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| Gazzetta durante entrega de escrituras no Jardim Olímpico |
A perspectiva de queda nos rendimentos em aplicações financeiras na Funprev (Fundação de Previdência Municipal) em 2018, em razão da redução na taxa de juros no País (Selic), em andamento, deve pressionar as contas, com efeito, sobre o repasse adicional da Prefeitura de Bauru para o órgão (aporte). Além disso, a diminuição no número de reposição de servidores, em razão da administração municipal estar fora do estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), também incidirá sobre o cálculo atuarial (que referencia valor anual do aporte).
A avaliação já havia sido apresentada pelo especialista em cálculo atuarial Luiz Cláudio Kogut, em reunião com a administração da Funprev, membros do comitê de análise de investimentos do órgão e conselheiros, além de membros do governo local, no fechamento de 2017.
A reunião na sede da superintendência do Banco do Brasil integrou calendário de avaliações da situação previdenciária no município. O relatório do cálculo define o comportamento do sistema e referencia qual o valor adicional no orçamento municipal tem de ser destinado para cobrir as contas (aporte). Mesmo com rentabilidade, em 2017, o caixa da Funprev começou a usar recursos extras para honrar despesas.
"Nós fizemos uma avaliação ainda conservadora, trabalhando com perspectiva de queda na taxa de juros para 5,5%. O mercado indica que esse índice tende a ser menor. Isso implica em cenário de menor rentabilidade nas aplicações financeiras, modificando significativamente o que vem sendo obtido como resultado da meta atuarial até este momento. Como o caixa já começa a utilizar valor de rentabilidade nas aplicações para pagar despesas com aposentadorias e pensões, isso implica em aumentar o aporte para 2018", aponta Kogut.
Outro indicador incidente sobre as contas é a taxa de reposição de servidores. O relatório menciona que de 2010 a 2016 as despesas com previdência em Bauru tiveram entrada de mais 901 servidores para a inatividade, contra a contratação de 557 pessoas. O impacto de 61,8% reflete sobre as contas.
O raciocínio objetivo é o de que essa tendência aumenta o valor gasto com benefícios e, do outro lado, a receita cresce em percentual menor. Além do mais, a Prefeitura não pode contratar mão de obra, a não ser em situações especiais como para reposição na saúde, em educação e por morte. Motivo: a administração excedeu o limite previsto em lei federal (LRF).
O resultado inserido no relatório do cálculo atuarial reflete no Orçamento municipal. Aumento de aporte significa ter de deslocar recursos do orçamento para cobrir a diferença na conta previdenciária. Na atual circunstância, retirar recurso do orçamento é medida difícil de ser implementada. Basta lembrar que a Prefeitura tem dificuldade em conceder reajuste da reposição da inflação anual. Em 2017, as receitas cresceram municipais 3,5%, mas as despesas do governo aumentaram 9,3%.
NÚMEROS
O período analisado traz que a administração municipal de Bauru tinha 6.047 servidores em 2010, contra 6.604 em 2016. Mas o número de inativos saiu de 2.114 para 3.015. Na média, até este momento, o comportamento está dentro da normalidade.
Ou seja, Kogut ponderou que a boa rentabilidade das aplicações obtidas pela Funprev no mesmo período ajudaram a equilibrar. De outro lado, o aumento no pagamento de benefícios acumulados pelo PCCS, sobretudo na educação e saúde, após cinco anos de aplicação da lei, também passam a incidir sobre o sistema.
Os conselheiros mencionaram ocorrência de conquista dos benefícios associada a pedidos de aposentadoria logo na sequência. Essa ocorrência, já detectada pelo governo, também reflete no caixa da fundação. De qualquer forma, como o caixa da Funprev conseguiu capitalizar em seu histórico, a avaliação atual é de solvência.
No relatório apresentado na reunião também constam dados como o crescimento da despesa com folha de pagamento no governo Rodrigo Agostinho. Em 2010, a despesa com funcionalismo era de R$ 12 milhões/mês. No ano passado, o valor foi de R$ 22,93 milhões. Agora, contabilizando todas as despesas com pessoal, o item 'pessoal' consome em torno de R$ 30 milhões/mensais. De outro lado, a despesa com inativos saiu de R$ 3,8 milhões em 2010 para R$ 10,4 milhões em 2016. O crescimento foi de 167,3% com previdência, contra 90,9% de aumento no gasto com servidores ativos.
Aplicações já ‘salvam’
Os rendimentos da Funprev foram decisivos para que a entidade fechasse a folha de pagamentos dos aposentados e pensionistas. Em ofício enviado à Câmara Municipal em novembro passado, com o relatório de receitas e despesas do mês anterior, o presidente da Funprev, Donizete do Carmo dos Santos, aponta que R$ 2.304.870,56 foram pagos usando rendimentos financeiros.
Isso porque a Funprev teve receita de R$ 11.116.713,60, que vieram de contribuições e aportes, enquanto a despesa para o pagamento dos aposentados e pensionistas foi de R$ 13.421.584,16. Portanto, foi necessário usar recursos dos rendimentos da carteira de investimento para fechar o mês. Atualmente, a Funprev tem saldo de mais de R$ 500 milhões em vários tipos de aplicação no mercado financeiro.
O mesmo documento enfatiza que no próximo cálculo atuarial poderá ser necessário mais aporte financeiro por parte dos órgãos para cobrir déficit.
Entre os motivos do desequilíbrio, segundo a Funprev, estão o a transformação de abono salarial em vantagem pessoal, com benefício previdenciário; a criação da ATP para diretores de escola; e a falta de reposição de pessoal ativo, que podem resultar em desequilíbrio financeiro e atuarial a curto prazo, enfatiza a Funprev no material.
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