Política

Medicina: Alckmin faz aula inaugural

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

Fotos: Samantha Ciuffa
Governador Geraldo Alckmin falou sobre saúde pública durante a aula inaugural na FOB/USP
Celso Nascimento, Clodoaldo Gazzetta, Maria Aparecida Moreira Machado, Marco Antonio Zago, Geraldo Alckmin, Vahan Agopyan, Pedro Tobias e Daniel Alonso na solenidade dessa segunda (26)
Ao final do evento ontem na USP, governador, reitor, diretores e professores posaram para uma fotografia no palco do teatro com os alunos de Odonto, Fono e Medicina que ingressaram neste ano

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) cumpriu agenda nessa segunda-feira (26) à tarde, em Bauru, onde participou da aula inaugural do sonhado curso de Medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), que tem a primeira turma neste ano. Os 60 estudantes aprovados assistiram a uma palestra de Alckmin, que é médico. Convidados e imprensa também acompanharam o evento.

No primeiro dia do ano letivo, os alunos conheceram um pouco mais sobre o papel do Estado na saúde pública. Alckmin falou sobre os investimentos realizados por São Paulo nos cursos de Medicina e em outros da área de saúde, tanto da USP quanto também da Unesp, Unicamp, Famema e Famerp, e a vanguarda paulista na criação de novas vacinas, através do Instituto Butantan, na Capital Paulista.

A instituição está em fase final da vacina contra a dengue, abrigando os quatro sorotipos da doença, e com possibilidade ainda de que a mesma vacina proteja contra o zika vírus, o que está em fase mais inicial de estudo. Alckmin destacou que doenças como a dengue são típicas de países tropicais, em sua maioria subdesenvolvidos, e por isso, até hoje, não foram desenvolvidas vacinas, papel que o Butantan tem feito, em boa parte, com recursos estaduais.

Outros pontos comentados por Alckmin na aula inaugural foram os desafios da saúde pública, com envelhecimento da população brasileira e o aparecimento de mais casos de câncer, até em função dessa nova realidade. "O curso de Medicina terá um impacto muito positivo, pois os estudantes ficarão pelo menos seis anos na cidade, alguns nove, caso façam a residência médica aqui, e ainda haverá investimento no Centrinho, dando utilização a um belo prédio, consolidando Bauru como um grande centro na área de saúde e ensino", afirma.

DEMANDAS

Além de Alckmin, houve também aula magna com o reitor cessante da USP, Marco Antonio Zago, que falou sobre câncer. Já o novo reitor da universidade, Vahan Agopyan, destacou que o curso de Medicina permitirá o contato com a realidade desde o primeiro ano. "Estamos começando um curso de Medicina que não é uma cópia do curso de São Paulo ou de Ribeirão Preto. Terá uma nova abordagem e vai ter formatação e personalidade próprias. A ideia é que o contato dos estudantes com os pacientes comece já no primeiro ano", frisa.

"O curso em Bauru era algo natural, pois as disciplinas básicas já contam com professores da Odontologia e Fonoaudiologia. E estamos contratando vários professores para as disciplinas aplicadas, e com o compartilhamento de professores de São Paulo e Ribeirão Preto. E, além do Hospital das Clínicas, os demais hospitais da região entrarão como parte do processo de ensino", reitera.

O coordenador do curso de Medicina, José Sebastião dos Santos, vem da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, e vem trabalhando na implantação do curso. "A proposta é atuar mais perto da saúde pública. Desde o início, os estudantes estarão nos ambientes de serviços de saúde da cidade e região, como unidades básicas, UPAs e hospitais. E, depois, eles vão interagir e ajudar nesses serviços. A formação em saúde precisa ter essa configuração, não pode ficar restrito ao câmpus. O Hospital de Clínicas vai ajudar, mas parte será feito em outros locais, como unidades básicas, UPAs, Samu, centrais de regulação, maternidade".

