A cena aconteceu diante dos meus olhos enquanto aguardava o sinal verde no cruzamento das avenidas Rodrigues Alves e Nações Unidas. Do carro à minha frente vi sair um braço da janela do motorista jogando uma lata de refrigerante vazia na calçada. Esse ato de vandalismo sobre a civilidade que presenciei não só me revoltou, mas também permitiu-me uma reflexão do sintoma evidente do fracasso educacional de parte do povo brasileiro que ainda persiste na convivência subdesenvolvida, mesmo integrado ao cotidiano social urbano supostamente mais avançado.
Existe um consenso no mundo civilizado de que há uma relação direta entre o nível de educação de um povo e a maneira de como ele lida com seu lixo. A partir desse conceito tornam-se extremamente deploráveis os padrões de civilidade e convivência humana nas quais estaria enquadrada parte da população brasileira e, muito em particular, uma minoria refratária dos habitantes de Bauru.
Parece prevalecer a ideia distorcida de que os encarregados da limpeza pública são pagos para limpar a sujeira jogada levianamente por alguns que se comprazem em descartar nas ruas pontas de cigarro, sacos plásticos, embalagens de comida, latinhas, folhetos de propaganda e outros agentes da poluição ambiente, sem contar as pichações e depredações. Chegamos a um ponto em que a indiferença para com o coletivo se tornou cultural e o conceito do público estar deteriorado, mas a falta de civilidade é um mal a ser combatido e a crise da educação vencida, de modo que os valores da consciência social sejam resgatados urgentemente.
Esses procedimentos pouco refinados vem desde os tempos do período escravocrata do Brasil Colônia, quando serviçais acompanhavam a aristocracia com a missão de limpar a sujeira que os integrantes da elite jogavam nas calçadas. Passaram-se os tempos, mas a mentalidade atrasada continua sem uma evolução significativa, como se o exercício do trabalho da higiene pública coubesse sempre a terceiros, cuja prática anti cidadã reflete o desastre na educação de alguns verificados nas transgressões às primárias normas de comportamento de uma população que poderia ser detentora de um caráter mais culto, evoluído e civilizado. É lamentável.