Uma investigação por parte do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de um esquema criminoso que estava obtendo medicamentos de alto custo de origem ilícita (produto de furto, roubo e desvio de órgão público) para, em seguida, por meio de empresas de fachada, promover a venda desses medicamentos a clínicas, hospitais e outros estabelecimentos de saúde, resultou, na manhã desta quarta-feira (31), em ordens de buscas, prisões e sequestro de bens. Elas foram cumpridas em oito localidades distintas, situadas em quatro unidades da Federação: Bauru, Araraquara, Guarulhos, Osasco, São Paulo, Brasília-DF, Colatina-ES e Goiânia-GO.
O Procedimento Investigatório Criminal foi instaurado pelo Gaeco em 2015. Na ocasião, o Ministério Público constatou que as vendas eram realizadas por meio de escritório sediado na cidade de Bauru, onde inclusive atuavam os líderes da organização. Os medicamentos comercializados eram obtidos junto a pessoas físicas, e não perante distribuidoras regularmente autorizadas, razão pela qual não estavam sujeitos à atividade do órgão fiscalizador, responsável por garantir a qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos, que muitas vezes precisam de armazenamento com controle de temperatura.
Essa investigação, que perdurou em torno de um ano, permitiu o oferecimento de denúncia contra 15 pessoas, residentes nas cidades de Piratininga, Bauru, São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e Goiânia.
Ocorre que, a partir de novos elementos de prova, obtidos por meio de cumprimento de mandados de busca, com arrecadação de diversos documentos, computadores e celulares; laudos periciais dos bens eletrônicos apreendidos; documentação encaminhada por empresa de factoring; colaboração premiada; provas fornecidas pelos colaboradores; apoio, relatório e documentos encaminhados pela Corregedoria Geral da Administração; novo Procedimento Investigatório Criminal foi instaurado no ano de 2017, visando a identificação de outros integrantes do mesmo grupo criminoso.
O exame desses novos elementos de prova reunidos permitiu a identificação de outros 11 membros da mesma organização criminosa, sendo certo que 10 deles ocupavam a função de fornecedor de medicamentos de origem ilícita; enquanto o outro membro ocupava a função de contador.
Com o delito, os acusados obtiveram faturamento total de R$ 8.217.534,34, no período de setembro/2014 a outubro/2015. Já no período de novembro/2015 a maio/2016, o faturamento total foi de R$ 8.294.888,87.