| Samantha Ciuffa |
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| No ano passado, dona Olga participou do 4.º Passeio Ciclístico da Autodefensoria e da 2.ª Caminhada pelo Autismo, ambos realizados pela Apae |
Afetuosa e ativa, Olga Bicudo Tognozzi chega aos 90 anos nesta quarta-feira (28). A sua história se confunde com a da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), em Bauru, já que preside a entidade há mais de três décadas.
Nascida em 29 de fevereiro, data típica dos anos bissextos, em Pederneiras, dona Olga, como é carinhosamente chamada, é filha de Edgard Bicudo e Itália Agnelli Bicudo.
Com grande experiência enquanto proprietário do Bar e Restaurante da Estação Paulista, o pai da professora aposentada vendeu todos os bens e se mudou com a família para Bauru, em 1936. Porém, em 1947, Edgard sofreu uma derrocada financeira, fato que impôs aos Bicudo tempos difíceis.
Logo, a essência da presidente da Apae de Bauru consiste em saber lidar com os dois lados da moeda: a fartura e a dificuldade.
Ainda em 1947, Olga terminou o magistério na tradicional Escola Guedes de Azevedo. Formada, a jovem professora atuava no curso de alfabetização de adultos, projeto pioneiro do Estado de São Paulo. Em 1950, começou a dar aula no bairro Sol Nascente, em Pirajuí. Em seguida, foi transferida para a Fazenda Macaúba, em Bauru.
Três anos depois, conheceu o caixeiro viajante Jessé Zuiani Tognozzi, com quem se casou no dia 19 de fevereiro de 1955.
Desde então, Olga passou a lecionar na Fazenda São João, também em Bauru, onde ficou por dois anos. Neste período, a professora já realizava ações filantrópicas, com a arrecadação de cobertores para ajudar as famílias carentes.
| Douglas Reis |
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| Aos 90 anos, a história de Olga se confunde com a da Apae |
Transferida para a Fazenda Nova Saudades, em Bauru, Olga encerrou o ciclo de 12 anos lecionando na zona rural, já que começou a dar aula no antigo 4.º Grupo Escolar, atual Escola Estadual Professor Eduardo Velho Filho, também em Bauru, até se aposentar, no dia 18 de julho de 1979.
Em outubro de 1982, assumiu a presidência da Apae e o que, de fato, a convenceu a aceitar tamanha responsabilidade foi um artigo publicado na Coluna do Leitor, do Jornal da Cidade, e assinado pelo então presidente da entidade, Alberto Segalla.
FILHO 'POSTIÇO'
Embora dona Olga tenha se casado, em 1955, não teve filhos. Por outro lado, em 1968, o seu sobrinho Edgard Bicudo Nunes Pinto - na época, com 15 anos - se mudou para a residência do casal. "Eu vim de Cafelândia para fazer o Científico em Bauru, porque lá não tinha", descreve.
Edgard morou com a presidente da Apae de Bauru até 1978, quando se casou. "Naquela época, ela já era a benemérita que é hoje, enfim, um anjinho que Deus mandou para nós", elogia o sobrinho.
Inclusive, a ligação dos dois ainda é muito forte. Religiosamente, Edgard a visita toda manhã de sábado. "Com total lucidez, ela é uma autêntica executiva e, por isso, tornou a Apae de Bauru o que é hoje. Lógico que também conta com a ajuda de boa equipe", finaliza.
O sonho de ser advogada
No dia 27 de novembro de 2014, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Bauru, indicou dona Olga ao Troféu Direitos Humanos - Fábio Francisco Ferreira Bento e, emocionada, ela acabou confessando que sonhava em ser advogada.
"O meu sonho se concretiza neste momento, uma vez que, por meio do trabalho voluntário, talvez, conquista maior alcancei, recebendo, hoje, meu cartão e minha carteira da Ordem dos Advogados, representados por este troféu", disse, na ocasião. Em 1955, a presidente da Apae também recebeu o Diploma de Honra, por ter alfabetizado 90% dos seus alunos. Em 2016, Olga foi contemplada com o prêmio Personalidade 2016, da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).
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Grande amor
O marido de dona Olga foi soldado voluntário constitucionalista, da Revolução de 1932, e o seu nome até batizou uma rua, próxima ao Fórum, no Jardim Bela Vista, em Bauru. Jessé Zuiani Tognozzi faleceu em 1971.
| Arquivo Pessoal |
| Familiares de dona Olga contam que ela sempre realizou ações filantrópicas |

