| Douglas Reis |
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| Médico oncologista em Bauru, Marcelo Bernardini Antunes |
Luta, desmistificação, convivência e cura do câncer têm duas frentes na medicina que trazem maior alento aos pacientes, uma delas, recente: a adoção de tratamentos complementares, alternativos aos métodos tradicionais como quimioterapia e radioterapia surge, assim, como resposta concreta das pesquisas à convivência "saudável" e busca da cura da doença.
Em Bauru, Marcelo Bernardini Antunes, médico oncologista que atua no Hospital Estadual (HEB) e cuja ação integra a Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer, tem na imunoterapia e na adoção de drogas do tipo anticorpos monoclonais duas frentes com resultados promissores. Em tempo: hoje é o Dia Mundial do Câncer.
O serviço traz em seu conteúdo a expectativa em torno da busca de qualidade de convivência com a doença ao longo do tratamento e, claro, a esperança de, no mínimo, prolongar a vida e, quiçá, obter a cura.
Uma frente de ação, a imunoterapia contempla a adoção de tratamento que "hiper-fortalece a capacidade orgânica de resposta do organismo acometido pela doença". Em outra frente, a adoção de drogas "ataca" diretamente as células cancerosas.
"A imunoterapia é um tratamento antigo, mas que agora está resgatado. O tratamento consiste no próprio estímulo imunológico, ou seja, a defesa da pessoa em poder atacar o câncer. Quem vai destruir o tumor é a própria defesa do organismo", diz o profissional.
"Nos casos de melanoma ou linfoma de Rodikins, onde você não tinha a opção de tratamento e fazia transplante e uma série de quimioterapias e drogas fortes, agora é possível atuar com a imunoterapia. Isso é feito por um tempo para que o próprio sistema imunológico combata o tumor", explica.
Na visão de Antunes, a alternativa tem revolucionado o tratamento. "Ela age nos linfócitos, as células de defesa, entre outros sistemas. Então se você tem o sistema ativado, essa droga multiplica essa ativação e essa defesa leva à destruição das células".
Ele detalha: "O sistema imunológico reconhece a célula tumoral como não benéfica no organismo e destrói a célula. É revolucionário porque é uma reação muito inteligente de adaptação do organismo humano contra o tumor".
Na imunoterapia usa-sem vários medicamentos, como os da moderna classe dos imunoterápicos já aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
"Temos o uso de drogas do tipo nivolumab, e outros, onde há aprovação para cinco classes de tumores que vão desde linfomas a melanomas, câncer de pulmão, rim, de cabeça e pescoço. É importante que para alguns tumores esse tratamento não vai dar cura, mas vai trazer uma sobrevida ao paciente com qualidade".
Motivo: com essas drogas não cai cabelo, não há vômito e, por isso, garante-se muito mais qualidade de vida ao paciente durante o tratamento. "Existem outros efeitos colaterais, mas de muito menor impacto que a quimioterapia, por exemplo", posiciona.
ANTICORPOS
O combate, e até extermínio, das células "defeituosas" que conseguem se multiplicar e formam o câncer no organismo, tem como outro aliado fundamental o tratamento com drogas do tipo anticorpos monoclonais. Diferente da imunoterapia, onde o organismo é chamado a "atacar" o tumor, os anticorpos ativos atacam diretamente o "corpo estranho".
"No caso do câncer de mama, a droga aprovada recentemente para o cenário de doença avançada, já com protocolo no sistema público do Estado de São Paulo, é uma droga que aumentou em muito a sobrevida, com qualidade, dos pacientes. E aumentou também a classe de cura", aborda o oncologista. Essa droga já é bastante utilizada no sistema privado.
Ou seja, essa classe de medicamentos é formada por proteínas produzidas em laboratório por um único clone de linfócitos B - um tipo de célula de defesa. Há prevalência de anticorpos EV (endovenosos), mas existem os de uso oral. "O anticorpo endovenoso reconhece, como se fosse na superfície da célula do tumor, uma peculiaridade, uma marcação. E ele vai direto nisso. Ele se liga a isso, como se fosse uma chave-fechadura, e a destrói", explica o médico.
"São dezenas de drogas aprovadas nos últimos anos para esses tipos de tratamento. É uma revolução na oncologia. O resultado mostra uma sobrevida de 12 meses pulando para 30 meses. Um tumor que tinha uma taxa de 50%, ele fez pular para 80%. De 10 pacientes, 5 eram curáveis. Com a introdução desses tratamentos, sobretudo o que usa anticorpo monoclonal, você vê a taxa de resposta aumentar para 80%. E isso somente nos últimos 10 anos", comemora.
Você sabia?
O desenvolvimento da oncologia, sobretudo nos últimos 10 anos, é o elemento que mais traz otimismo a médicos e pacientes
