| Samantha Ciuffa |
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| Acolhedores, Hilário e Márcia ajudam crianças a se adaptarem a uma rotina familiar saudável |
| Aceituno Jr. |
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| Fátima explica que droga atua como pano de fundo ao problema |
O amor incondicional e a proteção que os filhos deveriam encontrar nos pais nem sempre é uma realidade garantida aos pequenos. Em Bauru, atualmente, 114 crianças e adolescentes de zero a 17 anos de idade estão em abrigos e famílias acolhedoras depois de terem sido, por decisão da Justiça, afastadas do lar. Destas, 78 foram retiradas de suas famílias de origem por negligência e abandono, que figuram como as principais causas de acolhimento.
"A negligência fica constatada quando há falta de cuidado, de proteção para garantir o acompanhamento de saúde e o desenvolvimento da criança, que fica em situação de risco. Já o abandono é deixar a criança sem a supervisão de um adulto, sem alimentação e os cuidados de que ela precisa", detalha a assistente social Fátima Monari, diretora do Departamento de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), salientando que, em muitos casos, o uso de drogas atua como pano de fundo para a configuração familiar disfuncional.
Por este motivo, há situações em que, segundo ela, a criança permanece por mais de um ano acolhida, aguardando a oportunidade de voltar para casa ou ganhar uma nova família. A primeira possibilidade, contudo, só é cogitada quando os responsáveis conseguem se reabilitar de uma eventual dependência química e quando aderem ao atendimento social e psicológico oferecido pela rede assistencial e de saúde, com o objetivo de tornar o ambiente doméstico um lugar saudável para a o desenvolvimento dos filhos.
Há, ainda, a possibilidade de encaminhar os pequenos para a chamada família extensa, que são os avós, tios ou outros parentes que tenham condições de cuidar da criança. "É o que acontece, de maneira bastante comum, com recém-nascidos", acrescenta Fátima.
O acolhimento temporário junto a outras famílias ou abrigos têm, de acordo com ela, caráter excepcional. Hoje, Bauru conta com seis instituições, que oferecem 120 vagas, e três serviços de famílias acolhedoras, totalizando 45 vagas.
"A legislação prevê que o encaminhamento seja feito, preferencialmente, à família acolhedora. Mas, quando não há vaga ou quando o perfil da criança não se enquadra no perfil da família disponível, é feito o encaminhamento para o abrigo", observa, destacando que a maioria dos acolhidos, hoje, tem menos de 12 anos de idade.
ADAPTAÇÃO
Policial militar da reserva, Hilário Nunes da Silva, 56 anos, decidiu tornar-se um acolhedor há cerca de três anos. Recebendo um auxílio mensal de cerca de R$ 900,00 por criança, sua missão, ao lado da esposa Márcia Bibiana da Silva, 51 anos, é garantir que este momento de transição dos pequenos seja o menos traumático possível.
"Já acolhemos 15 crianças, no total. E, quando não são bebês, sempre buscamos esclarecer que aquela convivência será temporária. Nada é escondido ou acontece de surpresa. A separação nunca é fácil, mas o que nos move é saber que desempenhamos um papel importante na vida delas", destaca.
Desde novembro do ano passado, Hilário e Márcia cuidam de uma adolescente de 15 anos e da filha dela, de oito meses de vida, além de outra menina de 9 anos. Como uma família, eles são responsáveis por levá-las à escola, ao médico e a passeios, bem como dar-lhes roupas, alimento e amor.
"Dos 15, 12 foram encaminhados para adoção. E ajudamos nesse processo de adaptação a uma rotina familiar saudável e feliz. Aos poucos, o casal adotivo inicia as visitas, os passeios, até que a criança esteja preparada e transição completa seja possível", completa.
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Motivos
Os casos de afastamento de crianças e adolescentes por negligência, abandono e responsáveis usuários de substâncias psicoativas são os mais comuns, segundo os dados da Sebes. Menos recorrentes são as circunstâncias de suspeita de abuso (9 crianças), violência (8), situação de rua (4) e pais presos (2).
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Abuso de drogas reduz chances de volta à família
| Malavolta Jr. |
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| Pimentel: “A criança fica exposta a uma situação muito grave” |
Quando os responsáveis são usuários crônicos de drogas, as chances de recuperação no curto prazo são muito pequenas e, por isso, na maioria das vezes, os filhos são encaminhados para a família extensa ou para adoção. É o que afirma o promotor de Justiça da Infância e Juventude Lucas Pimentel de Oliveira, que acompanha e atua em todos os casos de afastamento de crianças e adolescentes do lar.
"A criança fica exposta a uma situação muito grave, com violação a direitos fundamentais, como a vida e a saúde", detalha, apontando que, quando esta condição não é revertida, é inevitável a destituição do pátrio poder.
É o que quase sempre ocorre, por exemplo, com usuárias que acabaram de dar à luz, mas abusaram de drogas durante toda a gestação, sem fazer os devidos exames pré-natais. Nestas circunstâncias, quando nenhum parente demonstra interesse em permanecer com o recém-nascido, o acolhimento é imediato.
"É um caso típico em que o responsável pela criança tem dificuldade de aderir ao tratamento, não trabalha e tem uma vida totalmente desregrada", observa.


