| Aceituno Jr. |
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| Francisco Novelli Junior foi surpreendido pelo aumento no número de pernilongos em sua casa |
Eles já estão com as asinhas de fora, literalmente, incomodando muita gente por aí. No verão, a visita desses pequenos alados, conhecidos popularmente como pernilongos, já é aguardada. No entanto, os bauruenses vêm sentindo que, neste ano, eles chegaram em maior quantidade e incomodando muito mais.
"Era raro ver um pernilongo dentro da minha casa. Não sei o que aconteceu. De uma semana para outra, está infestado", comenta o morador do Parque Santa Cecília, Francisco Novelli Junior, 35, que quase não para em casa, mas, assim que chega, já é recepcionado pelos "hóspedes indesejados".
"É bem no meu horário de descanso que eles mais me incomodam. Principalmente, na hora de dormir, por causa do zumbido. Eu nunca precisei de inseticidas em casa. Agora, a cada vez que vou no mercado, estou comprando quatro aerossóis para ver se dou um jeito", comenta o autônomo.
Do outro lado da cidade, na Vila Aviação, a pequena Maria Alice da Silva, de 3 anos, também sofre com os ataques dos pernilongos. "Ela coça a ponto de sangrar. Aí fala: 'mamãe, quem fez o dodói foi o pernilongo'", comenta a mãe da pequena, Thais Lopes da Silva, de 31 anos.
Para evitar os transtornos com os insetos dentro de casa, Thais se previne fechando as janelas no início da tarde e utilizando raquete, repelentes sonoros - que não têm veneno -, além de aplicar loção antimosquito nos braços e pernas da filha. "Tenho cuidado com as picadas, mas me preocupo para não aplicar nada muito forte", comenta a gastrônoma.
O incomodo também chegou pelas bandas da Vila São Francisco e, por lá, a reclamação é ainda maior. "Tem um terreno de mato alto em frente à minha casa. Isso já chama muito mosquito e pernilongo para dentro de casa, mesmo eu limpando todos os dias o meu quintal. Para piorar, tem quem jogue lixo no terreno", conta Vanessa Aparecida Rodolfo, de 37 anos.
Na casa da auxiliar administrativa, as janelas também ficam fechadas para evitar a entrada desses intrusos. "Também uso repelentes e inseticidas elétricos para a tomada, porque, sem isso, não temos como conter. São muitos", afirma.
'BANQUETE'
Com hábitos distintos do Aedes aegypti, que gosta de água limpa, o pernilongo está se esbaldando com o sol forte, próximo às regiões de rio, córregos e pelos lixos da cidade. "As condições climáticas e rios menos caudalosos dentro da cidade favorecem a procriação", afirma Adriano Mondini, doutor em Ciências da Saúde e professor de Saúde Pública na Unesp de Araraquara.
Desse jeito, não param de chegar esses penetras que querem entrar de bicão na festa em que só eles se fartam de beber. "As fêmeas consomem poucos microlitros de sangue em cada picada para a maturação dos ovos. O Culex (mosquito doméstico tropical) necessita de uma longa picada e o Aedes aegypti costuma continuar picando, mesmo já estando com os ovos maturados", comenta o professor.
Já os machos não sugam o sangue, portanto eles correm menos risco de serem mortos a chineladas. Mesmo assim, também propagam o zunido irritante que não deixa muita gente dormir em paz - como o Francisco, do começo da matéria. "O barulho é o resultado, audível, da frequência do batimento das asas, que pode chegar até 1000 batidas por segundo", explica o professor.
CUIDADOS
Mesmo que os inseticidas e repelentes sejam utilizados como aliados contra os pernilongos e Aedes aegypti, o professor Adriano faz um alerta. "Eles têm algum grau de eficácia, com certeza. Os para a pele, com icaridina, são muito bons, mas temos que tomar um certo cuidado em relação ao uso dessas substâncias. Porque nós temos outros organismos dentro da nossa casa, como animais e outros insetos que ajudam na prevenção. É um cuidado importante com a saúde e com o meio ambiente".
O professor Adriano ainda tem uma dica para quem mora próximo a criadouros naturais, como rios e terrenos com mato. "Nessas situações, é indicado que se impeça a formação de novos criadouros pela ação humana e que se vedem as janelas, o que colabora muito para que os insetos não entrem na casas", conclui.
De olho neles...
| Aceituno Jr. |
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| Roldão Neto explica que a Secretaria de Saúde checa denúncias de criadouros |
Além do incômodo causado tanto pelo barulho e quanto pelas picadas, a principal preocupação da população é com as doenças como a zika, dengue, chikungunya e febre amarela, que podem ser transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
Em Bauru, de acordo com o chefe da seção de Meio Ambiente da Divisão de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde, Roldão Neto, até o momento, já foram registradas seis denúncias de possíveis criadouros para o mosquito Aedes aegypti na cidade. "No ano passado, ao todo, recebemos 140 reclamações relacionadas à presença de criadouros, de Aedes aegypti e pernilongos. Além de receber as ligações dos moradores, também executamos o trabalho de rotina, que é uma demanda interna", comenta.
Para auxiliar nesse trabalho da Divisão de Vigilância Ambiental, os munícipes são convidados à denunciar locais que sejam possíveis criadouros pelo telefone (14) 3103-8050. "Enviaremos uma equipe de controle de dengue para avaliação do local", conclui Roldão Neto.
Você sabia?
Os pernilongos são atraídos pelos odores liberados pelo corpo, pois possuem receptores químicos olfativos, localizados principalmente nas antenas. Os repelentes bloqueiam esses receptores, confundindo a espécie. Por isso, substâncias aromáticas como cravo, canela e citronela são eficazes.

