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Saúde gera suspensão do Bolsa Família de 4,5 mil

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Priscila Pitta é a coordenadora do Bolsa Família em Bauru

O não cumprimento das condicionalidades do Bolsa Família na área da saúde fez com que mais de 4,5 mil famílias perdessem temporariamente o benefício em Bauru. O número representa quase 40% dos inscritos no programa de transferência de renda do governo federal.

Só no primeiro semestre do ano passado, 4.513 das 11.485 famílias tiveram o benefício suspenso por infringirem as regras no âmbito da saúde. Entre as condicionalidades está comparecer semestralmente justamente a uma unidade de saúde.

"Não é uma exigência difícil de cumprir e os órgãos estão sempre entrando em contato com os beneficiários para tentar despertar a importância deste acompanhamento. Tanto a Secretaria Municipal de Saúde quanto a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) fazem um trabalho intensivo, mas há quem resista em cumprir as regras", alega a assistente social Priscila Pitta, coordenadora do Cadastro Único e do Programa Bolsa Família em Bauru.

As condicionalidades, ela explica, valem para crianças com até sete anos de idade e mulheres de 14 a 44 anos. A carteira de vacinação dos pequenos também precisa estar em dia e gestantes devem realizar todos os pré-natais.

Em 2016, 44% das famílias tinham perdido temporariamente o direito de receber o benefício.

"Não é uma estatística exclusiva de Bauru. Isso ocorre no País inteiro", acrescenta. No entanto, quando a bolsa é suspensa, segundo Priscila, normalmente os beneficiários se apressam para regularizar as pendências.

Antes da suspensão, eles recebem uma advertência e, 30 dias depois, o valor é bloqueado por até 30 dias. Caso continuarem descumprindo os critérios exigidos, ocorre a suspensão por 60 dias.

"Diferentemente do bloqueio, que permite a retomada do benefício a qualquer tempo, a suspensão é cumprida integralmente, independentemente de a família voltar a se enquadrar nas condicionalidades", esclarece a coordenadora.

EDUCAÇÃO

A regra vale também para a educação, já que o programa exige que os filhos estejam matriculados na escola e tenham ao menos 75% de frequência nas aulas, se tiverem mais de 15 anos, e 85% para crianças com até 14 anos de idade. Mas, diferentemente das exigências na área da saúde, quando se trata de garantir os estudos da garotada, o índice de problemas é menor.

De acordo a Sebes, neste caso, o benefício foi retirado temporariamente de 251 famílias de Bauru no ano passado, quantidade inferior à totalizada em 2016, de 340 famílias. Em 2017, outras 28 conseguiram sair da condição de vulnerabilidade e, com o ganho de renda, foram retiradas no programa.

"Apesar de o número ser pequeno, ele vem crescendo anualmente, já que, num passado recente, não passava de duas a três famílias. Este montante, porém, considera apenas os beneficiários que pediram o desligamento voluntariamente, já que as exclusões a partir das atualizações anuais dos cadastros é feita diretamente pelo governo federal, trâmite a que a Sebes não tem acesso", acrescenta.

Atualmente, podem receber o beneficio famílias com renda mensal de até R$ 170,00 per capita, desde que tenham em sua composição gestantes e crianças ou adolescentes entre zero e 17 anos.

Fraude

A investigação sobre fraudes no Programa Bolsa Família, iniciada pelo Ministério Público Federal (MPF) em agosto de 2016, resultou na exclusão de 452 beneficiários de Bauru, 11 deles no ano passado. Conforme o JC divulgou em primeira mão, à época, as apurações abrangeram 1.054 moradores da cidade, cujos CPFs apontaram que seriam falecidos, empresários, doadores de campanha eleitoral ou servidores públicos.

O inquérito foi instaurado por recomendação do MPF em Brasília, com o objetivo de identificar a existência de pagamentos sem que o beneficiário preenchesse o requisito legal de renda per capita. A iniciativa, que recebeu o nome de projeto "Raio-X Bolsa Família", teve abrangência nacional.

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