| LNB/Divulgação |
![]() |
| Técnico comemora o título com a torcida de Bauru |
Demétrius Ferracciú, técnico do Sendi/Bauru Basket, confessa que gosta de Bauru. Motivos ele tem. O amor começou lá atrás, quando ele enfrentava de ônibus todos os dias os poucos mais de 40 km de Lençóis Paulista para treinar na Luso, onde começou a jogar basquete e, à noite, na hora de ir embora, a mãe é quem estava lá, buscando-o. Isso aos 8 anos de idade.
E como não amar Bauru, onde conquistou, no ano passado, como técnico, o título brasileiro de campeão do NBB 9? Até por isso Bauru também gosta dele. "Acho que dou sorte para Bauru e Bauru para mim".
Sua carreira vitoriosa, jogador e técnico, muitos conhecem. Reservado, fala dos sacrifícios familiares que todos os amantes do esporte fazem para ter êxito na vida.
Jornal da Cidade - Você não é bauruense, mas trouxe a família toda para cá...
Demétrius Ferracciú - Sim, embora todo praticante saiba que tudo é rápido e que a carreira obriga você a mudar, se ausentar de momentos importantes em família, me sinto em casa... Gosto muito de Bauru. Todos nós gostamos.
JC - Todos nós quem?
Demétrius - Além de mim, há a minha mulher, Isabel, e as duas filhas: Pietra, de 11 anos, e Rebeca, de 8 anos.
JC - Elas não aparecem muito na mídia...
Demétrius - É uma postura minha. Procuro preservar mais a imagem das meninas para que elas tenham a infância normal, tranquila e gostosa como eu tive. E, nesse aspecto, de liberdade, Bauru ajuda muito. Estamos sempre na Getúlio Vargas, fazemos passeios ao zoológico, aos shoppings, gosto das opções de restaurantes que Bauru tem... E andar de bicicleta, outra opção muito legal. Claro que elas sentem muito as minhas viagens. Entendem, mas se ressentem.
JC - E como você lida com essa ausência, sua mulher segura o barco?
Demétrius - O sacrifício familiar de não continuar trabalhando (ela é professora de educação física) foi dela. Eu dou muito valor a ela por isso. Ela já saiu em férias com as meninas e eu não pude ir. Ao contrário do que muita gente pensa, a profissão exige muitos sacrifícios... Na minha família somos três irmãos: o Vinícius, quatro anos mais velho, e a Simone, um ano e meio mais nova. Eu sou o do meio. E já perdi o casamento do meu irmão porque tinha que estar na seleção brasileira.
JC - Suas meninas entendem isso?
Demétrius - É questão de postura. Quando elas ameaçam chorar porque vão ficar longe de amigas, por exemplo, a gente procura fazê-las enxergar o outro lado. Não é o lado da perda e sim o lado do ganho. Eu digo: "Você não vai deixar de ser amiga de fulana porque vai se mudar. Ao contrário. Vai ser privilegiada porque fará mais amigas e terá amigos em vários lugares".
JC - É uma boa psicologia, que dá certo.
| Malavolta Jr. |
![]() |
Demétrius - Mais ou menos (risos). Outro dia, uma delas, a mais nova, tascou: "Papai, não vou jamais casar com basqueteiro. É muito basquete para mim" (risos). Talvez porque até nas horas vagas eu relaxe assistindo NBA (o campeonato profissional norte-americano), por exemplo (mais risos).
JC - E fora o basquete, o que o diverte?
Demétrius - Quando dá, eu vejo filmes. Adoro filmes de ação, policiais, suspense. Terror, não (risos). Ah! Também uso meu tempo livre para cuidar do corpo, da saúde, corro e faço musculação.
JC - Você falou do que gosta em Bauru. Do que sente falta?
Demétrius - Ah, de uma grande casa de show e de mais peças de teatro.
JC - As meninas fazem um esporte?
Demétrius - A Pietra faz tênis. Vejo nela um bom potencial. É canhota como eu. Isso é um diferencial. A Rebeca, por enquanto, só está no balé.
JC - Você não parece ser linha dura, não faz o estilo sargentão...
Demétrius - Isso não sou mesmo, procuro não ser. Como técnico, claro, sou rigoroso. Preciso exigir o máximo de cada atleta. Vivemos de resultados e especialmente com os mais jovens é preciso disciplina.
JC - Para ter controle sobre o time, ter a equipe na mão...
Demétrius - O relacionamento do dia a dia é muito importante. Acredito muito e sou a favor da gestão de pessoas. Agora, é preciso respeitar o jeito de ser de cada um. Não posso querer que um jogador seja como eu fui. Por isso, prefiro prestar atenção mais no estilo dele, verificar no que é carente para suprir. Dar atenção às necessidades do atleta é importantíssimo. O fato de eu ter sido atleta acho que me ajuda bastante.
