Madri - O ex-presidente catalão, o separatista Carles Puigdemont, pode tentar retornar a Barcelona para ser reempossado após o Tribunal Constitucional ter negado no sábado (27) a possibilidade de que ele assuma um governo a distância.
Puigdemont está foragido em Bruxelas desde outubro, quando desafiou as autoridades espanholas e declarou a secessão catalã unilateralmente. Ele é acusado de rebelião e sublevação.
Seu governo foi dissolvido por Madri, que antecipou as eleições para 21 de dezembro no intuito de resolver a crise. Porém, partidos independentistas voltaram a ter maioria no Parlamento, com 70 assentos de um total de 135.
Puigdemont foi mais uma vez indicado como candidato, e a cerimônia de voto e posse está prevista para hoje. Ele propunha assumir o cargo a distância, mas o Tribunal Constitucional descartou essa opção.
A corte decidiu que Puigdemont tem de comparecer ao Parlamento com "autorização judicial prévia", que também precisa ser pedida pessoalmente. É possível que ele seja detido quando se apresentar ao juiz.
"Se o juiz Pablo Llarena permitir, Puigdemont irá voltar e apresentar seu plano de governo", afirmou um porta-voz do Juntos pela Catalunha, a formação do separatista.
Ele é o único candidato apresentado pelos secessionistas, o que significa que, se não puder tomar posse, o calendário legislativo dessa região pode ser postergado ainda mais --incluindo a possibilidade de novas eleições.
Apesar de as forças separatistas insistirem em que Puigdemont deve ser seu próximo presidente, já há vozes sugerindo a substituição.
"Se nós tivermos que sacrificar Puigdemont, teremos que fazê-lo. Não houve patriotas ao longo da história que tiveram que se sacrificar para continuar a avançar?", disse Joan Tardà, da Esquerda Republicana, partido separatista aliado ao do ex-presidente, durante uma entrevista ao jornal "La Vanguardia".
Autoridades espanholas, por sua vez, têm demonstrado sua resolução de impedir o retorno e a posse de Puigdemont. "O governo precisa usar todas as ferramentas legais para garantir que um fugitivo não tome posse", disse a vice-primeira-ministra espanhola, Soraya Sáenz de Santamaría, do governista Partido Popular.