| Quioshi Goto/JC Imagens |
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| Maurício Lima Verde foi várias vezes entrevistado pelo JC: despedida |
| Aceituno Jr. |
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| Lima Verde era conhecido pela sinceridade, integridade e paixão pelo que fazia |
Conhecido por sua sinceridade, integridade e paixão pelo que fazia, o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, recebeu homenagens de amigos e familiares, quarta-feira (10), durante velório no Terra Branca, em Bauru. Representante do Brasil na Organização Internacional do Café (OIC), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), e membro da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), ele morreu na manhã dessa quarta (10), aos 81 anos, por complicações decorrentes de problemas no fígado.
Lima Verde vinha lutando para recuperar a saúde nos últimos três meses, mas um coágulo no cérebro resultante de uma queda contribuiu para a deterioração de seu estado. Ele faleceu no Hospital da Unimed, onde estava internado desde 31 de dezembro.
Natural de São Paulo, o ruralista veio viver em uma fazenda de Bauru na companhia da esposa, a ex-bailarina Yola de Melo Guimarães, e dos filhos José Maurício e Clarice, ainda pequenos. Pouco tempo depois, em 1973, já engajado nas ações sindicais do setor agrícola, tornou-se presidente do Sindicato Rural local, cargo que ocupou até sua morte.
"Meu pai foi um grande companheiro, um homem de boa índole com a família e em sua trajetória profissional. Ele era firme em suas opiniões e, muitas vezes, as pessoas pensavam que ele era bravo, mas não. Ele gostava muito do que fazia e se preocupava em fortalecer a agricultura dos grandes e pequenos produtores. Vai fazer muita falta", lamenta o filho José Maurício Lima Verde Guimarães.
LEGADO
| Neide Carlos |
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| Maurício em Encontro sobre Agronegócios, que reuniu lideranças da região de Bauru e do Banco do Brasil |
Como liderança mobilizada para o desenvolvimento do setor, o ruralista fez inúmeras viagens internacionais, incluindo Londres, seu destino constante para as reuniões da OIC. Era, ainda, fonte de informações segura para toda a imprensa, sendo entrevistado incontáveis vezes pelo JC.
Por sua atuação em diversas frentes, Lima Verde também conquistou, além de credibilidade e prestígio, muitos amigos, como a secretária do Sindicato Rural de Bauru, Vera Evaristo, que atribui seu crescimento profissional ao incentivo do chefe e amigo. "Perdi um pai. Ele era meu confidente, meu padrinho de casamento. Sempre me apoiou muito a estudar e, de uma menina que não sabia nada, consegui me tornar advogada. Ele era muito querido, um homem íntegro, sempre disponível para ajudar os outros", comenta.
Como presidente do sindicato, Lima Verde incentivou, também, o desenvolvimento de diversos cursos no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) para capacitação de produtores rurais, inclusive de famílias assentadas, e alfabetização de jovens e adultos. Coordenadora do serviço em Bauru, Cleusa Eunice Evaristo lamentou a perda do "amigo insubstituível".
"Ele era apaixonado pelo que fazia, a pessoa mais verdadeira, transparente e corajosa que eu conheci. E este é o legado que fica para todos que tiveram o privilégio de conviver com ele", completa.
O corpo de Lima Verde foi cremado no final da tarde dessa quarta-feira (10) no Cemitério Jardim dos Lírios. Ele deixa a esposa, os dois filhos e cinco netas.
Colecionador de miniaturas de elefantes e devoto de Nossa Senhora Aparecida
| Malavolta Jr. |
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| Maurício Lima Verde colecionador de Elefantes |
De variadas cores, formas e origens, centenas de miniaturas de elefantes enfeitavam as prateleiras espalhadas pela residência de Maurício Lima Verde. Em entrevista ao JC em 2012, ele contou que o hobby surgiu por acaso, no final da década de 1990, quando ele fez uma viagem ao Quênia, na África, e comprou uma família de bibelôs em formato de paquidermes.
A partir de então, a coleção ganhou o apoio de amigos, que presenteavam o ruralista sempre que faziam viagens internacionais, e foi alvo até mesmo de reportagem da chamada mídia nacional. Além de amante de elefantes, Lima Verde era devoto de Nossa Senhora Aparecida, homenageada por ele em uma tatuagem no braço direito.
Antes de ficar doente, tinha planos, inclusive, de visitar Aparecida do Norte no início deste ano. "Agora, é ele quem fica tatuado na gente. O Maurício continua vivo em nós", diz a amiga Cleusa Eunice Evaristo.
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Por que, Maurício Lima Verde?
Fonte de um sem número de reportagens, Maurício Lima Verde era presença constante nas páginas do JC. Além das matérias jornalísticas nas quais ele colaborava sempre de forma tão gentil e paciente, o 'embaixador do café' também participava com frequência da Tribuna do Leitor, com suas cartas intituladas 'Por quê?'.
Nelas, Lima Verde fazia uma série de questionamentos, que iam desde divagações poéticas até mesmo críticas aos mais variados problemas de Bauru, do Brasil e do mundo.
Nessa quarta-feira (10), a partida de Maurício levantou, com certeza, a mais triste indagação de todas. E, assim, somos nós quem perguntamos desta vez: "Por que, Maurício Lima Verde?".
Redação - Jornal da Cidade
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