Quando Lula caminhava para assumir a Presidência do Brasil em 2002, sucedendo Fernando Henrique Cardoso, o que efetivamente ocorreu, havia um grande receio no tocante à introdução no Brasil de um modelo econômico estatizante e centralizador. Este era o discurso do Partido dos Trabalhadores até então. Todos devem se recordar que a cotação do dólar disparou e as incertezas tomaram conta dos agentes econômicos.
Ao ser eleito e assumir a Presidência do Brasil Lula optou por conduzir a economia brasileira de uma maneira, poderíamos dizer, mais neoliberal. Trouxe para a Presidência do Banco Central nada mais nada menos do que o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Profissional respeitado no mercado financeiro internacional. Ofereceu o que podemos chamar de "ração" que o mercado desejava.
Com céu de brigadeiro em nível internacional, afinal, nenhuma importante crise assolou o mundo em seu primeiro mandato de 2002 a 2006, Lula não soube tirar proveito deste período de prosperidade. Apesar disso, foi reeleito e construiu a ponte para que a pudesse fazer sua sucessora, ajudando a eleger até então desconhecida Dilma Rousseff, que iria governar o País em dois mandatos, tendo sido cassada durante o segundo mandato.
O que aconteceu com Lula depois da saída de Dilma e do PT do poder? Mostrou suas garras. Alegando golpe da "elite brasileira" (logo ele com fartos recursos financeiros disponíveis), o PT, afogado em meio a denúncias de corrupção de toda ordem, tendo seus principais líderes presos, voltou às suas origens. Radicalizou o discurso à esquerda, voltou a defender um Estado interventor, centralizador, tendo Lula, em seus pronunciamentos, defendido a volta do modelo econômico praticado pelo PT notadamente no governo Dilma, que preconiza, entre outras coisas, que o consumo das famílias seria a grande alavanca do crescimento, com afrouxamento tanto da política monetária como da política fiscal.
Em momento algum Lula assumiu que a recessão que assolou o Brasil durante dois anos, forçando o fechamento de empresas, com crescimento do desemprego e das desigualdades sociais, foi produzida por este modelo econômico equivocado.
O Brasil deu um passo atrás, ou melhor, vários passos atrás. O discurso atual é que a salvação para os problemas econômicos brasileiros, não assumidos pelo PT, é o modelo frágil dos quase 14 anos do PT no poder.
Entenderam o porquê do grande receio da volta de Lula? É o discurso populista, alicerçado um modelo econômico superado, que demonstrou sua fragilidade, não tem espaço no século XXI. Países que são populistas são menos produtivos, não controlam a inflação com eficácia, não praticam o livre comércio e são tidos como arriscados. O passado recente nos condena e não pode ser repetido!
A sucessão presidencial sem Lula é mais previsível. É evidente que todos nós devemos ficar de olho nos chamados "salvadores da pátria", notadamente daqueles que tinham um discurso no passado e começam a jogar para torcida com o objetivo de angariar simpatia e votos, mas nada que se compare a estupidez de levar em frente um modelo que gerou tantos males a nossa economia, inclusive com conseqüências incalculáveis no padrão de vida dos mais pobres do Brasil.
Se aqueles que tornaram politicamente o que o Brasil é hoje tivessem um mínimo de senso coletivo, e não estivem preocupados em salvar suas peles com os "foros privilegiados", sairiam todos de cena abrindo espaço para um novo que permitissem que este sofrido País pudesse finalmente sustentar seu crescimento, criando um ambiente de esperança, transformando o enorme potencial econômico existente em justiça social. Isso seria exigir muito, mas seria de grande valia para todos nós.
Fica ao menos a constatação: sem Lula na sucessão presidencial tudo é mais previsível o que os permite trabalhar com mais segurança. É o que queremos: produzir, gerar riquezas e estabelecer boas políticas sociais para promover a justiça social nesse sofrido Brasil.
O autor é economista, articulista do JC e mantém o canal Planeta Economia no Youtube.