Tribuna do Leitor

Como o capitalismo cria mais riqueza!

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil - Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru, SP
| Tempo de leitura: 4 min

As coisas mais simples, muitas vezes, são as mais difíceis de se enxergar!

O que é riqueza? É dinheiro? E se você tiver bastante dinheiro no deserto, ele vai servir pra alguma coisa? Na verdade, o dinheiro é apenas um meio, e a verdadeira riqueza é poder fazer as coisas. É poder se alimentar bem, poder viajar para um lugar interessante, poder ter uma roupa que lhe agrade, poder oferecer uma boa escola a seus filhos,..., enfim, poder ter saúde para aproveitar a vida. E você seria muito rico se pudesse fazer um monte de coisas que gosta. E cada uma que fizer, mais satisfeito você ficaria, não é mesmo!?

Entretanto, para poder fazer algo, é também necessário estar num lugar que propicie isto. Assim, um País poderia ser considerado potencialmente "rico", quando oferece uma grande quantidade de opções que se possa fazer, e "pobre" quando oferece poucas opções.

Num País capitalista, como existe a iniciativa privada, os próprios cidadãos acabam investindo em: escolas, cinemas, jornais, fábricas, restaurantes, hospitais, shows, ..., ou seja, criam para sociedade diversas possibilidades de coisas pra fazer, onde o comércio seria o meio de interação. Fazem isto pra ter lucro, lógico, mas, se não tiver alguma qualidade e receptividade, não se sustenta por muito tempo. Para ilustrar como funciona o sistema, considere o exemplo: uma pessoa, empregada do Estado, recebe seu salário e vai a uma loja e compra uma roupa por R$100,00. Suponha que o dono da loja pega o dinheiro e vai a um restaurante almoçar, e paga os mesmos R$100,00. O gerente do restaurante aproveita e vai consertar seu carro numa oficina com os R$100,00. O chefe da oficina pega os R$100,00 e vai a uma farmácia e compra remédio. O farmacêutico vai ao Banco e paga um imposto federal com os R$100,00 e este dinheiro volta pro Estado. Veja que o R$100,00 circulou 5 vezes com movimentação total de R$500,00, valor este que dá um indicativo econômico melhor, associado com 5 pessoas que se beneficiaram por poder fazer alguma coisa do seu interesse. A partir deste exemplo simples, pode-se imaginar então milhares de atividades sendo utilizadas simultaneamente, com o mesmo dinheiro circulando centenas de vezes de mão em mão, quantas pessoas podem se beneficiar. Esta dinâmica funciona como uma onda que se espalha numa reação em cadeia, multiplicando as interações comerciais, aumentando os empregos e o grau de satisfação das pessoas. E o governo também se beneficia, pois, em cada interação, será cobrado um imposto, mas que depois volta (ou deveria voltar) pra sociedade. E, somando tudo isto num ano, temos um indicador importante desta movimentação econômica, valor este que é usado para compor o PIB (Produto Interno Bruto) do País. Parece uma maravilha, não é!? Mas haverá muitas pessoas insatisfeitas achando defeito neste sistema. Porém, o que elas não sabem, como veremos a seguir, num sistema socialista é muito pior. Além disso, não podemos confundir defeitos do sistema com defeitos humanos.

Num País socialista, esta dinâmica toda não acontece. Como o Estado socialista controla tudo, não há iniciativa privada para gerar aquela multiplicidade de atividades. Nas questões básicas o Estado garante, mas ele não tem a mesma preocupação e nem criatividade para gerar outras atividades, que possibilitaria uma vida social mais diversificada e interessante. O cidadão, empregado do Estado, recebe seu salário e vai, por exemplo, a um açougue ou uma padaria, que são também do Estado, compra alguma coisa, e esta parte do salário volta pro Estado. Ou seja: seu dinheiro não circula, como aconteceu naquele exemplo do País capitalista, onde 5 pessoas se beneficiaram. No socialismo, a troca de dinheiro entre as pessoas pode até ocorrer, mas seria ocasional e em pequenas quantidades sem caracterizar comércio, pois esta é uma sociedade onde as sobras dificilmente existem.

As trocas sistemáticas de dinheiro entre pessoas e num nível acentuado, seria considerado uma atividade comercial capitalista condenável. Caso ocorresse, certamente cairíamos numa distorção do sistema: os mais "espertos" poderiam ficar ricos, gerando uma desigualdade social e ferindo de morte o princípio da igualdade. Note que uma sociedade socialista é muito menos dinâmica que a capitalista, ou seja, mais estática e com menos opções, e, portanto, mais pobre. É bom ressaltar que estas considerações valem para um País socialista, como Cuba e a Coreia do Norte, não valendo para China uma vez que ela virou uma miscelânea entre capitalismo e socialismo. A bem da verdade, recentemente Cuba fez pequenas concessões capitalistas no comércio (por exemplo: pizzarias), mas este ainda está muito tímido.

Vemos que no capitalismo, as alternativas são bem variadas e em diversos níveis, e os cidadãos livres pra escolher, mas, o que conta muito, é a disposição para procurar aquela onde pode se encaixar melhor. E para aqueles que acreditam em discursos fantasiosos, temos a opção socialista, com bem menos alternativas e a níveis bem baixos, mas, com os cidadãos tutelados pelo Estado. E quanto a qualidade do ser humano nesta história toda? Bem, ai dá empate, pois têm pessoas boas, ruins e espertas nos dois sistemas.

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