Ele revela ainda que o Hospital das Clínicas deve atuar com base naquilo que já é referência do Centrinho, que é a reabilitação craniofacial, podendo ser ampliado para outras áreas com proximidade a esta. "O Centrinho já é uma referência. Vamos estruturar os serviços que a cidade e região precisam, aquilo que não tem nos outros hospitais, e isso vai ser implantado junto. Vamos lidar com problemas de saúde reais, aquilo que é demanda de Bauru e de toda a região. Isso vai influenciar o currículo", conclui. Sobre a possibilidade de ser o diretor da futura Faculdade de Medicina, quando esta ganhar autonomia da FOB, e possivelmente com o curso de Enfermagem também, Santos diz que é algo possível, mas ainda sem definição.

A professora Maria Aparecida Machado, diretora da FOB, afirma que sai do cargo, agora em março, realizada. "Foi uma conquista para Bauru e região, algo que a cidade sonhava há 60 anos e, agora, é realidade. Então, saio com o sentimento de realização, e vou continuar minhas atividades como professora e em outros projetos da universidade na qual eu for chamada a participar", relata.

PESQUISA

O governador Geraldo Alckmin afirmou que São Paulo segue investindo em pesquisa e ensino superior, negando corte de verbas. "O orçamento das universidades vai melhorar conforme a economia crescer. Uma coisa que já está ajudando é que, desde 2013, quem entra para trabalhar nas universidades contribui com o valor até o teto da previdência, valor a mais vai para previdência complementar. E a Fapesp manteve o mesmo índice de investimento em pesquisa dos últimos anos, não cortamos nada", concluiu.

INVESTIMENTOS

Antes de passar por Bauru, Alckmin esteve em Lins, na Santa Casa. Por aqui, o governador participou da aula inaugural da Medicina da USP, entregou a reforma da Maternidade Santa Isabel, e ainda anunciou oficialmente que o Estado investirá R$ 1 milhão neste ano para a construção da nova sede do Corpo de Bombeiros, e o município entrará com R$ 3 milhões que está no Fundo Municipal do Corpo de Bombeiros, informação que o JC antecipou no último dia 18 de fevereiro.

Exatamente por conta disso, o governador recebeu, nessa segunda-feira (26), uma homenagem do tenente-coronel Minozzi.

Escoal Est. Azarias Leite/Divulgação
Emanuele e Mateus estudaram na Escola Estadual Azarias Leite

Ex-aluna do Azarias Leite na Medicina

Por Cinthia Milanez

A ex-aluna da Escola Estadual Azarias Leite, na região do Jardim Carolina, Emanuele Raiany Alves, de 19 anos, foi convocada na terceira chamada da Fuvest, que se deu na semana anterior, para a Medicina da USP em Bauru.

Segundo a diretora do colégio, Inez Aparecida de Luca Martinez, ela concluiu o Ensino Médio na escola em 2015, quando passou a cursar Engenharia na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Porém, Emanuele sonhava com a Medicina e os seus pais não conseguiam mais mantê-la em outro Estado.

Colega da garota, Mateus Raimundo da Cruz, de 19, que também estudou no Azarias Leite, passou em Engenharia na Unesp, em Bauru. Ele já fazia o curso na UFPR, mas preferiu voltar para casa. 

"É um estímulo aos professores e alunos do colégio", finaliza Inez Martinez.

PROTESTOS

Alckmin chegou em Bauru pouco antes das 12h, no Aeroclube, onde foi recebido por prefeitos da região e autoridades, seguindo até a USP. Em frente à universidade, houve um protesto de funcionários da Educação e também do sistema prisional, ligados ao Sindicop, reivindicando melhorias salarias e de condições de trabalho. O ato foi liderado pelo deputado federal Major Olímpio.

Na Maternidade, não houve protestos, e o governador foi recebido por militantes tucanos, em clima eleitoral, uma vez que Alckmin será candidato a presidente da República pelo PSDB, e se afastará do cargo no começo de abril.

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