| Malavolta Jr. |
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| Nildo Ouriques é pré- candidato a presidente pelo PSOL e esteve ontem na cidade e no Café do JC |
O professor de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Nildo Ouriques esteve nessa sexta-feira (2) em Bauru, onde cumpriu agenda durante todo o dia. Ele é pré-candidato a presidente da República pelo PSOL e busca consolidar seu nome dentro do partido, uma vez que a definição do candidato deve ocorrer em março.
Nildo Ouriques concedeu entrevista no Espaço Café com Política do JC, no período da tarde, e à noite fez palestra na subsede da Apeoesp de Bauru. Ele veio acompanhado do presidente local do partido, o ex-vereador Roque Ferreira, e militantes. O discurso do PSOL é pela ruptura do atual sistema político nacional.
De acordo com o pré-candidato, tanto o PT quanto o PSDB não oferecem condição de propor mudanças estruturais, e já demonstraram isso nos últimos 25 anos. Ouriques ainda afirma que outras possíveis candidaturas, como de Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSC), também não vão propor a mudança necessária, e que o PSOL pretende se aliar ao PCB e ao PSTU. "Caso a gente vá ao segundo turno, queremos ampliar uma frente de esquerda, socialista, dentro das nossas propostas. Se a gente não for ao segundo turno, vamos votar nulo, porque nenhum nome vai fazer as mudanças que defendemos para o Brasil, como já fizemos na outra eleição", afirma.
O PSOL tem outros nomes como pré-candidatos, como Plínio de Arruda Sampaio Jr., Sônia Guajajara e até mesmo Guilherme Boulos, do MTST, que não é filiado ao partido, mas tem o nome defendido por alguns setores da legenda. Abaixo, os principais trechos da entrevista com Nildo Ouriques ao JC:
CANDIDATO
"Até 2014 a gente não vivia uma crise terminal do sistema político. Se fosse em 2014, não lançaria meu nome. Estou filiado ao PSOL desde o ano passado, se o momento do País não tivesse como agora, eu não estaria na vida partidária. Foi isso que me motivou a sair um pouco da vida universitária para buscar a construção de uma candidatura. Participei do combate à ditadura e da fundação do PT, e agora temos que fazer um combate pela crise que está aí. Estamos correndo o Brasil, estou de férias da universidade e fui para Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, estou viajando em vários estados."
ECONOMIA
"O eixo que ordena o debate é o colapso do sistema político, porque ninguém se sente representado. Isso transita para uma consciência crítica. Na economia, quando a gente fala de uma disputa de classes, é porque estamos vendo agora a concretização do Plano Real, implantando em 1994. Mais do que promover uma estabilidade do País, agora o Plano Real mostra a que veio, cuja consequências são a estruturação de um capitalismo rentístico. Latifundiários, industriais, comerciantes, todos ganham muito mais com a especulação do que com a produção. Os grandes comerciantes ganham mais com o lucro não operacional do que com o operacional. Ganha-se muito mais com o crediário do que com o produto. Então existe uma grande especulação, algo sequer produtivo. Isso vai aparecer para nós com a dívida pública. Na economia, ainda sofremos com uma brutal dependência de produtos estrangeiros, e estamos com uma economia que ainda se baseia na exportação de grãos e minérios, com o agravante de provocarem um dano ambiental, e com pouca produção acadêmica."
RUPTURA
"Uma candidatura que expressa o radicalismo agora é necessária. Porque a situação é extrema. Políticos como Lula, Ciro Gomes ou Alckmin não vão poder chegar aqui e falar que vão ampliar saúde, educação, cultura, porque tudo está sendo tirado do povo, e eles não propõe nenhuma mudança estrutural. Então, só tem um jeito, que é suspender o pagamento da dívida pública e fazer uma auditoria. Não dá para atender a dois senhores, atender ao rentismo e as demandas sociais ao mesmo tempo. É uma ou outra. A Dilma pautou e o Temer está fazendo o fim da seguridade social e dos direitos trabalhistas, com o congelamento por 20 anos dos investimentos públicos. A pauta liberal não vai resolver, é necessário romper com o sistema para mudar. Eu diria que hoje, o liberalismo perdeu o encanto."
LULA E BOLSONARO
"O Lula é um líder eleitoral, que lidera pesquisas, mas não um líder popular. O PT não mobilizou o País nem quando a Dilma estava sendo destituída, o que não é pouco. Hoje, o Lula teria que chamar a imprensa e falar que vai enfrentar o Judiciário. Mas para isso teria que enfrentar o sistema. O bordão criado pelo PT de que "eleição sem Lula é fraude" durou como um sorvete sob o sol, porque se eles participarem da eleição estarão aceitando uma fraude como o partido mesmo definiu. O PSDB também está em meio a casos de corrupção, e o Ciro Gomes foi o responsável pela alta taxa de juros quando foi ministro do Itamar Franco . Então, uma candidatura do PSOL é viável, queremos reconciliar as pessoas com a política de verdade, e deixar estabelecido que petistas e tucanos são cúmplices dessa crise, foi um sistema que fracassou. E o Bolsonaro prega a antipolítica, mas já está começando a se desgastar. Não tem mais saída, o PSOL tem que disputar dentro do sistema, contra o sistema que está aí hoje."
Em Bauru
O PSOL de Bauru busca a construção de nomes para ter candidatos a deputado federal e estadual, comenta o presidente local Roque Ferreira. Ele mesmo, que foi vereador por oito anos, entre 2009 e 2016, e concorreu a deputado federal em 2014, pretende ser candidato novamente ao mesmo cargo. Para deputado estadual, o partido ainda deve discutir um nome para esta eleição.
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