"Aproveite uma experiência humana, sem telefone". Assim o músico americano Jack White, ganhador de dez Grammy, está preparando o espírito de seus fãs para o que decidiu fazer em 2018: banir o uso de celulares nos shows.
Funcionará assim: a pessoa vai ganhar uma pequena bolsa bloqueadora e o aparelho ficará confinado nela. Não vai se desgarrar do dono, mas só poderá ser novamente acionado em áreas isoladas ou ao fim do espetáculo.
Para que todos possam rever trechos da noite mágica, partes do show e fotos estarão disponíveis nas redes sociais do cantor, compositor e multi-instrumentista que, numa experiência bem humana, não só fez show no Teatro Amazonas, em Manaus, em 2005, como se casou na cidade com a modelo inglesa Karen Olson. A cerimônia, meio improvisada, teve os rios Negro e Solimões como testemunhas.
Na época, Jack formava "banda de dois" com Meg, a cultuada White Stripes, cujas atividades duraram de 1997 a 2011. Jack pode ser excêntrico, mas não quer se afastar das coisas reais da vida: usa instrumentos que exigem dedicação maior (alguns, dos anos 60), ama, casa, vira pai, separa... Esse negócio de tudo perfeitinho, como na gravação do celular, não é com ele.
O papa Francisco também já reclamou no ano passado: "Em certo momento o sacerdote diz 'corações ao alto?' Ele não diz 'celulares ao alto para tirar foto", afirmou em plena Praça de São Pedro. Duro vai ser arrumar bolsinha de celular para tanta gente por lá.
Outros artistas, famosos e palestrantes parecem seguir a tendência, digamos assim, de recomendar um tempo longe do iPhone ou qualquer outro maravilhoso monstrengo de bolso (que adoramos achar que domesticamos). Fora que realmente atrapalham em aglomerações. Quem é mais baixinho e está no meio da multidão que o diga.
A inconveniência tecnológica, contudo, está na berlinda. Adele adere contra o LED. Bruce Dickinson, do Iron Maiden, quer ver o capeta nas trevas a ter que se deparar com a luzinha de celular (milhares delas) nos shows. Novos-novos tempos? Quem sabe voltarão a ser mais reais. Como naqueles em que a gente fotografava apenas com a mente para, depois, curtir em forma de saudade - boa, íntima e intransferível.
O autor é editor do JC.