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O NOVO assusta, não é mesmo?

José Antonio Milagre
| Tempo de leitura: 3 min

É muito difícil se pensar em uma nova via em um País com mais de 35 partidos políticos. Se tantos "novos" fizeram o mesmo dos "velhos", é comum o olhar de desconfiança e descrença para tudo. De outra ordem, não há dúvidas que muitos destes partidos foram criados com vistas a usufruírem do Estado e seu suntuoso fundo partidário, dinheiro que escorre e financia aposentadorias, projetos pessoais, corrupção, imóveis e essa cancerosa política que vemos bestializados, composta por politiqueiros profissionais. Só para as eleições de 2018, será mais de R$ 1,7 bilhão autorizado do fundo para campanha, dinheiro esse que, diante da precária fiscalização, longe está de ser aplicado como determina a lei. Dinheiro meu e seu...

Os partidos faturaram pelo menos R$ 720 milhões de fundo partidário em 2017, dinheiro que banca comerciais com preços diferenciados, ações escusas e com destinações pouco transparentes. Muitos destes partidos, paladinos da "nova política", nunca foram capazes de renunciar a este dinheiro público pago pelo cidadão. O resultado é a profissionalização do político. Políticos profissionais, que não trabalham, não tem profissão certa, mas vivem dos fundos, das cotas das assessorias, das costuras, das vendas de apoios, das vendas de legendas, das pastas, de financiar pupilos e tudo o mais que o brasileiro está cansado de saber. Como pode alguém em sua carreira atuar em três ou quatro pastas distintas? Realmente nos admira tanto "conhecimento técnico".

O NOVO realmente surge quando não é formado por político dissidente de outros partidos, mas por empreendedores, pessoas comuns, profissionais liberais. É NOVO quando decide estatutariamente que não vai receber o fundo partidário. Isso mesmo! Se nega a receber o dinheiro do Estado que vem dos nossos impostos! Mais de R$ 4 milhões para ser devolvido ao fundo. Um partido realmente novo só ocorre quando este grupo decide que, se quer participar do processo democrático, deve ser financiado pelos seus membros e não mamar no Estado, membros estes que contribuem mensalmente.

Para ser novo, igualmente, deve ser capaz de pôr fim as danças de coligações e não admitir em seus quadros os "políticos de carreira", interessados só em negociar legenda. Porta fechadas para inúmeros "políticos profissionais tentando entrar". Deve acabar com os "senta em cima", aqueles eternos candidatos, quatro, cinco, seis mandatos, que não abrem legenda a ninguém e ao mesmo tempo se valem da diretoria do partido para se promoverem.

Este "NOVO" não deve admitir candidatos que "pagam mais", "indicações", mas criar um processo seletivo de 5 fases, onde todos são iguais, e qualquer um que tiver condições de ser aprovado é apto a participar de um pleito eleitoral, garantindo assim que investidos de mandatos tenham minimamente condições de compreenderem o peso e as responsabilidades de seus cargos, exterminando os carreiristas políticos.

Não bastasse, se é para ser NOVO, não deve permitir a reeleição e fazer com que seus candidatos assinem um contrato de "compromisso de gestão" para vinculação das propostas e para redução de verba de gabinete, que, se descumprido, é contrato executado em juízo. E é desse jeito, defendendo a redução de impostos, das multas, da burocracia estatal, da farra com o dinheiro publico, as liberdades individuais, o livre mercado, a igualdade, o indivíduo como agente de mudanças, que se deve assentar algo realmente "NOVO" na política, com a consciência de que não se engajar é permitir que o velho use nosso dinheiro para resolver seus problemas.

Por isso, a perspectiva de um "NOVO" tem assustado. Sim, não é fácil para muitos ter que deixar de viver da política e conviver com o desinchado da máquina. É mais fácil dizer: "Cuidado, é o velho com cara de novo" ou "É só mais um". Não nos aquietemos! Para ser NOVO, estes são os requisitos! Devem ser explícitos. Quer saber se o seu partido é novo? O desafie a devolver o fundo partidário e abrir seleção para candidatos... Desafie seu político a reduzir verba de gabinete e o número de assessores... Já é um bom começo.

O autor é advogado, mestre e doutorando pela Unesp.

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