está ocorrendo na economia. Penso no estudante que quer entender o dia a dia econômico. Penso no trabalhador que está preocupado com seu emprego. Penso na dona de casa tendo que administrar o seu orçamento familiar. Assim escrevo, na maioria das vezes, voltado para o que a economia afeta nosso dia a dia. Não dá para teorizar nestes artigos.

Eu poderia dizer que no passado o governo gastou recursos importantes que fazem falta agora. Mas isso não resolve. Vejam o caso dos recentes governantes do País: alguém tem dúvida que o modelo econômico adotado nos levou a recessão? Os avanços sociais preconizados pelos seus dirigentes foram jogados na lama. Desemprego, subemprego, marginalidade, aumento de pessoas na linha de pobreza são alguns exemplos. Ora, se isso foi ruim, a Ciência Econômica aponta outro caminho e é sobre este caminho que alicerço meus comentários. Concordando ou não, esta é minha linha de pensamento e uma sociedade só é plural e democrática quando há respeito as posições, por mais divergentes que possam ser.

Por vezes fico triste quando alguns publicam textos advogando em causa própria, pois tenho visto muitos críticos, notadamente em relação a reforma previdenciária, pensando em seu próprio bem-estar e, se isso prevalecer, o debate fica pobre e o interesse coletivo é jogado para segundo plano.

Para finalizar lembro o grande Economista Roberto Campos: "por amor ao passado o Brasil perdeu o presente e comprometeu o futuro" e ainda reforçando minha posição reformista: "no Brasil empresa privada é aquela que é controlada pelo governo e a empresa pública é aquela quem ninguém controla".

Espero ter esclarecido e agradeço as manifestações, que certamente me ajudam a escrever cada vez mais com primor e pensando no coletivo.

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