Vagabundo. No dicionário, a palavra tem como definição, entre outras, aquele que age de má fé, é desonesto, malandro e vadio. E como muitos já sabem, um vereador usou esse termo para se referir a funcionários públicos durante sua fala na primeira sessão da Câmara de Bauru. Na visão do vereador, a culpa de determinados problemas da cidade é devido a "funcionários vagabundos".
Imagine um médico em um hospital público com uma demanda enorme, tendo que decidir, por falta de recursos, a quem vai atender e quem certamente irá morrer. No mesmo sentido, um policial rodoviário (sem recursos, com quadro reduzido) tendo que decidir qual acidente de trânsito ou chamada irá atender e como deixará o posto policial sem ninguém.
Nesse sentido, como um funcionário público pode exercer sua função com excelência se não lhe são dadas as ferramentas necessárias? Como o funcionário público pode atuar de maneira eficaz se não são adotadas políticas públicas de incentivo e valorização?
Será que a ineficiência está localizada no servidor ou em quem decidiu as políticas públicas, dirigiu fluxo de recursos públicos e é responsável pela direção da máquina pública? Da mesma forma, se há funcionários que, de fato e comprovadamente, não estejam trabalhando dentro das condições do serviço público, cabe ao administrador adotar as medidas legais para a resolução do problema. Nada de grito, xingamentos ou ironias.
A imunidade de um vereador na tribuna não pode ser sempre a justificativa para o despreparo de quem está ali para representar os interesses e anseios do povo. Fica aqui o meu repúdio à manifestação de raiva e ódio do vereador. Respeito acima de tudo.
Por isso mesmo, deixo minha irrestrita solidariedade a esses trabalhadores que têm dedicado suas vidas servindo a população bauruense e que mesmo diante da falta de política pública adequada vem buscando fazer a diferença.