JC - Essa gestão você aplica no time que teve que ser remontado para esta temporada. Praticamente ficaram só o Shilton e o Alex, né?
Demétrius - Tirando algumas peças do juvenil, que também ficaram, foram só esses dois mesmo. E a composição das peças depende muito da possibilidade financeira, do patrocínio. É natural essa dança das cadeiras, jogadores mudando de equipes. Neste NBB 10 vê-se que o nível técnico melhorou, está tudo mais igual.
JC - A expectativa é...
Demétrius - Ficar entre os quatro primeiros e depois ir para o play-off. A ideia é ir crescendo para chegar lá mais forte.
JC - E tem outro campeonato no meio do caminho...
Demétrius - Pois é, está aí a Liga das Américas. Dias 9, 10 e 11 de fevereiro, aqui em Bauru. "Olha aí meninas, papai não vai ter Carnaval" (risos)... Temos o atual campeão o Guaros de Lara, da Venezuela, e times de El Salvador e do Panamá. Vai ser difícil. Eles têm tradição de contato com bons americanos, o que os torna mais fortes.
JC - Você esteve numa Olimpíada (o Brasil foi sexto em Atlanta), tivemos um passado de glórias e hoje nem isso.
Demétrius - Bom, o basquete, como um todo, melhorou no mundo todo e o perfil mudou. A Europa, por exemplo, hoje tem países altamente competitivos que se uniam como União Soviética. São oito forças a serem batidas e não mais uma. E há também um problema de base. Temos que formar mais atletas. É da quantidade que sai a qualidade. A Argentina, por exemplo, tem 60 mil praticantes de basquete. E nós? Não há sequer estatística aqui. Os técnicos deveriam se unir mais e investir mais nas categorias de base, com vários e vários campeonatos brasileiros. E isso é apenas a ponta do iceberg, mas sem base não dá. Se investir mais na base acho que o Brasil volta a ser competitivo internacionalmente em um ou dois ciclos olímpicos. Só aí.
JC - E o seu futuro?
Demétrius - O futuro a Deus pertence. Tenho contrato com o Sendi/Bauru até junho. A expectativa é, claro, ter o contrato renovado. Espero que queiram ficar comigo.
JC - Outros projetos?
Demétrius - Já tenho em ação um deles, o de clínicas para difundir o ensinamento. Como o que o Sendi/Bauru realizou no último final de semana para técnicos de base e do adulto com participação internacional. E tem também a clínica que termina hoje para atletas adolescentes entre 12 e 17 anos. Está sendo no Sesi Bauru. Veio menino até de Rondônia.
JC - Para fechar...
Demétrius - Gostaria de agradecer o técnico Caetano dos Santos pelo embasamento que me deu no Luso para seguir em frente e citar quatro (dos muitos amigos que fiz aqui na juventude) como forma de agradecer e reconhecer os outros. São os colegas de time juvenil, o Biro (Flávio Zambonato), que faleceu ano passado, mas vai ficar sempre no coração; o Vitinho (Vitor Jacob), hoje gestor do time; o Téo, que não é tão conhecido, mas é um grande amigo meu; e o Hudson Previdelo, que hoje é meu auxiliar técnico.
Além das amizades que duram até hoje, tenho que agradecer ao Rodrigo Paschoalotto, que foi quem confiou no meu trabalho e me trouxe para assumir o Bauru Basket, e também a atual gestão e diretoria, que confiaram e renovaram meu contrato.
Perfil
Filiação - Nascido em São Paulo, em 17 de julho de 1973, Demétrius Conrado Ferracciú é filho de Edson Ferraciú Sobrinho (também foi jogador) e Regina Helena Conrado Ferracciú.
Títulos como jogador - Pentacampeão brasileiro (por Franca-SP, Vasco-RJ e Telemar-MG), bicampeão sul-americano de clubes (Franca e Vasco) e Bicampeão da Liga Sul-Americana (Vasco).
Títulos como treinador - Além de atual campeão brasileiro, foi paulista por Limeira, em 2010.
Seleção brasileira - Tricampeão sul-americano; bicampeão dos Jogos Pan-Americanos. Disputou ainda as Olimpíadas de Atlanta e dois mundiais (1998 e 2002)
Outros esportes - Praticou também natação e vôlei em Lençóis Paulista. Aos 12 anos, o pai p obrigou a se definir.
Para quem dá nota 0 - para os políticos
Para quem dá nota 10 - para os meus pais, que me deram direcionamento e base familiar para vida
| Arquivo Pessoal |
![]() |
| Dezembro de 1986 - infantil do Luso. Ele é o segundo abaixado da esquerda para a direita. à sua esquerda, Flavio Zambonato, o Biro (diretor de base do Bauru Basket que morreu em junho de 2017); à sua direita Vitor Jacob, gestor do Sendi/Bauru e em pé o camisa 9, Hudson Previdelo, hoje seu auxilar técnico. |
.jpg)

.jpg)