Regional

Motoristas cruzam os braços por salários e 1,5 mil ficam sem transporte

Lilian Grasiela e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Elton Laud/Jornal O ECO
Motoristas da empresa que opera o transporte circular em Lençóis não saíram nessa terça-feira (6) da garagem

O atraso no pagamento dos salários fez com que motoristas da empresa concessionária do transporte público de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) cruzassem os braços nesta terça-feira (6). Com isso, cerca de 1,5 mil pessoas que dependem do serviço foram prejudicadas. A prefeitura disse que o contrato de concessão foi suspenso e que irá recorrer à contratação emergencial de nova empresa para restabelecer o transporte circular em até 48 horas.

A paralisação ocorreu logo pela manhã. Além de ônibus que transportam passageiros na cidade e em outros três municípios da região, deixaram de circular veículos que prestam serviços para três grandes empresas.

Uma delas, é a Zilor Energia e Alimentos, que possui unidades em Lençóis Paulista, Macatuba e Quatá. "A Zilor está adotando providências para o transporte de seus colaboradores às unidades, visando não afetar as suas atividades empresariais", declarou por meio da assessoria.

Segundo o Sindi­cato dos Condutores de Veículos e Trabalhadores em Transportes Rodoviários, Urbanos e de Passa­geiros de Lençóis Paulista (Sincovelpa), a Eliz Line possui atualmente 126 funcionários e 45 veículos em operação.

O presidente da entidade, José Pintor, conta que problemas financeiros levaram a empresa a atrasar o salário de dezembro. "Eles fizeram um adiantamento de 60% no final de dezembro", diz. "No dia 7, novos empresários assumiram".

De acordo com Pintor, logo após a mudança no comando, os novos diretores fizeram um acordo com os funcionários para pagar os 40% restantes de dezembro no quinto dia útil de fevereiro juntamente com o salário do mês de janeiro.

"Ontem (na segunda-5), veio um representante da empresa, se reuniu com os funcionários e disse que iria pagar o restante do salário de dezembro e apenas 45% do salário de janeiro hoje (ontem) e, até o dia 20, saldaria o restante", revela.

O presidente afirma que a nova proposta foi aceita pelos trabalhadores. Contudo, ontem, apenas o saldo de dezembro foi depositado. "A empresa foi pagar os 45% relativos ao salário de janeiro, houve bloqueio e não caiu na conta", declara.

Os motoristas, então, decidiram paralisar as atividades deixando cerca de 1.500 usuários da cidade sem transporte público. Segundo Pintor, representante da Eliz Line teria anunciado ontem o encerramento das atividades em Lençóis Paulista.

A reportagem ligou diversas vezes para o número de telefone que consta no site da empresa, mas a linha só dava sinal de ocupado. 

EMERGENCIAL

Em nota, a Prefeitura de Lençóis Paulista informou que "a causa da paralisação está relacionada a motivos estritamente ligados a acertos firmados entre o empregador e seus empregados" e que, desde 2017, não tem medido esforços para evitar que a população ficasse um dia sequer sem transporte público.

Segundo o Executivo, o serviço deverá ser restabelecido em até 48 horas. "Membros do departamento jurídico e departamento de trânsito foram até a empresa para fazer um termo a fim de suspender o contrato de concessão para viabilizar uma contratação emergencial de outra empresa", declara.

Ainda segundo o município, os problemas na prestação dos serviços são denunciados por usuários há tempos e a empresa teve todas as oportunidades previstas em lei para adequação. "Infelizmente, as oportunidades não foram aproveitadas e a população acaba sendo a maior prejudicada", afirma.

MULTA

A prefeitura revela que, em razão do frequente descumprimento de cláusulas contratuais, a Eliz Line foi notificada para fazer as adequações necessárias e chegou a firmar um acordo com o município, mas as reclamações dos usuários continuaram.

"A prefeitura realizou fiscalizações do serviço e confirmou a ocorrência do que era apontado pelos lençoenses, problemas como atrasos, falta de ônibus nas linhas, junção de linhas e criação de novos itinerários não previstos no edital de licitação", conta.

"Diante da situação, foram acionados os mecanismos legais previstos. Novamente os requisitos formais foram respeitados e foi dado um prazo para que a empresa se manifestasse. Como não houve resposta, foi aplicada uma multa de R$ 125 mil".

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