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Discursos políticos marcam 1.º dia da Sapucaí


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Gabriel Nascimento/Riotur
Paraíso do Tuiuti surpreendeu com tema sobre escravatura

A primeira noite de desfiles na Sapucaí teve carro alegórico emperrado na avenida, imagem do prefeito do Rio enforcado e do presidente em trajes de vampiro. Entre as sete escolas que desfilaram, os destaques foram Mangueira, Paraíso do Tuiuti e Mocidade. As duas primeiras investiram em forte discurso político e fizeram sucesso com o público.

Como esperado e muito falado, a Mangueira fez o desfile de oposição ao atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, que cortou verbas das escolas de samba e de festas de rua do Rio.

Com ares de campeã, a Mangueira saiu da Sapucaí ovacionada pelo público. Os diretores comemoraram o resultado. "Só quem é Mangueira sabe como eu estou me sentindo", comemorou, com águas nos olhos, o intérprete Leandro Santos.

Na mesma linha da Mangueira, o Paraíso do Tuiuti também seguiu na linha de críticas à política. Os temas variaram de racismo e escravidão a leis trabalhistas.

A escola optou por samba-enredo contagiante e fantasias alegres para tratar de temas não tão fáceis de serem compreendidos pelo público. O presidente Michel Temer (MDB) foi representado como um vampiro no último carro alegórico.

Última escola a desfilar, a Mocidade conseguiu manter a plateia animada até o raiar do sol com um desfile bonito e um bom samba, lindamente executado pela bateria. O enredo falava sobre pontos em comum entre as culturas de Brasil e Índia. 

A apuração da vencedora será nessa quarta-feira (14).

CRIVELLA SAIU DO PAÍS

Assunto mais polêmico deste Carnaval, a relação entre o prefeito e a folia continua distante. Ensaiando uma aproximação com a comunidade do samba, Crivella chegou a dizer que iria à Sapucaí, "mas não para sambar".

No entanto, acabou indo viajar. Na sua conta pessoal do Facebook, Crivella justificou sua ausência com uma viagem a Frankfurt, na Alemanha, para conhecer uma agência espacial a fim de reforçar o Centro de Operações do Rio (COR) para cada vez mais oferecer um serviço mais conectado e presente no dia a dia carioca.

O prefeito foi acusado pela comunidade carnavalesca de perseguir a festa num aceno ao seu eleitorado. O maior evento popular do país viu minguar os subsídios dados pela prefeitura nesta edição, Crivella reduziu pela metade os repasses.

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