| Fotos: Divulgação |
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| “Tempos de Itatingui” é um documentário que resgata a história de um bairro significativo para Pederneiras |
O bairro rural de Itatingui em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) já teve estação ferroviária no passado, foi moradia de uma famosa dupla sertaneja e é um símbolo de um período de vida simples. Tudo isso está sendo resgatado em um documentário de uma hora e meia que buscou nos depoimentos de seus moradores a cultura e os costumes de uma época que marca a transição da vida rural para urbana.
O estudante de rádio e TV Guilherme Makoto Chimura com participação de mais 17 pessoas, dos quais estudantes de arquitetura e até de ciência de computação, são os responsáveis na produção do audiovisual e pesquisa que será apresentado nesta quinta-feira na Faculdade de Artes e Comunicação da Unesp como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para habilitação em Rádio e TV.
"Tempos de Itatingui" vai buscar no século passado como era o modo de vida rural. Nos depoimentos relatam a ocupação da área a partir de 1903, mas os primeiros documentos oficiais datam de 1939. "Há moradores que citam que já havia moradores (nessa região) desde os tempos da escravidão, não temos como precisar como surgiu, porém o apogeu da região foi no começo do século passado", cita o estudante.
Chimura conta que um amigo, José Camilo que residiu em Pederneiras, é quem indicou o local para resgatar a história por sua amizade com a família Lopes, composta de cinco irmãos. "Essa forte convivência dos dois fez com as histórias de Itatingui chegassem ao José meio por inércia. Os Lopes são uma família originária da localidade", ressalta o estudante.
Nesse bairro residiu Craveiro & Cravinho, uma dupla de cantores de música sertaneja raiz que foram famosos no país. Sebastião Franco, o Craveiro nasceu em Pederneiras em 1931, e João Franco, o Cravinho nasceu no mesmo local em 1939. Eles foram entrevistados para o documentário. Relatam dos tempos que ouviam música, principalmente dos programas radiofônicos de Tonico e Tinoco. Dos tempos que se reuniam em volta do rádio para cantar e contar causos. A dupla fez uma música que se inspirou na localidade: "O cavalo e a lambreta". "A inspiração foi em cima de Pedro Lopes, é tudo meio conectado", diz Chimura.
Até hoje a antiga estação ferroviária de Itatingui do ramal da Companhia Paulista, que ia de Pederneiras a Agudos-Piratininga foi desativado em 16 de setembro de 1966, está preservada graças a iniciativa ao Brás Lopes, cujo pai arrendou o prédio, porque a Paulista estava em processo de extinção quando os trilhos foram retirados do local e depois ele decidiu comprar o imóvel, porque a estação estava dentro da propriedade rural. Em vez de demolir, o filho herdou e preserva até hoje o imóvel.
"O morador cuida com carinho e muita dedicação do local", revela o estudante. A equipe que produziu o documentário é composta de 17 pessoas, grande parte de rádio e televisão, mas também háparticipação de estudante de arquitetura que focou em como eram as construções da região da época. "Não tivemos objetivo de fazer síntese histórica do local. A história oral contada é diferente da escrita. A nossa missão é manter essas marcas que trazem muito da memória da pessoa, como elas personificavam aquela história dentro da cultura dela no local. Chama-se 'Tempos de Itatingui', porque são diferentes singularidades", explicou. Em fevereiro, o documentário será exibido para a população de Pederneiras, antes será apresentado a uma banca de professores na Unesp de Bauru.

