| Fotos: Arquivo Pessoal |
| A professora orientadora Vera Lúcia Messias Fialho Capellini ao lado de Giovana, na apresentação do TCC |
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| Telelupa monocular foi recurso de auxílio no aprendizado de Giovana |
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| Com 3 anos, Giovana já usava óculos para auxiliar a baixa visão |
As dificuldades causadas pela baixa visão - ou visão subnormal - não foram impeditivos para que a pedagoga recém-formada, Giovana do Carmo Facioli, de 23 anos, enxergasse o mundo com empatia e determinação.
Por conta de uma rubéola contraída pela mãe durante a gestação, desde o primeiro ano de vida, Giovana passou a utilizar óculos. Aos 10 anos, a visão estabilizou-se com 15% e, atualmente, ela utiliza lentes de contato que a auxiliam em suas atividades. "Eu vejo as pessoas, mas não reconheço muito bem as feições. Em relação às palavras e às cores, também tenho dificuldade. Como não foi de uma hora pra outra, fui aprendendo a lidar com isso. Sempre enfrentei a situação com tranquilidade e contei com um apoio incrível da minha família".
Mesmo assim, no processo de aprendizagem, Giovana encontrou algumas barreiras. "Lembro que minha professora colocava minha carteira colada na lousa para que eu enxergasse, mas não surtia efeito. Fico muito feliz por ter tido contato com recursos como a telelupa monocular que auxiliou e, ainda me auxilia, no processo de aprendizagem", afirma.
Segundo ela, esse aparelho possibilita que se enxergue letra por letra, além dos rostos, com mais facilidade.
EMPATIA
Para chegar ao canudo conquistado há pouco, a jovem sempre se dedicou aos estudos, passou em 1.º lugar no vestibular e, com nota máxima, finalizou a graduação na Faculdade de Ciência da Unesp, de Bauru deixando sua contribuição para a posteridade.
Isso porque Giovana aproveitou a familiaridade com a temática, para escrever a monografia "Alunos com Baixa Visão na Escola: recursos e aprendizagem", como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), apresentado no início de dezembro de 2017.
"Graças a Deus, sempre tive recursos para encontrar melhorias para a minha visão e para os meus estudos. Quando comecei a fazer Pedagogia e estagiar na área, percebi algumas crianças com dificuldades semelhantes às minhas, sem os mesmos recursos, o que pode prejudicar muito o aprendizado delas", justifica a jovem. Para isso, a monografia contemplou os recursos presentes nas escolas e como eles são utilizados.
"Tive a alegria de contar com a dedicação da Giovana, que passou em primeiro lugar no vestibular e sempre foi uma aluna excelente. Na pesquisa, ela pôde comprovar que, quando um professor vê cada aluno como único, o desempenho e a aprendizagem são aprimorados", comenta a professora orientadora do trabalho, Vera Lúcia Messias Fialho Capellini, que também é pesquisadora na área. "Se ela tiver um aluno, com qualquer tipo de deficiência, ela será uma professora ainda melhor", complementa.
Ela conta que o trabalho de Giovana, inclusive, será utilizado como material para a orientação de professores de Bauru, por meio de um projeto de avaliação da qualidade da educação ofertada aos alunos da educação especial das escolas públicas de Bauru, que está em andamento desde 2016.
MERCADO DE TRABALHO
Atualmente, Giovana é auxiliar em uma escola de ensino infantil em Botucatu, sua cidade natal. Em breve, ingressará em uma nova empreitada. A jovem passou no concurso para dar aulas para o Ensino Fundamental do Sesi, também em Botucatu.
"Tanto no trabalho quanto no dia a dia, eu sempre me virei muito bem. Fiquei com medo de enfrentar alguma resistência em relação à minha contratação, mas, pelo contrário, fui bem aceita. Já estou matriculada em uma pós-graduação para ensino especial, para que eu possa ajudar outras pessoas a terem esse destino também", comenta.

