Economia & Negócios

Nível de emprego em Bauru tem menor saldo negativo em três anos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto/JC Imagens
Melhora do otimismo do consumidor impulsionou o comércio a criar 122 vagas de trabalho em 2017
Douglas Reis
Economista Reinaldo Cafeo: ""o ano passado foi o início da recuperação econômica"

Bauru ainda encerrou o ano de 2017 com fechamento de postos de trabalho com carteira assinada, mas a boa notícia é que o resultado foi o melhor obtido nos últimos três anos. Ainda que o número de demissões tenha sido maior que o de contratações no período, a desaceleração grande do ritmo de extinção de vagas sinaliza para o início da recuperação da economia após um longo período mergulhada na rise.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nessa sexta-feira (26) pelo Ministério do Trabalho, foram 447 postos de trabalho fechados em Bauru no ano passado, número expressivamente menor que o contabilizado em 2016, quando 3.522 empregos foram extintos. Em 2015, o saldo foi ainda pior: de 4.286 vagas encerradas.

No País, o Caged contabilizou 20,8 mil postos fechados em 2017 e, no Estado, 6,6 mil. "O ano passado foi o início da recuperação econômica, de maneira mais acentuada no fim do ano, fazendo com que a perda maior de empregos registrada nos primeiros meses fosse compensada", analisa o economista Reinaldo Cafeo.

De todos os setores da economia, apenas o comércio criou vagas em 2017 em Bauru: foram 122, ante às 643 fechadas no ano anterior. Já os segmentos da construção civil, administração pública e serviços foram os que mais influenciaram a queda, com perda de 177, 172 e 157 postos.

"A construção civil foi abalada pela crise porque as pessoas passaram a adiar os planos de comprar um imóvel ou não conseguiram continuar pagando as parcelas do financiamento, gerando aumento da inadimplência. Então, algumas obras continuaram, mas em um ritmo menor, o que provocou a redução do número de funcionários", analisa.

FORTALECIMENTO

O economista ressalta, contudo, que o setor também voltou a se fortalecer no final do ano passado, assim como o comércio. Este último, no entanto, conseguiu recuperar o nível de emprego antes do encerramento do ano.

"Isso demonstra a melhora do otimismo do consumidor, o que ficou mais evidente a partir das vendas para o Dia das Crianças, entre setembro e outubro. As promoções realizadas pelos lojistas, a Black Friday e as campanhas para as datas comemorativas foram importantíssimas para esta evolução", acrescenta.

Outro fator, Cafeo destaca, foi a aprovação da Reforma Trabalhista, que criou, por exemplo, uma categoria que até então inexistia nas leis do trabalho: a do contrato intermitente, que permite admitir um funcionário esporadicamente e pagá-lo apenas pelo período em que prestou o serviço. "E a existência de jornadas mais flexíveis acabou permitindo uma formalização maior", observa.

Além do comércio, quem demitiu menos no ano passado em Bauru foi a indústria e o setor agropecuário, que extinguiram, respectivamente, 21 e 25 postos de trabalho formais. "Em resumo, 2017 foi um ano de ajuste, com recuperação mais acelerada em alguns segmentos, como o setor primário. Cada uma em seu ritmo, a indústria e serviços também já começaram a esboçar esta retomada", completa.

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