Tribuna do Leitor

Arma para o professor se defender será a solução?

Prof. Joaquim Eliseo Mendes - Membro efetivo da ABLetras
| Tempo de leitura: 3 min

Melhor esclarecendo, será que o professor, o colega americano, terá também que utilizar uma arma para se defender no sacrossanto exercício do magistério na escola? Eu e, sem dúvida, o professor brasileiro - tenho certeza de que serei credenciado - de todos os rincões deste país nos solidarizamos na dor com os familiares das dezessete vítimas do último massacre ocorrido em uma escola de ensino secundário em Portland, Estado da Flórida, Estados Unidos.

Foi graças à proteção divina que o jovem bauruense Roberto Noschese, de 15 anos, que estuda nessa escola, naquele terrível momento, por encontrar-se em um prédio contíguo, saiu ileso. Mas certamente traumatizado... Pois, independentemente de cultura e local, a dor é a mesma para todos na perda de entes queridos. Principalmente nesta terrível circunstância em que crianças e jovens saíram sorridentes e esperançosos de seus lares para irem à escola e não mais retornaram. Destas dezessete vítimas, três eram nossos colegas, cumprindo seus deveres de educar e de criar esperanças para o futuro. Destes, certamente, algum poderá ser pai ou mãe. Faço um parêntesis, e quantos no mundo em idêntica situação? Mas como afirmei anteriormente, seja aluno, pai ou mãe, a dor é a mesma, insuportável e somente o tempo sanará o sofrimento. Esta tragédia de Portland não foi a única ocorrida, pois anteriormente outras já aconteceram em diferentes circunstâncias. E tudo leva a crer que, infelizmente, não será a última que abalará a sociedade americana. No entanto, nenhuma outra desencadeou movimentos e revoltas de alunos como esta. Milhares de alunos saindo às ruas em veementes manifestações, portando faixas e slogans exigindo o fim da mortandade e o controle da venda de armas.

Esta manifestação, que será gigantesca em frente à Casa Branca no dia 24 de março, está contando com o apoio de personalidades como George Cloney e sua esposa Alma, Bill Gates e outros bilionários. Ressalte-se que os alunos exigem urgentemente o "controle" e não à "proibição" da venda, o que seria inviável tendo em vista o seu uso fazer parte de uma característica da cultura americana e, por outro lado, da pressão contrária da indústria bélica de armas. Este controle dar-se-á mediante a apresentação de antecedentes criminais e não pela simples declaração feita pelo próprio comprador "de que não possui nenhum distúrbio mental". E no curto período que antecedeu às manifestações espontâneas dos alunos às autoridades constituídas do Estado e do País, foi apresentada uma proposta que considero absurda, sugerida pelo próprio Presidente Trump, a do fornecimento de arma para o professor proteger sua vida e defender a de seus alunos em situações idênticas à ocorrida. Imaginemos o colega dando aulas com um revólver no coldre ou na gaveta para proteger-se e aos alunos nos casos extremos como estes que ocorrem infelizmente.

O amigo leitor já imaginou o drama de um professor que matar um aluno atirador? Como será o resto de sua vida e dos seus próprios filhos? Porém, marcante, inesquecível e feliz, muito feliz, foi a declaração de um policial quando entrevistado por uma repórter sobre o que achava da proposta de se dar arma ao professor. Ele respondeu: "Não cabe ao professor matar, mas ensinar. Que sua proteção, a dos alunos e funcionários seja feita por seguranças". Que este triste massacre de Portland seja um motivo de alerta para os responsáveis pelas escolas em todo o mundo e principalmente em nosso país onde a violência já existe nas redondezas e pátio da escola e adentrou à sala de aula.

 

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