| Samantha Ciuffa |
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| Senador Fausto Longo visitou o Café com Política, do JC, e fez um balanço do seu mandato |
No próximo dia 4 de março, haverá eleições no Parlamento Italiano. No Estado de São Paulo, há 150 mil eleitores aptos a votar. Todo cidadão com dupla cidadania, ou italiano que vive no Exterior, pode exercer seus direitos políticos fora da Itália, como escolher pelo voto seus representantes e candidatar-se a um cargo eletivo.
Dentre outros compromissos na agenda, um dos candidatos à Câmara dos Deputados, Fausto Longo, 65 anos, esteve na tarde de anteontem, no Café com Política, do JC, para falar sobre sua experiência nos cinco anos em que atuou como senador pela coligação Partido Democrático. Este ano, ele é candidato a deputado pela mesma coligação, ao lado de Fabio Porta, que concorre ao cargo de senador.
Nas eleições, os países da América do Sul podem eleger quatro deputados e dois senadores. Para isso, os eleitores devem procurar o Consulado Italiano, na Capital, até o dia 1.º de março, às 16h, a tempo de os votos serem apurados na Itália, no dia 4. Antes disso, poderão enviar o voto pelos Correios, desde que a correspondência chegue ao consulado até o dia 1.º. As cédulas de votação já foram enviadas às residências dos eleitores pelos consulados gerais com as instruções. É preciso ter 18 anos ou mais (para eleger um deputado) e 25 anos ou mais (para votar em deputados e senadores).
"As pessoas lutaram tanto para conseguirem a cidadania italiana. Agora, que são cidadãos, não tem forma melhor de exercer sua cidadania do que dando o seu voto", destaca Longo.
Jornal da Cidade: Qual o balanço do trabalho realizado como senador?
Fausto Longo: Estamos encerrando cinco anos de mandato, dos quais eu saio bastante satisfeito com os avanços que conquistamos. Logicamente, não conseguimos vencer todas as batalhas, mas muitas delas foram alcançadas. Foram 900 sessões, 19 mil votações, 1.580 emendas apresentadas, dessas 600 aprovadas, 15 projetos de lei, sendo um aprovado. Então, gostaria de agradecer o apoio que tivemos por parte das comunidades italianas da região e apresentar alguns resultados deste mandato. Eu quero que as pessoas que nos apoiaram com seus votos tenham certeza de que não faltaram ética, responsabilidade e empenho. Os resultados foram efetivos.
JC - Se eleito deputado, quais serão os seus próximos passos?
Longo - Com a experiência adquirida no Senado e com os mecanismos que nos apropriamos, em termos de conhecimentos sobre as formas de governo da América do Sul e do funcionamento do Parlamento Europeu, tenho maiores instrumentos para participar mais ativamente das discussões políticas, que se dá no ambiente da Câmara dos Deputados. É uma eleição mais concorrida. São 63 candidatos, sendo 25 brasileiros. Uma das grandes metas para estar indo para a Câmara é que algumas batalhas ainda não foram vencidas. A primeira delas é prevenir barreiras que tenham por objetivo suprimir os direitos constitucionais dos ítalo-descendentes. A aproximação de setores comerciais complementares, entre os dois países, promovendo maior integração, e a criação de uma agenda propositiva para que os que parlamentares possam promover uma desobstrução do conjunto de leis que atrapalham um perfeito alinhamento entre os países.
JC - Como analisa atualmente as relações entre a Itália e o Brasil?
Longo - Podemos nos caracterizar como parceiros importantes no acirrado cenário mercadológico internacional. A capacidade e a competência tecnológica italiana devidamente aliada às próprias competências regionais dos países sul-americanos podem resultar numa inserção extremamente favorável para a Itália e, ao mesmo, tempo, para nosso continente. Tivemos a oportunidade de construir uma espécie de cooperação consorciada no setor vitivinícola, segmento altamente desenvolvido na Itália e que já está produzindo efeitos positivos no Estado de São Paulo.
JC - A Itália volta a debater a ampliação do Ius Soli (Direito de Solo). Como vê essa questão?
Longo - Não aceitamos qualquer limitação geracional ou de qualquer outra natureza como forma de inibir o reconhecimento da nossa hereditariedade, e também não aceitamos qualquer outra forma de subtração de nossos direitos constitucionais. Creio que é sensato buscar uma solução para os nascidos de genitores estrangeiros e que só conviveram, em toda sua vida, no ambiente italiano, com educação, vivência cultural e afetiva na própria Itália, que não são patriotas nos países de origem de seus pais porque, muitas vezes, esses países adotam regimes tipo Ius Soli e essas crianças não nasceram naquele território.
JC - Quais os principais problemas da comunidade italiana no Exterior?
Longo - Há necessidade de um atendimento mais eficiente por parte da rede consular, maior agilidade na questão dos processos de reconhecimento do direito à cidadania, superar a questão dos trentinos e das mulheres nascidas antes de 1948, mais eficácia na emissão de passaportes, validação de diplomas para o exercício profissional, apoio cultural, promoção e difusão da língua italiana. Há ainda questões relacionadas aos pensionistas, além da demanda por um atendimento mais humanizado para todos. Outra solicitação recorrente, principalmente pelos italianos natos que vivem nos países sul-americanos, é que sejam estudadas alternativas mais justas nos temas que pertencem a tratados bilaterais, como aquele que garante reciprocidade na questão da saúde, por exemplo, que expõe a grande diferença de qualidade dos serviços ofertados nos diversos países em comparação com sistema da Itália. Conseguimos promover acordo de cooperação entre a Úmbria e o Estado de São Paulo, que vai permitir a troca de tecnologia na área da Saúde.
JC - Será possível reduzir as filas de espera pela cidadania e passaporte nos consulados?
Longo - No Senado, procuramos evidenciar a necessidade de se estabelecer uma forma de olhar a comunidade italiana no Exterior, ou seja, como um efetivo recurso estratégico, e não como um peso. Foi um avanço conseguir que 30% da taxa da cidadania retorne aos locais de origem. Logo, os resultados aparecerão, tais como permitir que os próprios consulados possam implantar melhorias no atendimento e agilizar o processo de reconhecimento da cidadania. Vamos acompanhar de perto para que seja reduzido efetivamente o longo tempo de espera e a tão decantada "fila da cidadania".
Atuação
Como membro do Parlamento Italiano, Fausto Longo promoveu encontros culturais, econômicos e comerciais entre Itália e Brasil. Uma das realizações é a liberação de 5 milhões de euros para atividades de facilitação e preservação da cultura italiana no Exterior, por meio da chamada Emenda Omnibus. Também realizou um forte trabalho junto aos governos e embaixadas para que a Carteira Nacional de Habilitação brasileira tivesse validade na Itália e vice-versa. O acordo de validação da CNH entrou em vigor no dia 15 de janeiro.
Após mais de 200 encontros com 80 entidades do ramo da saúde para a construção de um Complexo Ítalo-brasileiro de Saúde, Fausto Longo conseguiu a doação de um terreno de 32 mil metros quadrados em São Paulo. O renomado arquiteto italiano Renzo Piano já garantiu a execução do projeto.
Em 5 anos como senador, participou de mais de 900 sessões plenárias, 300 sessões nas comissões permanentes da Indústria, Comércio e Turismo, "Defesa" e "Questões dos Italianos no Exterior", mais de 19 mil votações, 94% de presença em sessões e/ou missões parlamentares e mais de 1.500 emendas apresentadas. Visitou 400 localidades em missões na Itália, no Brasil e em países da América do Sul.
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