Quando o governador Pezão diz que faltou ao Rio ter as garantias para deixar de ser capital federal, quando a ocupação desordenada da cidade e do Estado já estava em curso, deve ter lá alguma razão. Quem falhou? Governantes como ele. Quando o presidente Temer afirma que a intervenção federal/militar de agora é extrema, mas necessária, fica a pergunta: não era antes? Quem demorou? Governantes como ele.
Uma vez mais, a população (e isso vale para qualquer cidade) paga o preço da baixa qualidade de administração, algo histórico e recorrente no País. Essa falta de visão e governança certamente tem, em muitos momentos, a ver com a corrupção. Porque dá trabalho corromper e ser corrompido.
É preciso plano, planejamento, estratégia, treinamento, logística, audácia, calculismo, técnica, "timing", talento, comprometimento, coragem e perícia. Tudo aquilo que deveria nortear as ações governamentais pelo bem comum. Ora, se toda uma energia está direcionada para o mal, como é que o bem prevalecerá?
O Rio está fora de controle faz tempo e aqui não se trata de rivalidades do tipo Fla-Flu, Corinthians e Palmeiras, Rio e São Paulo. Torcer pela mínima normalidade na capital fluminense deveria ser a intenção de todos os brasileiros, notadamente dos nossos mandatários maiores.
O Rio é do Brasil. E tem de recuperar patamares aceitáveis de civilidade. Vamos esperar, agora, a atuação do Ministério da Segurança Pública para conferir, de lupa, que iniciativas também poderão ecoar em outras metrópoles que sofrem com a violência, como São Paulo e Belo Horizonte.
E, numa escala contínua, torcer por dias melhores também em Bauru, onde a necessidade de droga rápida todos os dias segue como combustível para a prática de furtos e roubos em qualquer local, cercado esteja ou não.
Ainda mais em ano eleitoral, vamos ouvir falar muito sobre combate à violência. É, inclusive, a bandeira (não branca) de um pré-candidato a presidente que surgiu como salvador da pátria ao estilo Trump. O País não precisa de salvadores: o que se quer são gestores capazes e honestos. Que venha a intervenção do voto consciente.
O autor é editor do JC.